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A evolução do estudo da Aids, por um de seus codescobridores

A evolução do estudo da Aids, por um de seus codescobridores

Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz

29/05/2011 - 17h50
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 A quantidade e qualidade das pesquisas realizadas sobre o vírus HIV e sobre a Aids hoje no mundo contrasta com o verdadeiro mistério que essa doença representava para a ciência apenas 30 anos atrás. A história da descoberta do vírus foi tema da conferência apresentada pelo pesquisador francês Willy Rozenbaum, um dos codescobridores do HIV e atual presidente do Conselho Nacional de Aids da França, em conferência nesta terça-feira, 24/05, no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Ele recordou os principais passos que levaram à identificação do retrovírus e abordou avanços, descobertas e os grandes desafios ainda representados pela doença.

Participaram da conferência – em edição extraordinária do Centro de Estudos do IOC, integrada aos Seminários de Imunologia –, os pesquisadores Bernardo Galvão, da Fiocruz-Bahia, um dos responsáveis pelo isolamento do vírus no Brasil, em 1986, e Valéria Rolla, do Instituto de Pesqusias Clínicas Evandro Chagas (Ipec/Fiocruz), que investiga a coinfecção tuberculose-HIV e foi membro da equipe de Willy. A abertura do evento contou com os pesquisadores Mariza Morgado, vice-diretora de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico e chefe do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC, referência nacional em CD4, Análise Viral e Genotipagem do HIV, e Claudio Ribeiro, anfitrião da conferência e um dos cientistas envolvidos no isolamento do HIV no Brasil.

Nos meses seguintes, surgiram hipóteses relacionando a doença a algum tipo de vírus transmitido pelas relações sexuais e pelo uso de drogas intravenosas, mesmas vias de transmissão do vírus da hepatite B, identificado em 1975. “Essa ideia foi reforçada pela identificação do primeiro retrovírus humano, também no início da década de 1980. Em 1983, a hipótese foi confirmada ao conseguirmos isolar o retrovírus responsável pela doença, o HIV, um vírus completamente diferente de todos os conhecidos até o momento” conta Willy.

A evolução da pesquisa em Aids

A partir daí, a comunidade científica se dedicou ao estudo do ciclo da doença, desenvolvendo testes capazes de indicar a infecção pelo vírus antes dos primeiros sintomas clínicos, bem como formas de tratamento e prevenção. “No início, o diagnóstico era apenas clínico e só acontecia com a doença já avançada. Ao entender o ciclo de replicação viral e principalmente após a criação das modernas técnicas de PCR, no início da década de 1990, foi possível desenvolver testes sorológicos para o diagnóstico da Aids e relacionar o desenvolvimento da doença com o aumento da carga viral e a queda dos níveis do linfócito CD4, uma de nossas mais importantes células de defesa”, explicou Willy. “Esse conhecimento permitiu avaliar a evolução da doença no organismo, além de possibilitar o  tratamento e a prevenção das infecções oportunistas a partir dos níveis de anticorpos, melhorando a qualidade de vida das pessoas que viviam com HIV”, afirmou.

Alternativas para o tratamento da infecção pelo vírus também não demoraram a aparecer, mas os resultados a médio prazo frustraram as expectativas dos pesquisadores.
“O AZT, medicamento capaz de suprimir a replicação viral, foi desenvolvido em 1986 e rapidamente colocado à disposição dos pacientes. Porém, apesar da grande melhora apresentada no início da utilização, em 20 semanas os pacientes retornavam à mesma condição anterior ao tratamento. Isso nos mostrou um grande desafio, pois as drogas selecionavam as mutações do vírus menos sensíveis, fazendo com que o AZT parasse de funcionar”, recordou Willy.

Nos anos seguintes, foram criadas outras drogas e as primeiras estratégicas de combinação entre elas, mas o resultado nunca era duradouro. A situação mudou na década de 1990, com o desenvolvimento de novas gerações de medicamentos inibidores de proteases. “Atuando diretamente na capacidade do vírus de penetrar nas células de defesa, eles apresentavam resultados melhores na redução de carga viral e efeitos mais permanentes”, explicou. Hoje, cerca de 25 drogas são utilizadas no tratamento da doença, combinadas em estratégias terapêuticas que visam controlar a carga viral e os níveis de CD4.

