Política

CÂMARA

Situação no Rio acirra debate sobre Código Florestal

Situação no Rio acirra debate sobre Código Florestal

AGÊNCIA BRASIL

17/01/2011 - 14h44
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Assim que a Câmara dos Deputados retomar os trabalhos legislativos a partir do início de fevereiro, ruralistas e ambientalistas terão que encontrar um ponto comum que viabilize a aprovação do novo Código Florestal Brasileiro. A matéria está pronta para ir à votação em plenário. Essa é a opinião do deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) que praticamente resume a situação de um dos assuntos mais polêmicos hoje na pauta do Congresso Nacional.

“O código terá que ser discutido com muito cuidado", diz o deputado. Para ele, será preciso encontrar um meio termo entre os que defendem uma proteção ambiental mais radical e os que defendem a produção rural. "Caso contrário, não se terá qualquer condição de votar a matéria”, disse o Berzoini à Agência Brasil.

Nesse contexto, acrescentou o deputado, não se pode tratar o assunto de maneira emocional, associando a discussão do código a incidentes climáticos, como o das cidades da região serrana do Rio de Janeiro, parcialmente destruídas por deslizamentos de terra nas encostas das montanhas da Serra do Mar. Há quem considere, porém, impossível dissociar os assuntos.

O parecer do deputado Aldo Rebelo (PcdoB-SP) possibilita a exploração econômica nessas áreas. Pela proposta, isso se dará a partir de uma decisão do Programa de Regularização Ambiental (PRA), de emitir licenças com base em critérios técnicos e autorizadas pelo órgão ambiental estadual integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama).

Para Berzoini, a análise tem que partir de critérios técnicos e “menos por conta do incidente na região serrana do Rio”. Ele destacou que não só pessoas que moravam em áreas de encostas foram afetadas pelas chuvas mas, também, quem residia em áreas urbanas, longe das encostas.

“O texto aprovado na comissão já é polêmico e foi uma votação tensa. Agora, tem que se ressaltar que a Câmara dessa nova legislatura foi renovada em 40%, ou seja, são novos deputados federais que terão de fazer um trabalho de esclarecimento para chegar a um ponto comum. Caso contrário, não se vota o código”, avaliou o deputado.

O líder do Democratas na Câmara, Paulo Bornhausen (SC), considerou “terríveis" as generalizações no debate, ao ser perguntado sobre uma possível influência da tragédia em Petrópolis, Teresópolis e Friburgo. O parlamentar afirmou que Aldo Rebelo foi assessorado por “cientistas e pesquisadores renomados da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária]”, durante o trabalho de mudanças no atual Código Florestal, que data da década de 60 do século passado.

“Nesse caso, não se pode fazer uma ligação simplista. Isso não é bom para o Brasil nem para a sociedade. O Código Florestal precisa ser mais bem discutido e avaliado [quando a Câmara retomar seus trabalhos]”, acrescentou o democrata. Bornhausen afirmou que os partidos tomarão todas as medidas que tenham como objetivo proteger o solo, mas refutou qualquer tentativa “de criação de verdades absolutas” no processo de debate.

O deputado Sarney Filho (PV-MA), por sua vez, tem uma posição totalmente contrária à dos colegas do PT e do DEM. Segundo ele, a queda de encostas na região serrana do Rio tem total vinculação com o que está em análise na Câmara.

“Foi preciso que houvesse uma tragédia como essa que vemos no Rio de Janeiro para alertar a população sobre as falhas que a proposta do Código Florestal contém”, disse Sarney Filho. Ele destacou que, a partir de agora, terá que haver mais cautela nas propostas de ocupação de áreas de proteção ambiental (APPs) e de reservas legais.

Ele também se contrapôs às afirmações de Paulo Bornhausen sobre possíveis vinculações da tragédia no Rio com as discussões do código. “Para os ambientalistas, esse raciocínio não é simplista. Existem problemas de licenciamento público [para ocupações de uso rural e urbano] e outros que dizem respeito aos efeitos do aquecimento global, que devem ser levados em conta”, afirmou Sarney Filho.

