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ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Especialistas: sozinhas, redes sociais não decidem eleições

Para sociólogos, imagem dos candidatos é feita a partir de vários fatores, entre eles, outros meios de comunicação, e o mundo real
10/11/2020 10:01 - Flávio Veras


As redes sociais atingiram uma importância nunca vista em outras eleições, mas sozinhas, segundo os especialistas ouvidos pelo Correio do Estado, elas não serão determinantes para que as candidaturas atinjam o seu objetivo, que é a vitória.  

O sociólogo Tiago Duque, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), é direto. Para ele, as redes sociais não são um mundo à parte, mesmo em uma eleição única, em que as medidas de distanciamento social por causa da pandemia de coronavírus reduziram o contato entre os candidatos e os eleitores no mundo físico.  

“O que quero dizer é que as redes sociais sozinhas não definem o resultado político das eleições. Então, talvez, o que as pessoas já trazem de conhecimento antes da pandemia sobre candidatos e candidatas valha mais do que somente o uso atual, em um período pandêmico, das redes sociais. O papel desse tipo de comunicação é potencializar algo que já existe nas relações off-line, criando pouca coisa nova a ponto de mudar significativamente, nesse espaço tão curto para as campanhas, intenções já previamente construídas”, analisou.

Também sociólogo, Daniel Miranda vai no mesmo sentido, de que apenas as redes sociais, sozinhas, não são capazes de eleger um candidato. Elas podem ter um grande peso, porém, o que contará é mostrar nela o trabalho realizado anteriormente para convencer os eleitores. Ao comentar o poder das redes sociais, Miranda cita o pleito de 2018, quando Jair Bolsonaro elegeu-se presidente da República.  

“Esses veículos de comunicação foram importantes, de certa forma, porém, não penso que eles tenham decidido as eleições. Bolsonaro, por exemplo, teve muita cobertura da ‘mídia tradicional’ especialmente após a facada. Além disso, desde 2010 [ou até antes], ele já circulava em vários programas de TV como ‘figura exótica’. O resultado: foi reeleito deputado federal em 2010 com mais ou menos 120 mil votos. Em 2014, saltou para mais de 400 mil, sem WhatsApp, Facebook ou outras plataformas digitais. Ele se limitava a aparecer no extinto CQC [‘Custe o que Custar’] e no ‘Superpop’, entre outros. Dito isso, as redes sociais foram muito importantes, sim, em 2018, mas isso não diminui a importância das mídias tradicionais, que ajudaram a consolidar a imagem do candidato”, analisou.

 

PODER FINANCEIRO

Tiago Duque diz que, mesmo no universo digital, por mais que nele o eleitor não perceba, o poder financeiro faz a diferença. A questão financeira muitas vezes foi determinante para o sucesso de uma campanha eleitoral. Aquele candidato com mais tempo de televisão e com uma estrutura melhor de publicidade quase sempre alcançava o seu objetivo. Ao ser perguntado se neste panorama atual, com as mídias sociais, os recursos financeiros também são importantes para o fomento do marketing político, Duque explicou que os candidatos com maior verba podem ter um pouco mais de vantagem em relação ao que arrecadaram um montante menor. Porém, as pessoas conseguem na sua própria rede social filtrar assuntos que lhe causam mais identificação.  

Já existem candidatos que superaram R$ 100 mil em gastos com impulsionamento, caso do candidato a prefeito em Campo Grande Vinicius Siqueira (PSL) e de Marcelo Bluma (PV), bem como os candidatos a vereador Luiza Ribeiro (PT) e Ciro Fidelis (PSL), todos na Capital.  

“Os candidatos com mais verba podem ter muitas vantagens, inclusive na forma de produzir e fazer circular o conteúdo da sua campanha nas redes sociais. Mas, para qualquer tema, quem consome os conteúdos da internet tem capacidade de ressignificar o conteúdo, de entendê-lo e fazer com que ele circule de formas muito distintas, sem aquela intenção inicial de quem o produziu (...). Não afirmaria que o pleito tenha ficado mais democrático simplesmente com o advento das nossas relações digitais, pois as posturas antidemocráticas seguem circulando nas redes”, avaliou.  

 

NOTÍCIAS FALSAS

Duque também analisa o fenômeno das notícias falsas (fake news) nas redes sociais. “Primeiro, precisamos nos perguntar, de fato, se todos os eleitores realmente querem se livrar das fake news. Digo isso porque essas notícias não são verdadeiras, mas, por outro lado, revelam o quanto algumas mentiras favorecem identificações entre determinados grupos de interesse. Há muita gente se sentido representada na mentira e por isso acredita, divulga ou a produz”, diz.  

Nestas eleições, o aplicativo de troca de mensagens WhatsApp, o Facebook e o Instagram disponibilizaram ferramentas que reduzem a difusão de notícias falsas, com limitadores de compartilhamento e parcerias com agências de checagem, proporcionando alertas de fake news.  

 

TELEVISÃO

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que 46% dos brasileiros ainda não têm acesso à rede, por isso outros meios, como a TV, ainda são importantes. “A dificuldade de acesso à internet hoje já é algo prejudicial mesmo fora do período eleitoral. A TV, por ser mais acessível, cumpre um papel importante na diminuição desses prejuízos, mas optou politicamente em não realizar debates (...) nesse sentido, o prejuízo é inestimável”, lamentou Duque.

 
 

Felpuda


Figurinha cuja eleição estava sub judice trabalha intensamente para ter a votação legalizada. Isso acontecendo, garante uma das cadeiras de vereador. Assim, quem hoje foi proclamado eleito vai para a fila da suplência.

Caso isso ocorra, a figurinha que corre o risco não deverá ficar desamparada, pois deixou secretaria municipal para disputar as eleições e poderá ter a cadeira de volta em 2021. Agora, resta esperar para ver onde vai parar.