Desafios ainda maiores

Além de relembrar a evolução das pesquisas sobre o HIV nas últimas três décadas, Willy também abordou os desafios que a Aids ainda representa nos dias de hoje. “Apesar da queda acentuada de mortes e de infecções oportunistas associadas à doença, muito relacionada aos avanços no tratamento, o número de casos continua aumentando. Hoje são 30 milhões de pessoas vivendo com o HIV e, neste ritmo, em 2030 serão 60 milhões. Talvez a explicação para isso seja a grande parcela da população que tem o vírus, mas não sabe”, avalia.

“Ainda não estamos próximos de uma vacina, mas temos apresentado avanços no estudo de microbicidas, tratamentos de pré e pós-exposição, e estratégias de prevenção da transmissão vertical. É importante entender que só o preservativo não basta, é preciso combinar diversas estratégias de prevenção, controle e tratamento da doença. Lidar com a questão do preconceito, que ainda é grande, e transformar as inovações em alternativas de tratamento e prevenção disponíveis a toda a população também são questão fundamentais para os próximos anos”, acredita o francês. 

HIV no Brasil

Bernardo Galvão, hoje pesquisador da Fiocruz-Bahia e um dos responsáveis pelo isolamento pioneiro do HIV no Brasil, realizado no Instituto Oswaldo Cruz em 1987, destacou a capacidade brasileira de responder ao surgimento da Aids e abordou os avanços nacionais na luta contra a doença. “O isolamento do vírus foi um marco da pesquisa nacional, mostrou como é fundamental investir em saúde e ciência para preparar o país para o surgimento de novas doenças. A partir dele foi possível desenvolver, por exemplo, um sistema de triagem dos bancos de sangue do país, conquista que colocou o Brasil no cenário mundial de luta contra a doença, rendendo à Fiocruz participação na Rede Internacional de Isolamento e Caracterização do HIV”, lembrou Galvão. “Hoje, a sociedade brasileira conquistou acesso ao tratamento gratuito para a doença através do Sistema Único de Saúde e nossos pesquisadores continuam produzindo conhecimento científico de ponta sobre a Aids”, concluiu.

Mariza Morgado destacou a importância do trabalho realizado por Willy e seus colaboradores no momento em que perceberam estar diante de uma nova doença, muito diferente de todas que existiam até então. “Estes foram momentos únicos e decisivos no estudo da Aids, em que a pesquisa superou o medo e o preconceito, possibilitando todos os avanços conquistados nestes últimos 30 anos”, afirmou. Para Claudio Ribeiro, a importância da atuação do francês extrapola as bancadas do laboratório. “Além de grande pesquisador clínico, Willy sempre desempenhou papel fundamental na produção de informação sobre o vírus, atuando na superação de preconceitos e no esclarecimento da população”, afirmou. 

Descoberta

Na conferência HIV 1981 – 2011: Pesquisa, Descoberta e Perspectivas, Willy recordou o momento em que um estranho dado epidemiológico fez sua carreira de clínico interessado na epidemiologia de doenças infecciosas mudar de rumos. “No início dos anos 1980, começaram a ser registradas muitas infecções oportunistas, como linfomas, em pacientes que não tinham nenhum motivo para apresentarem seu sistema imunológico debilitado. Primeiro, o único fator em comum entre quase todos eles era a homossexualidade, mas em pouco tempo os heterossexuais já representavam cerca de 10% das pessoas com essa imunodeficiência de origem desconhecida”, descreveu o pesquisador.