O deputado destacou ainda que, com toda a rigidez do atual Código Florestal, os desmatamentos persistem e essa é outra realidade que tem de ser colocada nas discussões. Sarney Filho lembrou que a presidenta Dilma Rousseff assumiu o compromisso com ambientalistas de não permitir desmatamentos.

“Confiamos que o governo não vai se meter no debate no Congresso ou, se for se meter, será para rejeitar o relatório de Aldo Rebelo. Nós do PV vamos pedir ao presidente da Câmara, que assumirá em fevereiro, que não ponha esse projeto de imediato na pauta do plenário”, concluiu o deputado.

Política

Lula e Boulos multados por propaganda eleitoral antecipada em decisão judicial

Petista deve pagar R$ 20 mil por pedir voto para o pré-candidato a prefeito em ato do 1º de Maio

21/06/2024 22h00

O presidente Lula (PT) é condenado ao pagamento de multas por causa de propaganda eleitoral antecipada

O presidente Lula (PT) é condenado ao pagamento de multas por causa de propaganda eleitoral antecipada Foto: Reprodução

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O presidente Lula (PT) e o pré-candidato a prefeito Guilherme Boulos (PSOL) foram condenados ao pagamento de multas por causa de propaganda eleitoral antecipada. O petista pediu votos para o deputado federal na corrida para a Prefeitura de São Paulo durante ato do 1º de Maio.

O juiz eleitoral Paulo Sorci, da 2ª Zona Eleitoral de São Paulo, determinou nesta sexta-feira (21) que Lula pague R$ 20 mil de multa. Para Boulos, o valor imposto é de R$ 15 mil. Ainda cabe recurso.

Em um esvaziado ato do Dia do Trabalhador promovido por centrais sindicais na zona leste da capital, Lula disse que o pleito paulistano seria uma "verdadeira guerra" e, ao lado do deputado, pediu explicitamente para que seus eleitores votem nele, confrontando a legislação eleitoral.

"Ninguém derrotará esse moço aqui se vocês votarem no Boulos para prefeito de São Paulo nas próximas eleições", disse o petista. "Vou fazer um apelo: cada pessoa que votou no Lula em 89, em 94, em 98, em 2006, em 2010, em 2018… 2022, tem que votar no Boulos para prefeito de São Paulo."

A propaganda eleitoral será permitida somente após o dia 16 de agosto, quando as candidaturas já estiverem registradas na Justiça Eleitoral. A lei estabelece pena de R$ 5.000 a R$ 25 mil para propaganda feita antes do prazo regular.

A decisão atende a pedidos dos partidos Novo (que tem Marina Helena como pré-candidata a prefeita), MDB e PP (da coligação do atual prefeito, Ricardo Nunes). O PSDB (que lançou a pré-candidatura de José Luiz Datena) também ingressou com ação, mas o juiz a rejeitou por questões processuais.

O uso da máquina pública em benefício do pré-candidato do campo governista também foi levantado pelos adversários, além de eventual abuso de poder político.

No processo, as defesas de Lula e Boulos sustentaram que não houve pedido de voto, mas apenas o exercício do direito constitucional à liberdade de expressão. O pré-candidato argumentou ainda que desconhecia previamente o discurso e que sua presença no palco não pode ser confundida com anuência.

A pré-campanha do PSOL informou em nota que recorrerá da decisão desta sexta. "Ricardo Nunes, ele sim, tem usado a máquina pública para promoção pessoal", disse, acrescentando que o emedebista é alvo de duas representações do PSOL por uso da máquina pública e campanha eleitoral antecipada.

"As ações citam reportagens veiculadas pela imprensa envolvendo o uso de servidores para compor claque de apoio a Nunes em eventos custeados pela prefeitura, bem como falas do prefeito usando eventos custeados pela prefeitura insinuando a necessidade de sua própria reeleição e fazendo ataques ao deputado Guilherme Boulos."

O advogado de Lula no caso, Angelo Ferraro, disse à reportagem que também entrará com recurso. "A nosso ver, não houve nenhum tipo de irregularidade eleitoral", reiterou. Ele insistirá ainda no pedido de produção de provas, que não chegou a ser analisado e foi negado pelo juiz já na sentença. Segundo Ferraro, a chamada instrução probatória é "importante para o debate do contraditório dentro do processo".

