Um estudo publicado em uma revista científica aponta que os microplásticos podem estar associados a problemas cardíacos. Pesquisadores italianos investigaram a presença dessas partículas no sangue para avaliar o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares graves.
O tema também foram tratados pelo Instituto de Ciências Cardiovasculares da University College London, University of East London e University College. A pesquisa analisou a corrente sanguínea de 61 participantes para identificar a frequência do poluente em diferentes condições de saúde.
O organismo de quem passou por um infarto apresentou uma presença muito mais expressiva desse material sintético.
Os números da contaminação no sangue
A presença de partículas plásticas microscópicas variou de forma significativa entre os grupos que participaram do teste clínico. Os dados revelaram que o poluente foi detectado em 84,2% das pessoas que sofreram infarto do miocárdio.
O índice de detecção caiu para 40% nos indivíduos diagnosticados apenas com quadros de síndromes coronarianas crônicas. No grupo de controle, composto por pessoas com artérias coronárias normais, o número registrado foi de 31,8%.
Limitações metodológicas e fatores de confusão
O caráter estritamente observacional da análise impede que se estabeleça um vínculo definitivo de causa e efeito entre os fatores. Especialistas da UCL e da UEL apontam que variáveis socioeconômicas podem atuar como fatores de confusão nesses resultados.
A causalidade reversa também é uma hipótese viável para justificar as taxas elevadas encontradas nos pacientes cardíacos. O tratamento de emergência em ambiente hospitalar envolve infusões intravenosas que podem liberar esses materiais plásticos no sangue.