No sul de Santa Catarina, um trecho da SC-390 transforma o trajeto em experiência de altitude e engenharia. São aproximadamente 24 quilômetros marcados por 284 curvas sucessivas, que sobem da base até cerca de 1.460 metros. Em dias claros, o mirante superior permite enxergar o litoral a mais de 100 quilômetros.
O caminho atravessa a Serra do Rio do Rastro, área conhecida pela combinação de paisagem abrupta e clima instável. Neblina pode surgir rapidamente e reduzir a visibilidade em poucos minutos, enquanto o frio intenso favorece a formação de gelo em períodos de inverno. Isso torna a condução mais exigente.
Origem histórica e evolução da via
Antes da estrada asfaltada, o trajeto era utilizado por tropeiros que cruzavam a região com animais e mercadorias. As trilhas estreitas acompanhavam o relevo da serra e deram origem ao nome associado aos rastros deixados na passagem do gado. O percurso era lento e dependia de animais de carga.
A transformação em estrada começou a ser discutida no fim da década de 1920, quando lideranças locais passaram a defender a abertura de uma via estruturada. As obras avançaram ao longo de várias décadas, com liberação gradual ao tráfego a partir dos anos 1950. A pavimentação definitiva veio posteriormente.
Entre 1984 e 1986, a rodovia recebeu acabamento em concreto, tornando-se a primeira desse tipo em Santa Catarina. A escolha do material não foi estética, mas funcional, já que o concreto oferece melhor aderência em condições de frio e umidade. Isso foi decisivo para a segurança na região.
Engenharia moldada pelo relevo da Serra Geral
O traçado sinuoso da estrada é resultado direto da geografia local. A Serra do Rio do Rastro está inserida na borda da Serra Geral, formada por antigos derrames de lava que criaram um extenso planalto basáltico há cerca de 130 milhões de anos.
O relevo atual é marcado por grandes desníveis. A diferença de altitude entre a base e o topo ultrapassa mil metros, criando uma parede natural que inviabiliza uma subida em linha reta.