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Desfazendo os mitos sobre distúrbios de atenção

Desfazendo os mitos sobre distúrbios de atenção

VEJA ONLINE

29/12/2010 - 23h15
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Até 2002, um grupo internacional de respeitados neurocientistas achava necessário publicar um relato argumentando intensamente que o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) era uma doença real. Em face de evidências científicas “devastadoras”, eles reclamavam, o TDAH era comumente retratado pela mídia como "um mito, uma fraude ou uma condição benigna" – uma consequência de professores rígidos demais, talvez, ou do excesso de televisão.

Nos últimos anos, tem sido mais raro ouvir alguma dúvida de que o problema realmente existe, e as evidências explicando sua rede neural e sua genética vêm se tornando mais convincentes e complexas.

Mesmo assim, ultimamente foram publicados alguns artigos e ensaios que usam a atenção (ou a falta de) como um indicador e uma metáfora de algo mais amplo na sociedade: as distrações eletrônicas, o conceito de multitarefa, a ideia de que a natureza da concentração pode estar mudando, de que as pessoas se sentem sobrecarregadas, distraídas, irritáveis.

Mas o TDAH não é uma metáfora. A doença não é a inquietude e a indisciplina que acontecem quando os alunos ginasiais são privados de intervalos, ou a distração dos adolescentes na era do smartphone. Ela também não é a razão pela qual seus colegas baixam e-mails durante reuniões e até mesmo em meio a conversas.

"A atenção é uma fenômeno cognitivo realmente complexo, com muitas peças dentro dela", afirma o Dr. David K. Urion, de Harvard, que dirige o programa de deficiências e neurologia comportamental no Hospital Infantil de Boston. "Quando falando de crianças com déficit de atenção, o problema reside na atenção seletiva quando comparado a seus pares em idade e sexo – o que você absorve e o que você ignora?"

Além disso, o distúrbio ocorre ao longo de um amplo espectro, de leve a extremo. Meninos são mais propensos a serem hiperativos e impulsivos, meninas a serem desatentas (um motivo para muitas meninas não serem oficialmente diagnosticadas é que aquelas com o jeito desatento podem ser bem comportadas na escola, mas ainda assim, incapazes de se concentrar).

Padrão consistente — “Ainda há muito que não sabemos”, disse Bruce F. Pennington, professor de psicologia na Universidade de Denver e especialista na genética e na neuropsicologia dos distúrbios de atenção. "Mas sabemos o bastante para dizer que se trata de um problema baseado no cérebro, e temos alguma ideia sobre quais circuitos e genes estão envolvidos".

Estudos de imagens cerebrais em pessoas com déficit de atenção mostraram um padrão consistente de atividade abaixo do normal nos lóbulos frontais, onde fica a chamada função executora. E cientistas estão focando nos caminhos para a dopamina e neurotransmissores similares ativos nos circuitos que passam informações de entrada e saída aos lóbulos frontais.

Níveis de atividade em circuitos específicos podem ajudar a explicar o aparente paradoxo de usar estimulantes, como o Ritalina, para tratar crianças que já parecem superestimuladas. Em muitas crianças com TDAH, esses medicamentos podem ajudar os circuitos a funcionar mais normalmente. "Se você tem déficit de dopamina, é mais difícil se concentrar em comportamentos orientados por objetivos", explicou Pennington. "Os psicoestimulantes alteram a disponibilidade de dopamina nesses mesmos circuitos".

Fator genético — Embora pesquisas recentes tenham identificado fatores ambientais que podem elevar a probabilidade de desenvolvimento da doença, estima-se que seu componente genético seja mais forte. O Dr. Maximilian Muenke, diretor do braço de genética médica no Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, disse que em gêmeos idênticos, se um deles tiver TDAH, a probabilidade de o segundo também ter é de 80 por cento (entre gêmeos não-idênticos, o número cai para 20 a 30 por cento, o mesmo de irmãos no geral).

No mês passado, a equipe de Muenke publicou um artigo identificando um gene, chamado LPHN3, associado tanto à doença quanto a uma reação favorável a estimulantes. Mas ninguém acha que apenas um gene é o responsável; assim como a atenção é um fenômeno complexo, a genética dos déficits de atenção também é.

Remédios personalizados — Muenke é cauteloso ao afirmar se os estudos da genética poderiam, algum dia, desempenhar algum papel no tratamento da doença. Ele falou de eventualmente prever quais crianças responderão a remédios específicos, poupando as famílias da frustração de trocar de medicamentos diversas vezes sem nenhum alívio. Ele pareceu mais otimista ao falar das probabilidades a longo prazo.

"Acredito realmente que, com o tempo, seremos capazes de desenvolver remédios personalizados para uma criança com TDAH", afirmou ele, acrescentando que, quando as causas principais são conhecidas, "essa criança terá um tratamento muito específico, seja ele apenas comportamental ou envolvendo medicação" – e essa medicação será feita sob medida para a criança.

Casos antigos — Talvez ávido por deixar claro que o TDAH é muito mais que uma metáfora para as distrações da vida moderna, os cientistas adoram citar exemplos muito mais antigos que a própria criação do termo.