Valéria Rolla, do Ipec/Fiocruz, encerrou o evento relembrando os momentos que vivenciou ao lado de Willy durante a preparação de sua tese de doutorado, no Hospital Rotchild, na França. A pesquisadora destacou a dedicação do francês aos estudos pioneiros sobre o HIV e a multidisciplinaridade de sua abordagem. “Nossa equipe era formada por profissionais de diversas áreas, que constantemente trocavam conhecimento e informação, enriquecendo o processo de compreensão da Aids. Como uma doença muito complexa, o tratamento e a prevenção da Aids também precisam de abordagens variadas”, defendeu

Negócios

WhatsApp incrementa canais de envio de mensagem em massa com áudio e enquete

Os donos desses espaços de distribuição massiva de mensagens agora podem enviar áudios, enquetes e eleger até 16 administradores

17/01/2024 21h00

Os ajustes nos canais chegam ao público às vésperas de novo período de eleições no país. Divulgação

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O WhatsApp aumentou as opções para as pessoas que administram canais, segundo anúncio desta quarta-feira (17). A ferramenta permite envio unidirecional a milhares de usuários. 

Os donos desses espaços de distribuição massiva de mensagens agora podem enviar áudios, enquetes e eleger até 16 administradores. A atualização está disponível para todos os usuários a partir desta quarta (17).

A Meta —dona do WhatsApp— adiou a estreia desse recurso no Brasil, após o Ministério Público Federal ter recomendado, durante as eleições de 2022, à empresa esperar até o ano seguinte para o lançamento. A medida visava prevenir desinformação no contexto eleitoral.

Os ajustes nos canais chegam ao público às vésperas de novo período de eleições no país.

Nos canais, os criadores já podem distribuir links, textos, imagens e vídeos para um número ilimitado de participantes. O recurso concorre com ferramenta similar do Telegram.

Os novos recursos incluem:

1 - Mensagens de voz
2 - Enquetes
3 - Compartilhar cards no status (ferramenta análoga aos stories do Instagram) —para isso, basta manter uma atualização que você achar interessante pressionada, selecionar ‘encaminhar’ e depois a opção ‘meu status’

A Meta também lançou a opção de "Múltiplos Admins" para que os canais possam ter até 16 administradores para ajudar a gerenciar as atualizações.

O dono do Canal pode convidar qualquer um de seus contatos ou seguidores para se tornarem administradores. Depois que o convite é aceito, o novo administrador poderá gerenciar as informações do canal e criar, editar e excluir quaisquer atualizações.

Apenas os proprietários de um canal seguem com permissão para excluí-lo.
 

Telemarketing

Plataforma Não Me Perturbe fecha 2023 com 12 milhões de cadastros

Mecanismo bloqueia chamadas indesejadas de telemarketing

10/01/2024 22h00

O mecanismo, no entanto, não bloqueia ligações, por exemplo, de planos de saúde ou de redes varejistas. Arquivo/ Correio do Estado

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Mecanismo que permite o bloqueio de chamadas não desejadas de empresas, a plataforma Não Me Perturbe fechou 2023 com 12 milhões de números de telefone cadastrados. Isso representa crescimento de 974.902 de números em relação a 2022.

Segundo a Conexis Brasil Digital, que reúne as empresas de telecomunicações e de conectividade, o número de cadastros equivale a 4,3% da base de 280,5 milhões de telefones fixos e móveis existentes no Brasil.

Em operação desde julho de 2019, a plataforma permite que as pessoas bloqueiem chamadas de telemarketing vindas de empresas de telecomunicações e de oferta de crédito consignado. O mecanismo, no entanto, não bloqueia ligações, por exemplo, de planos de saúde ou de redes varejistas.

Quem quiser bloquear seus números de celular e telefone fixo para não receber ligações de telemarketing desses dois setores (telecomunicações e crédito consignado) deve fazer o cadastro diretamente no site Não Me Perturbe ou por meio dos Procons em todo o país. O bloqueio ocorre em até 30 dias após o cadastro no site.

A maior parte dos números bloqueados está no estado de São Paulo, com 5,52 milhões de números registrados. São Paulo também concentra a maior base de clientes do país, com 85 milhões de celulares e de telefones fixos. O Distrito Federal tem a maior proporção de telefones cadastrados na plataforma, com 8,2% da base de telefones fixos e móveis do DF.

Em operação desde julho de 2019, a plataforma Não Me Perturbe faz parte das medidas de autorregulação do setor para melhorar a relação com os consumidores. Desde então, o número de cadastrados cresceu ano a ano, mas só superou a marca de 10 milhões em 2022. Em outubro do ano passado, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o volume de queixas caiu 15,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

 

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