As obras de modernização do Autódromo Oscar e Juan Gálvez, em Buenos Aires, seguem avançando dentro do cronograma previsto. A sete meses dos primeiros testes da MotoGP, que marcarão o retorno da categoria à capital argentina após 28 anos, o circuito também mantém vivo o sonho de voltar a receber um Grande Prêmio de Fórmula 1 no futuro.
O portal argentino TyC Sports visitou as instalações nesta quinta-feira (30) e constatou uma grande evolução em relação à última inspeção, realizada três meses atrás. Desde então, novas estruturas começaram a ganhar forma, incluindo os novos boxes, um túnel subterrâneo e os primeiros testes de pavimentação da pista.
Obras estão avançando no circuito
O autódromo já apresenta mudanças visíveis em diversos setores. Trechos da pista receberam novos meios-fios adaptados para carros e motos, sistemas de drenagem começaram a ser instalados e áreas específicas passaram por testes de asfalto.
Na região da Curva 1, uma das áreas mais importantes do projeto, está sendo construído um túnel de acesso aos boxes. O novo traçado também contará com alterações de inclinação e mudanças de elevação, especialmente em curvas como a 4 e a 9, aumentando o desafio técnico para os pilotos.
Uma das decisões mais importantes do projeto foi a mudança de localização da atual pista de kart. O espaço será utilizado para criar uma extensão do circuito em direção ao arco de entrada, permitindo que a pista alcance aproximadamente 4,9 quilômetros, com 15 curvas — nove para a direita e seis para a esquerda.
Com esse novo formato, a expectativa é que carros de Fórmula 1 possam atingir velocidade média de cerca de 225 km/h, com máxima próxima de 340 km/h.
É possível o autódromo receber a Fórmula 1?
A construção de uma nova curva em formato de gancho, próxima à Avenida Roca, é considerada essencial para que o circuito alcance a certificação Grau 1 da FIA, requisito obrigatório para receber a Fórmula 1.
Esse trecho será uma ampliação do traçado de aproximadamente 4,3 quilômetros que será utilizado pela MotoGP. A primeira corrida da categoria de motos no novo circuito de Gálvez está prevista para abril de 2027. Antes disso, será necessário demolir a arquibancada localizada na área onde ocorrerá a expansão da pista.
Outro ponto fundamental do projeto é a modernização da área dos boxes e do paddock. A estrutura planejada para a MotoGP já supera as exigências da categoria, mas foi projetada pensando também em uma possível chegada da Fórmula 1.
O novo prédio terá 32 garagens, cada uma com sete metros de largura, além de áreas técnicas, um andar coberto e uma nova torre de controle. Caso o retorno da Fórmula 1 seja confirmado, um segundo andar poderá ser acrescentado.
O projeto também prevê mudanças no heliporto, hospital e no Centro de Alto Rendimento da Associação Argentina de Pilotos, que serão transferidos para a entrada da reta principal. Os boxes ainda serão ampliados em direção à Curva 1.
Após a conclusão das reformas, o Autódromo Oscar e Juan Gálvez terá capacidade estimada para aproximadamente 70 mil espectadores, considerando as arquibancadas atuais, cinco novas estruturas permanentes e áreas temporárias.
Além disso, serão modernizados os acessos ao circuito, com a criação de duas novas entradas, estacionamentos e áreas de apoio, como banheiros, alimentação e serviços gerais.
Fórmula 1 na Argentina volta a ser um sonho
A Prefeitura de Buenos Aires afirma manter contato frequente com a Formula One Management (FOM), empresa responsável pelos direitos comerciais da Fórmula 1, para atualizar o andamento das obras. Uma visita oficial da FIA está prevista para o fim de agosto, quando representantes da entidade deverão acompanhar de perto a evolução do projeto.
O retorno da Fórmula 1 à Argentina ganhou força nos últimos anos principalmente pelo crescimento da popularidade de Franco Colapinto, que reacendeu o interesse do público argentino pelo automobilismo.
O cenário internacional também abriu uma possibilidade inesperada. Problemas geopolíticos recentes afetaram o calendário da Fórmula 1, com corridas ameaçadas de cancelamento e a necessidade de buscar alternativas emergenciais.
Caso o circuito argentino estivesse pronto, Buenos Aires poderia surgir como uma opção para receber uma etapa no fim da temporada. Porém, atualmente, a entrada da Argentina no calendário oficial ainda depende de vários fatores.
Em condições normais, conseguir espaço na Fórmula 1 é uma tarefa difícil. O calendário atual já conta com seis provas nas Américas, e diversos países disputam uma vaga na categoria.
Além disso, os contratos para receber uma corrida exigem investimentos elevados. Os valores podem superar US$ 40 milhões por ano, geralmente com acordos mínimos de cinco temporadas.
Mesmo assim, o interesse comercial e o impacto econômico de um Grande Prêmio, somados à popularidade de Colapinto e à tradição argentina no automobilismo, fazem o projeto continuar sendo tratado como uma possibilidade real para o futuro.
O objetivo imediato é garantir o retorno da MotoGP em 2027. Mas, paralelamente, Buenos Aires trabalha para transformar novamente o Autódromo Oscar e Juan Gálvez em um palco da Fórmula 1.