No âmbito da ação movida pelo Novo, a Justiça determinou no dia seguinte ao evento a exclusão do vídeo com a fala do canal do presidente no YouTube. O registro já tinha sido apagado dos canais oficiais do governo federal, que também veicularam o discurso na íntegra.

Via assessoria, Marina Helena disse que acha "muito pouco" o valor das multas. "O benefício eleitoral que Boulos teve vale muito mais que R$ 35 mil", afirmou ela, criticando ainda o uso de recursos da Lei Rouanet para o que caracterizou como "um comício".
Como mostrou a Folha de S.Paulo, o evento foi organizado por uma produtora pertencente a dois filiados ao PT que captou R$ 3 milhões da Petrobras, via Lei Rouanet, para a organização de shows em comemoração ao 1º de Maio, inclusive para o ato das centrais na Neo Química Arena, em Itaquera.

Na sentença de condenação, o juiz afirmou que foi "inquestionável a prática do ilícito eleitoral" e que houve "pedido explícito" de voto. "No discurso é realizado um verdadeiro apelo aos presentes para que votem em Guilherme Boulos para prefeito de São Paulo no pleito vindouro", escreveu.

Sorci rebateu as explicações dos advogados de que se tratou de discurso de "posicionamento político", com mero "enaltecimento das qualidades pessoais" do deputado e uso da liberdade de expressão.

Ele justificou o valor da multa menor para Boulos dizendo que não há como desconsiderar o caráter ilícito de sua conduta e que cabe "apenas atenuar sua responsabilização". Para o magistrado, o parlamentar se manteve omisso diante da fala elogiosa do padrinho político, assumindo papel de beneficiário.

"Evidentemente que, por uma questão de respeito e de elegância, ele não tomaria das mãos do representado Luiz Inácio o microfone, tampouco lhe interromperia de forma abrupta a fala, mas, com o traquejo inerente dos políticos profissionais, de carreira, uma intervenção discreta, sutil, poderia ter sim sido realizada, de forma a amenizar aquela conduta que ambos, pela experiência que têm, sabiam irregular, mas assumiram o que se chama popularmente de 'risco calculado'", afirmou Sorci.

Para fundamentar a decisão, ele lembrou, entre outros pontos, que Lula participou do evento no papel de presidente da República, acompanhado de ministros e outras autoridades, além de estar "cercado de todo o aparato institucional e guarnecido de suporte público para sua participação".

Por fim, o juiz disse que o presidente tem "notória representatividade no cenário político nacional" e "significativa e indiscutível capacidade de angariar votos" e que o deputado, por sua vez, reagiu com inércia, "mesmo podendo atuar de forma discreta para amenizar o discurso".

Na pesquisa mais recente do Datafolha, divulgada em 29 de maio, Boulos marcou 24% de intenções de voto, empatado tecnicamente em primeiro lugar com Nunes, com 23%. Em seguida aparecem Datena, com 8%, também empatado com Tabata Amaral (PSB), com 8%, e Pablo Marçal (PRTB), com 7%.

A avaliação entre aliados do membro do PSOL foi a de que o presidente agiu de caso pensado, com o cálculo de que o ganho na esfera eleitoral era maior do que o risco de ser acusado de ilícito eleitoral e sofrer uma multa.

Boulos busca nacionalizar a disputa e colar sua imagem na de Lula para enfrentar Nunes, que é apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sofre alta rejeição na capital.
Segundo o Datafolha, o apoio de Lula faria 23% dos eleitores votarem com certeza em um candidato, mas levaria 45% a não votarem nele de jeito nenhum. Já a recomendação de Bolsonaro seria motivo de voto para 18%, enquanto 61% se recusariam a escolher o nome indicado.

Na época da fala, Ricardo Nunes disse que Lula teve "uma atitude que claramente é um desrespeito à lei eleitoral" e que sua pré-campanha recorreria à Justiça em busca de reparação. Afirmou ainda que, "por ser um presidente da República, [com] a experiência que ele tem, obviamente, sabia o que estava fazendo".

