Um estudo apresentado por pesquisadores brasileiros indica que o país reúne condições para assumir um papel mais relevante no mercado global de terras raras nas próximas décadas. A pesquisa avalia que as reservas minerais existentes representam uma oportunidade estratégica. No entanto, o avanço dependerá da capacidade de transformar esses recursos em produtos de maior valor agregado.
O levantamento foi elaborado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), por encomenda do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). As conclusões foram apresentadas durante o VII Seminário Brasileiro de Terras Raras, realizado no Rio de Janeiro. O documento traça cenários e propõe ações para o período entre 2026 e 2040.
Reservas podem impulsionar setores estratégicos
As chamadas terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos considerados essenciais para diversas tecnologias modernas. Esses minerais são empregados na fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos, sistemas de defesa e dispositivos eletrônicos. Também estão presentes em materiais ópticos e processos industriais de alta tecnologia.
Segundo o estudo, o Brasil possui recursos naturais capazes de fortalecer sua participação nesse segmento. A pesquisa destaca ainda a importância da Amazônia, especialmente pelas reservas de argilas de adsorção iônica, apontadas como um diferencial para o fornecimento desses minerais no longo prazo. Esse potencial pode ampliar a presença do país nas cadeias internacionais de produção.
Industrialização é apontada como principal desafio
Apesar da disponibilidade de reservas, os pesquisadores afirmam que a extração dos minerais representa apenas uma etapa da cadeia produtiva. As fases de refino, metalurgia e transformação industrial concentram a maior parte do valor econômico. Por isso, o desenvolvimento dessas capacidades é considerado fundamental para ampliar a competitividade nacional.
O estudo também propõe um roteiro para orientar políticas públicas, investimentos e iniciativas de pesquisa ao longo dos próximos anos. A intenção é estimular a integração entre governo, universidades e setor produtivo.