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Grand Canyon tem 70 milhões de anos, segundo estudo

Grand Canyon tem 70 milhões de anos, segundo estudo

Redação

02/12/2012 - 06h00
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O Grand Canyon, situado no estado do Arizona (EUA), tem cerca de 70 milhões de anos de idade, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira na revista científica Science. A data calculada pelos cientistas pretende mudar radicalmente a maneira como a ciência vê a formação da estrutura geológica. Estudos anteriores, com base na análise do cascalho encontrado no rio Colorado, apontam que o cânion poderia ter sido formado há "apenas" 5 ou 6 milhões de anos, ou ainda há 17 milhões de anos.

Há 150 anos, os cientistas discutem a idade do cânion, que tem cerca de 2 quilômetros de profundidade, 29 quilômetros de largura e 450 quilômetros de extensão. Na mais atual pesquisa sobre o tema, novos métodos mediram a concentração do gás hélio em minerais e indicaram que o Grand Canyon é mais velho do que se imaginava. "Nossa pesquisa indica que partes substanciais das porções oeste do Grand Canyon já estavam escavadas há cerca de 70 milhões de anos", diz Rebecca Flowers, da Universidade do Colorado, e uma das autoras do artigo. Os cientistas acreditam que, provavelmente, o cânion foi escavado em diferentes momentos e ritmos.

Método

Rebecca e K. A. Farley, pesquisador do Instituto de Tecnologia da Califórnia, calcularam a concentração do gás hélio em alguns minerais encontrados nas rochas do cânion. Esse gás escapa dos minerais sob temperaturas muito elevadas, acima dos 70ºC, como aquelas encontradas nas camadas interiores da Terra. No entanto, quando a erosão abre um cânion, as rochas esfriam, prendendo o hélio e aumentando sua concentração. "A concentração de hélio pode ajudar os cientistas a determinarem quando as rochas esfriaram", explica um texto sobre a pesquisa, também na Science.

"A existência de um Grand Canyon antigo tem importantes implicações para entender a evolução das paisagens, a topografia, a hidrologia e a tectônica do oeste dos Estados Unidos e das cadeias de montanhas em geral", diz Rebecca Flowers.

Apesar dos resultados, o texto na própria Science ressalta que o debate está longe de acabar. Karl Karlstom, da Universidade do Novo México, analisou a concentração de hélio em minerais a apenas alguns quilômetros de onde Flowers recolheu suas amostras. Os resultados, que devem ser publicados em breve, sugerem que as rochas ainda estavam aquecidas e a mais de um quilômetro abaixo da superfície da Terra entre 15 milhões e 20 milhões de anos atrás — o que reforçaria a tese de que o Grand Canyon é bem mais novo do que Rebecca sugere.

(Com agência France-Presse)

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