Ao reagir às críticas de Nunes, Boulos afirmou que o evento não era um ato oficial do governo, mas uma iniciativa das centrais, e disse que é o prefeito quem usa a máquina para propaganda irregular, já que o menciona durante inaugurações e é beneficiado pela publicidade paga com verbas públicas.

Boulos disse no dia 2 de maio que o emedebista "fala mal" dele e o ataca em "eventos públicos, com a estrutura da cidade de São Paulo". "Fico estarrecido com a cara de pau do prefeito Ricardo Nunes. Ele não tem autoridade moral para acusar ninguém em relação ao uso de máquina", afirmou.

Na ocasião, ele também minimizou as acusações de infração à legislação eleitoral, chamando as críticas de "tempestade em um copo d'água" e sinal de desespero do emedebista. Disse que Lula fez uma fala "expressando o desejo de voto dele" e que "não é segredo" para ninguém que ele o apoia.

O Ministério Público pediu, ao se manifestar no processo, que Lula pagasse valor próximo de R$ 25 mil, a maior pena prevista em lei para esses casos. Defendeu ainda que Boulos também respondesse pela infração eleitoral, mas para o pré-candidato a sugestão foi a de multa "acima do mínimo legal".

 

*Informações da Folhapress 
 

Política

Durante evento do agro, ex-ministro de Bolsonaro prega o fim da polarização política

Paulo Guedes disse que é necessário que políticos e a sociedade consigam debater sem "dar uma facada um no outro"

21/06/2024 13h30

Ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, palestrou e participou de mesa redonda no segundo dia de Interagro.

Ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, palestrou e participou de mesa redonda no segundo dia de Interagro. Marcelo Victor/Correio do Estado

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Durante palestra, ministrada no Interagro, evento sul-mato-grossense que reúne produtores e empreendedores do agronegócio de todo o estado, o ex-ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, pregou que a animosidade na política e os ataques aos poderes precisam acabar.

Guedes foi chefe da Economia entre os anos de 2019 e 2022, durante o mandato de Jair Bolsonaro (PL), e fez menção ao ex-presidente em seu discurso, dizendo: "como dizia o meu presidente, 'eu não entendo nada de política'". Depois, sugeriu que o vencedor das últimas eleições, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), controlasse os conflitos políticos do Brasil.

"Eu não critico ninguém (...) Eu estou constatando que cabe ao vencedor [Lula], baixar a bola, acalmar tudo. Porque se não, está alimentando, realimentando, essa escalada", disse o ex-ministro.

Guedes destacou que, em outros países, a polarização política já está "escalando", e questionou: "a gente quer escalar aqui também?".

"Não é bom. Lá fora está se questionando a eficácia do sistema multipartidário: 'quanto será que estamos gastando com a democracia? Quanto custam os órgãos, o legislativo, o judiciário? Será que funciona? Por que a China avança tanto? Será que é porque ela não gasta com política? Tem gente pensando nisso, e eu estou radicalmente contra. Eu acho o contrário. Eu prefiro ser livre, num país que cresce 3%, do que ser prisioneiro num país que cresce 14%", declarou.

O ex-ministro disse que as autoridades e a sociedade, ainda que tenham posicionamentos políticos diferentes, devem conseguir conversar sobre o assunto sem "dar uma facada" no outro.

"São valores, sistemas, visões. Nós não temos capacidade de conversar sobre isso sem dar uma facada no outro. Temos que ser capazes de discutir isso", acrescentou.

Por fim, Paulo Guedes disse que atacar um ou outro presidente, com termos como "ladrão" e "genocida" é atacar também a presidência da república

"Ataques aos presidentes são também um ataque à Presidência, assim como ataques ao judiciário também são ataques aos poderes", concluiu o ex-ministro.

Interagro

O Interagro é um evento presencial voltado a produtores e empreendedores do agronegócio de diversos portes e segmentos.

Em sua quarta edição, o encontro, que dura três dias, serve como uma vitrine para o setor, trazendo debates, palestras e cursos, além de apresentar novas tendências e tecnologias do agronegócio mundial.

Realizado no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, o evento conta ainda com exposição de produtos e serviços, se tornando uma excelente oportunidade para ampliar a rede de contatos e firmar grandes parcerias.

O Interagro segue até este sábado (22), e a programação completa pode ser acessada aqui.

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