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REELEIÇÃO

Trad começa último ano de mandato com situação fiscal de Campo Grande fraca

Campo Grande está mal avaliada entre as capitais brasileiras
22/02/2020 11:23 - Yarima Mecchi


 

Assim como a maioria dos prefeitos de capitais brasileiras, o administrador de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), está com pouca margem nas contas públicas. Conforme levantamento feito pelo G1 Economia, das 26 capitais, apenas oito estão com situação fiscal confortável.  

Buscando a reeleição, Trad acredita que o mau desempenho do município no levantamento nacional não deve interferir no pleito. Entre as capitais, Campo Grande é a sétima com pior situação fiscal, considerada fraca com nota de 4,11.  

Conforme noticiado pelo G1, a situação das finanças dos municípios foi detalhada pela primeira vez em um estudo realizado pela consultoria Tendências. Pelo levantamento, as prefeituras de Rio Branco, Palmas, Boa Vista, Curitiba, Porto Velho, Vitória, Aracaju e Manaus são as que estão com as contas públicas mais ajustadas.

“Esse índice – sempre trabalhamos com ele – demonstra publicamente, por um órgão nacional, o que a gente tem dito reiteradas vezes: que não estamos tendo ajuda do governo federal. Temos sobrevivido com impostos da cidade, cada vez mais aumenta o número de inadimplentes. E estamos fazendo a lição de casa. Mesmo assim, não atrasamos salários e demos reajustes iguais ou acima da inflação para os servidores”.

Questionado se a situação pode afetar sua reeleição, o prefeito destacou que, mesmo com pouca margem, tem feito investimentos na cidade e ainda ressaltou que políticos tiveram problemas com desvios de dinheiro e improbidade administrativa. “Por que atrapalha se estamos em dia? Com pouco estamos fazendo muito. Só conseguimos fazer investimentos porque não recebemos visita da Polícia Federal, não fizemos escândalos em licitação e não nos envolvemos na Lama Asfáltica. Estou absolutamente em paz”.

O secretário de Finanças e Planejamento, Pedro Pedrossian Neto, pontuou que o levantamento não utiliza todos os indicadores, e não mostra a evolução de 2017 até o ano atual. “É uma forma de bater a fotografia da situação. Talvez não mostre a evolução das contas de 2017 para cá. Se olhar 31 de dezembro de 2016, com uma cidade com o 13º salário em atraso, hospital sem pagamento, problemas de infraestrutura, buscamos melhorar. Dois mil e dezessete foi um ano difícil. Em 2018 também tivemos dificuldades”, disse o secretário sobre como a cidade estava quando a gestão de Trad assumiu o Paço Municipal.  

O secretário destacou ainda que um dos índices do levantamento atrapalhou a cidade no ranking. Campo Grande não tem poupança corrente, tem ficado com deficit. “Campo Grande tem um problema porque tem uma poupança negativa: tivemos um deficit, mas foi a cidade que mais investiu. Se for olhar, os recursos federais para investimentos aumentam o endividamento, são um empréstimo. Não é dinheiro dado, é um crédito. Temos uma poupança baixa, mas investimos muito e usamos recurso do tesouro para contrapartida”.  

Pedrossian afirmou ainda que, comparado à gestão do ex-prefeito e atual senador Nelson Trad (PSD), o repasse de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) diminuiu R$ 100 milhões por ano e 2020 já teve uma redução de R$ 48 milhões em relação a 2019 por conta do rateio entre as cidades. “Tivemos todo esse ajuste que vem caindo e trouxe uma série de desafios. Também tivemos aumentos com despesas de aposentados e pensionistas. Estávamos esperando que a reforma da Previdência viesse para estados e municípios, não ficasse só no governo federal”.  

 

Felpuda


Figurinha carimbada ganhou o apelido de “biruta”, instrumento que indica direção do vento e, por isso, muda constantemente. Dizem que a boa vontade até existente ficou no passado, e as reclamações são muitas, mas muitas mesmo, diante das decisões que vem tomando a cada mudança de humor do eleitorado. Como bem escreveu o poetinha Vinicius de Moraes: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.