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DOURADOS

Vereadores criticam postura de prefeita em combate ao Covid-19

Cidade é a que mais tem casos confirmados do novo coronavírus, com 1.197 dos 3.551 no Estado
16/06/2020 08:00 - Yarima Mecchi


Concentrando o maior número de casos do novo coronavírus (Covid-19) no Estado, Dourados tem sido o foco de autoridades no combate a transmissão da doença, mas alguns vereadores do município têm criticado a postura da prefeita Délia Razuk (PTB). Ouvidos pelo Correio do Estado, representantes do Legislativo classificaram, sem se identificar, a administração da cidade como uma "bagunça" e uma "disputa de egos".

Conforme o presidente da Câmara Municipal de Dourados, Alan Guedes (Progressista), existe um esforço por parte da prefeita, mas falta coordenação nas ações. "Aprovamos a lei da obrigatoriedade de máscara em maio, está vencendo o prazo de sanção e está na prefeitura e não foi sancionada. As ações ficam um pouco morosas".  

O vereador criticou ainda que mesmo com a lei aprovada no Legislativo e já encaminhada à administração municipal, a prefeita publicou em decreto ontem a obrigatoriedade do uso de máscara em locais públicos. "Quando uma lei é aprovada ela chega na prefeitura e tem o prazo de 15 dias uteis para sancionar ou vetar o projeto. Pode usar dois dias se quiser, três, vai vencer na quinta o prazo e estamos aguardando porque vamos promulgar", ressaltou o vereador.  

Guedes disse ainda que falta atenção com as cobranças que a Câmara tem feito a prefeitura e destacou a falta de barreiras sanitárias nas rodovias de acesso à cidade. "Só tem uma barreira, só para Itaporã. Quem vem de Campo Grande só tem se vier por Maracaju.  Quem vem pela BR-163 e pela BR-463 não tem. Dourados é um polo de prestação de serviços de 32 municípios, a gente vê placas de carro da região, precisa apertar as ações".  

Questionado se a Câmara Municipal tem acompanhando a situação dos povos indígenas e dos mais de R$ 305,5 milhões que a Missão Evangélica Caiuá recebeu para investir na saúde indígena, e ainda os R$ 202,6 milhões que deve receber até 2021 por meio de nove convênios, todos para o Estado, e das três aldeias que tem na cidade, Guedes disse que foi realizada uma ação com a secretaria de Saúde e o frigorífico que teve os primeiros casos confirmados.  "É uma questão que estamos acompanhando e de maneira delicada. Tem muitas casas que não têm acesso à água encanada, localidades dentro da reserva que não chega e andam para chegar em poços. As aldeias Bororó, Jaguapiru e Panambizinho têm problemas crônicos e afeta ainda mais com o Covid".  

Outro vereador que criticou atos da administração municipal, foi o representante do PT, Elias Ishy. Segundo o parlamentar, mesmo com um comitê para ações ao combate a Covid-19 a prefeitura não abrange todos os seguimentos e deixa de fora os agentes de saúde e de endemias. "Eu acho que falta um pouco de coordenação por parte da prefeita, os agentes comunitários e de endemias estão fora do enfrentamento e são as pessoas que trabalham nos bairros, tem contato com todo mundo e não fazem parte do comitê de gerenciamento da pandemia. São ações como esta que vai somando no geral".  

O vereador citou ainda a lei que não foi sancionada sobre o uso de máscaras. "Já pedimos tanto para incluir os agentes, os representantes dos trabalhadores, aprovamos uma lei que obriga a utilizar máscaras, tem quase 20 dias que aprovou e não sancionou a lei. A prefeita fica muito isolada, quer dar conta sozinha, não considera os parceiros institucionais, falta considerar, falta ouvir, todo mundo quer ajudar, mas a pessoa não quer o que pode fazer?", questionou.

Ainda segundo informações do vereador, a Câmara Municipal de Dourados disponibilizou R$ 150 mil a disposição para a prefeitura utilizar no combate ao Covid-19. "Está lá, até hoje não foi utilizado, falta um pouco de coordenação dos trabalhos. Eu tenho bom diálogo com todo mundo, embora eles não ouvem, a gente acaba desistindo".  

O vereadores disseram que pediram ajuda dos deputados estaduais e do coordenador da bancada federal de Mato Grosso do Sul, senador Nelson Trad Filho (PSD), para combater a doença.

"Conversei com o diretor da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), Coronel Robson, do Ministério da Saúde. Ele disse que está vendo a possibilidade de fazer um hospital de campanha na aldeia de Dourados e que os grandes técnicos indicam que precisa", disse Trad sem um prazo para a instalação de hospitais de campanha no município.

O deputado estadual José Carlos Barbosa (DEM) - que tem base eleitoral em Dourados - afirmou que destinou emendas para a saúde da cidade e também revindicou ao governo do Estado e a bancada federal hospitais de campanha para receber os indígenas contaminados com a Covid-19. "Destinei emendas e recursos para ajudar. Não é hora de discurso no sentido de encontrar culpados. É preciso ter unidade no discurso. Paralelo a isso temos que estruturar Dourados enquanto temos vagas nos leitos de UTI", ressaltou. (Leia mais na página 7)

 
 

Felpuda


Devidamente identificadas as figurinhas que agiram “na sombra” em clara tentativa de prejudicar cabeça coroada. Neste segundo semestre, os primeiros sinais começarão a ser notados como reação e “troco” de quem foi atingido. Nos bastidores, o que se ouve é que haverá choro e ranger de dentes e que quem pretendia avançar encontrará tantos, mas tantos empecilhos, que recuar será sua única opção na jornada política. Como diz o dito popular: “Quem muito quer...”.