Política
APÓS PARALISAÇÃO

Vereadores querem CPI do Transporte Público, mas Mesa segura pedido

Presidente da Câmara Municipal, Carlão Borges (PSB) faz parte da base aliada ao Executivo e diz que CPI “acaba em pizza”

Jéssica Benitez, Valesca Consolaro

22/06/2022 08:30

Após paralisação do transporte público, que ontem deixou mais de 100 mil pessoas sem locomoção, os vereadores de Campo Grande voltaram a pressionar a Mesa Diretora para que o pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) protocolado em fevereiro deste ano seja aprovado. 

Ao Correio do Estado, o vereador Marcos Tabosa (PDT) disse que o intuito é fazer uma varredura no contrato da prefeitura com o Consórcio Guaicurus, concessionária responsável pelo serviço na Capital.

“Precisamos saber quem está errado nessa história. É a prefeitura? É o consórcio? Precisamos ver nome por nome dos funcionários, saber o porquê de a situação dos ônibus ser essa, tudo em más condições, velho, lotado. Será que estamos diante de um caso como o da Seleta e o da Omep?”, questionou.

O vereador se referiu ao escândalo envolvendo a Organização Mundial para Educação Pré-Escolar (Omep) e a Sociedade Caritativa e Humanitária (Seleta), mantidas com dinheiro público e usadas como cabide de emprego de políticos e empresários, além de desvios de verba que resultaram em operação do Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em dezembro de 2016.

Segundo Tabosa, até o momento, nenhum dos 13 vereadores que assinaram o pedido de CPI voltou atrás.  

“Só falta mesmo passar pela Mesa Diretora”. O presidente da Casa de Leis é o vereador Carlão Borges (PSB), que faz parte da base aliada do Executivo, comandado por Marquinhos Trad (PSD) até abril deste ano e agora sob gestão da prefeita Adriane Lopes (Patriota).  

Durante discussão sobre o assunto na sessão ordinária desta terça, embora tenha garantido não ser contrário à apuração, Carlão disse que CPIs nunca dão resultado: “Sempre acabam em pizza”.  

Para ele, o ideal é encontrar outra saída para a questão, mas não detalhou bem o que seria.

Tabosa diz que, com o colega de parlamento Tiago Vargas (PSD), vai continuar debruçado em desenrolar a apuração. Vargas, por sua vez, também se pronunciou. Para ele, de fato há um prejuízo milionário mensalmente, mas somente por meio de uma CPI é possível desvendar “a caixa-preta” do Consórcio Guaicurus e mostrar à população de Campo Grande os números reais.

“Eu acho que a hora é essa. Vamos abrir essa caixa-preta desse consórcio e colocar o dedo na ferida. O que eu vejo é o seguinte: são muitos empresários, e até políticos, quem sabe, com medo de o Consórcio Guaicurus abrir sua caixa-preta”. Propositor da CPI que teve pedido protocolado em fevereiro, professor André Luis (Rede) segue a mesma linha de raciocínio.  

“Estamos em um ponto agora em que é irreversível a abertura da CPI. Nós precisamos resolver esse problema do transporte coletivo de Campo Grande, que não pode ser tratado da maneira que está sendo tratado”.  

O parlamentar ressaltou que os constantes reajustes no preço do diesel abrem desproporção na planilha de custos do serviço e acabam onerando a empresa. “Então, o transporte público é caro, sim. E o poder público tem que arcar com parte desse custo”.