Pesquisadores da Bélgica estão desenvolvendo um spray nasal que poderá ajudar a impedir a infecção por diferentes vírus respiratórios antes mesmo que eles alcancem as células humanas. Chamada de Dastevir, a tecnologia apresentou resultados positivos em estudos pré-clínicos. Apesar do avanço, o produto ainda não está disponível para uso pela população.
A pesquisa é conduzida pela empresa de biotecnologia Intercept Bio, criada em parceria entre a Universidade de Namur e a Universidade Católica de Louvain. Os primeiros testes indicaram atividade contra vírus como influenza, SARS-CoV-2 e vírus sincicial respiratório (VSR). Agora, o projeto seguirá para as próximas etapas de desenvolvimento e avaliação clínica.
Tecnologia busca impedir a entrada dos vírus
O diferencial do spray está em uma molécula chamada 9-Ac-SAP, desenvolvida e patenteada pelas instituições responsáveis pelo estudo. Em vez de atacar um vírus específico, a substância funciona como uma espécie de barreira inicial. Ela dificulta que os agentes infecciosos consigam se fixar nas células das vias respiratórias.
Como diversos vírus utilizam mecanismos semelhantes para iniciar a infecção, os cientistas acreditam que a estratégia poderá oferecer proteção contra diferentes doenças respiratórias. A expectativa é que a tecnologia também mantenha sua eficácia diante do surgimento de novas variantes. Essa abordagem difere dos tratamentos voltados para um único vírus.
Estratégia complementar às vacinas
Os pesquisadores destacam que o spray não foi criado para substituir as vacinas disponíveis. A proposta é funcionar como uma medida adicional de prevenção, atuando diretamente na principal porta de entrada de muitos vírus. Dessa forma, o produto poderia ampliar as opções de proteção contra infecções respiratórias.
Entre os grupos que poderão ser beneficiados futuramente estão pessoas com doenças pulmonares crônicas e pacientes com o sistema imunológico comprometido. Também existe a possibilidade de utilização antes da entrada em locais fechados e com grande circulação de pessoas. Outra hipótese estudada é o uso por indivíduos infectados para reduzir a transmissão do vírus.