Urion evocou Sir George Frederick Still, o primeiro professor britânico de medicina pediátrica, que descreveu a síndrome precisamente em 1902, falando de um garoto que era "incapaz de manter sua atenção, até mesmo num jogo, por mais que um período muito curto de tempo" – e que por isso estava "atrasado nas atividades escolares, mesmo parecendo completamente normal em seus modos e conversas".

Muenke citou Der Struwwelpeter (Pedro Descuidado, em tradução livre), livro infantil escrito por Heinrich Hoffmann em 1845 que traz a história de Zappel-Philipp, ou Felipe Inquieto (uma tradução ao inglês foi feita por Mark Twain, o grande cronista dos garotos).

As circunstâncias da vida moderna podem gerar a falsa ideia de que uma cultura repleta de eletrônicos e deveres amontoados cria o distúrbio. "As pessoas pensam que vivemos num mundo que causa TDAH", disse Urion. É claro que ninguém deveria dirigir e trocar mensagens de texto ao mesmo tempo, continuou ele, mas para "um marinheiro portuário que conduz um enorme navio ao porto de Boston, prestar atenção já era uma boa ideia, mesmo naquela época".

Nostalgia

Nokia relança celular 'Tijolão' no seu 25º Aniversário

Brasil é um dos principais mercados para os 'dumbphones'

16/05/2024 15h25

Divulgação Nokia 3210

Divulgação Nokia 3210 Reprodução

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Com o ressurgimento da moda e da cultura dos anos 2000, a HMD Global decidiu trazer de volta o icônico Nokia 3210, marcando 25 anos desde seu lançamento original. Este relançamento não é apenas uma jogada de marketing; é um aceno para uma era menos conectada e potencialmente mais simples.

Renascimento dos Dumbphones:

A HMD Global está capitalizando sobre uma crescente insatisfação com os smartphones atuais e as complexidades das redes sociais. Ao reintroduzir o Nokia 3210, a empresa aposta em um retorno aos chamados 'dumbphones' - dispositivos simples que focam em durabilidade, manutenção fácil e longa vida útil da bateria.

O que é Dumbphones?

"Dumbphones" são celulares que possuem funcionalidades básicas em comparação aos smartphones modernos. Eles são projetados principalmente para fazer chamadas e enviar mensagens de texto, embora alguns modelos possam oferecer funcionalidades adicionais como rádio FM, lanternas, e até uma câmera básica.

Esses aparelhos não têm sistemas operacionais complexos como Android ou iOS, nem acesso a uma vasta gama de aplicativos.

Os dumbphones são valorizados por sua simplicidade, durabilidade e, muitas vezes, por uma bateria de longa duração. Eles são uma escolha popular entre as pessoas que buscam desconectar-se das funcionalidades avançadas e das constantes notificações dos smartphones, ou que precisam de um dispositivo apenas para comunicação básica.

Também são frequentemente utilizados como um segundo telefone para situações onde um smartphone pode ser demasiado valioso ou delicado, como viagens ou atividades ao ar livre.

Nostalgia e Mercado:

A tendência dos telefones nostálgicos ganhou tração com modelos como o Nokia 2660 Flip, apesar das estatísticas do IDC Brasil indicarem uma queda de 19,3% nas vendas desses dispositivos em 2023. A nostalgia dos anos 2000, impulsionada por hashtags como #Y2K no Instagram e TikTok, mostra um interesse renovado pelo passado que a HMD busca explorar.

Características Modernizadas do Nokia 3210:

O novo Nokia 3210 não é uma réplica exata do original. Ele vem equipado com funcionalidades modernas como 4G, Bluetooth, uma câmera de dois megapixels, além de acesso ao WhatsApp, Google Maps e Shorts do YouTube. A longa vida útil da bateria, que pode durar até uma semana, é um destaque, demonstrando a vantagem de seu sistema simplificado.

Disponibilidade e Preços:

O relançado Nokia 3210 já está disponível em alguns mercados europeus, como Reino Unido, Alemanha e França, com preços variando de 74,99 libras a 79,99 euros. Apesar de ainda não estar disponível no Brasil, os modelos europeus são compatíveis para uso no país.

Conclusão:

A estratégia da HMD Global com o Nokia 3210 vai além das vendas. Ela oferece uma oportunidade para os consumidores revisitar uma época onde a conexão humana era mais valorizada que interações virtuais. Este relançamento serve como um lembrete de que, às vezes, menos é mais, especialmente em uma era dominada pela tecnologia.

com informações folhapress!

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INSTABILIDADE

Instagram está fora do ar hoje (14 de maio)

Usuários relatam instabilidade na plataforma da Meta

14/05/2024 22h11

Instagram

Instagram

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O Instagram apresentou instabilidade hoje, principalmente na versão móvel da aplicação, conforme relatos de usuários e monitoramento feito pelo Downdetector.

A queda da rede social começou por volta das 12h, e os problemas mais notificados incluem dificuldades com o login e a atualização do feed. Facebook também sofreu com a instabilidade.

A Meta, empresa que controla ambas as plataformas, já informou que o problema foi corrigido mais tarde no mesmo dia Relatórios de usuários indicam problemas com Instagram na noite desta terça-feira.

Ultima atualização às 22:19 desta terça-feira

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