A compra da mineradora Serra Verde, em Goiás, pela empresa americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 14 bilhões na cotação atual), marca um avanço liderado pelos Estados Unidos na disputa global por minerais críticos. A transação, financiada pelo governo americano e anunciada em abril de 2026, redireciona para Washington a produção de terras raras da mina de Pela Ema, em Minaçu, que antes era integralmente exportada para a China.
Esses elementos químicos são essenciais para a indústria de alta tecnologia e defesa, estando presentes em veículos elétricos, turbinas eólicas e chips. Embora não sejam geologicamente escassos, o grande desafio reside em encontrá-los em alta concentração e dominar o complexo e caro processo de refino, uma tecnologia que vem sendo controlada pelo mercado asiático.
O ativo goiano destaca-se globalmente como a única mina de argila iônica em operação fora da Ásia capaz de fornecer elementos pesados e altamente valiosos, como o disprósio e o térbio. Em atividade desde 2024, o projeto tem como meta duplicar sua capacidade produtiva até 2030, para se tornar peça-chave para os planos ocidentais de reduzir a dependência do fornecimento chinês.
Estados Unidos compram mineradora no Brasil para disputar com a China
A operação financeira reflete o uso de capital público pela Casa Branca, por meio da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional (DFC), para garantir o abastecimento doméstico. O contrato estabelece cláusulas de prioridade para o mercado americano, transformando uma transação comercial privada em um movimento de segurança nacional para mitigar o monopólio de Pequim.
Embora o Brasil tenha a segunda maior reserva global desses minerais, o país apenas extrai e exporta a matéria-prima bruta. Sem tecnologia própria para refinar o minério e transformá-lo em produtos finais, o mercado nacional perde a chance de lucrar com o setor e continua dependendo da importação de produtos de alta tecnologia fabricados no exterior.
