Todos sabem que atualmente a Fórmula 1 conta com 11 equipes no grid. Mas, o que poucos esperavam é o surgimento de um outro time e já fazendo parte da maior categoria do automobilismo mundial. Estamos falando da atual campeã entre pilotos e construtores.
A McLaren criou uma equipe dedicada exclusivamente ao desempenho da unidade de potência Mercedes com o objetivo de extrair o máximo rendimento do motor na temporada 2026 da Fórmula 1. A informação foi revelada por Mark Temple, diretor técnico de desempenho da escuderia britânica.
A equipe de Woking utiliza motores fornecidos pela Mercedes e precisou se adaptar rapidamente ao novo regulamento técnico da categoria. No início do campeonato, o chefe da McLaren, Andrea Stella, admitiu que o time enfrentou dificuldades para acompanhar o ritmo das equipes de fábrica na compreensão do novo pacote técnico.
Como fornecedora oficial das unidades de potência, a Mercedes também equipa Alpine, Williams e McLaren. Apesar da parceria, as equipes seguem sendo adversárias na pista, o que faz com que a escuderia alemã tenha naturalmente uma vantagem inicial no entendimento e na exploração do próprio equipamento.
Após a abertura da temporada, em Melbourne, Stella chegou a afirmar que, pela primeira vez, a McLaren sentiu o peso de ser uma equipe cliente diante das novas regras da Fórmula 1. Para reduzir essa diferença, o time estruturou um departamento específico voltado ao estudo do funcionamento da unidade de potência.
Segundo Temple, esse grupo analisa os dados coletados nas corridas em conjunto com a equipe de engenharia, além de utilizar simuladores e ferramentas de desenvolvimento para identificar maneiras de otimizar o desempenho do carro.
O dirigente explicou que essa é uma função inédita dentro da McLaren, criada justamente porque, em regulamentos anteriores, não havia necessidade de dedicar tantos recursos ao entendimento detalhado da unidade de potência.
Temple também destacou que o relacionamento entre McLaren e Mercedes High Performance Powertrains (HPP) continua sendo bastante próximo e colaborativo. Ainda assim, por se tratar de uma equipe cliente, a escuderia britânica não possui autonomia total sobre o desenvolvimento do motor.
Embora participe das discussões técnicas e possa sugerir alterações, a decisão final sobre projeto, configurações e evoluções permanece sob responsabilidade da Mercedes Grand Prix em conjunto com a HPP.
De acordo com o diretor técnico, a fabricante organiza seu trabalho durante os fins de semana de corrida por meio de uma equipe principal e grupos de suporte destinados aos clientes. A McLaren mantém contato constante com ambos, mas reconhece que nem todas as solicitações apresentadas são incorporadas ao programa oficial.
Outro desafio citado por Temple é o tempo disponível para adaptação. Muitas informações técnicas chegam à equipe pouco antes das corridas, reduzindo a margem para ajustes. Por isso, um dos objetivos da nova estrutura é acelerar os processos internos e permitir respostas mais rápidas sempre que houver mudanças ou atualizações fornecidas pela Mercedes.
Para a McLaren, investir em uma equipe especializada no desempenho da unidade de potência representa uma forma de diminuir a desvantagem natural em relação à equipe de fábrica e maximizar o potencial do conjunto Mercedes ao longo da temporada de 2026.
Grave acidente envolvendo brasileiro na Super GT Series
A terceira etapa da temporada 2026 da Super GT Series, disputada neste fim de semana no tradicional circuito de Fuji Speedway, foi marcada por um grave acidente envolvendo três pilotos logo após a relargada da prova. A pista estava úmida no momento do incidente, que provocou a interrupção imediata da corrida.
A batida envolveu Igor Fraga, com o Honda nº 64, Mitsunori Takaboshi, da Nissan nº 23, e Bertrand Baguette, que pilotava o Nissan nº 12.
Pouco depois da saída do Safety Car, na reta principal, um toque entre os carros de Takaboshi e Baguette acabou atingindo o veículo de Fraga. Com o impacto, o Honda perdeu o controle, rodou e foi lançado ao ar, chegando a capotar antes de voltar ao solo, deslizando pela pista até parar.
Diante da gravidade do acidente, a direção de prova acionou imediatamente a bandeira vermelha para interromper a disputa e permitir o atendimento aos envolvidos.
Fraga, que integrou o programa Red Bull Junior durante a temporada 2020 da Fórmula 3, foi encaminhado ao hospital por precaução. Em comunicado divulgado nas redes sociais, a equipe Modulo Nakajima Racing informou que o piloto permaneceu consciente durante todo o atendimento, conseguindo se comunicar normalmente.
A equipe também agradeceu o apoio recebido e pediu desculpas aos torcedores pela preocupação causada pelo acidente. Após a divulgação do estado de saúde de Fraga, Bertrand Baguette utilizou suas redes sociais para comentar o episódio e assumir a responsabilidade pelo ocorrido.
O piloto belga afirmou estar aliviado ao saber que Fraga não sofreu lesões graves e explicou que iniciava uma mudança para o lado direito da pista quando foi surpreendido pela desaceleração do Nissan de Takaboshi, que buscava evitar ultrapassar o Honda antes da linha de chegada.
Segundo Baguette, embora não atribua culpa a nenhum dos outros pilotos, ele reconhece que deveria ter deixado uma margem maior antes de alterar sua trajetória. O competidor também reforçou que jamais teve a intenção de provocar um acidente daquela magnitude.
Em sua mensagem, Baguette pediu desculpas a Igor Fraga, às equipes Nakajima Racing, NISMO e Team Impul, além dos torcedores, afirmando que todos voltarão ainda mais fortes após o incidente.
Depois da paralisação e da retomada da corrida, a vitória ficou com o Honda nº 100, pilotado pela dupla Naoki Yamamoto e Tadasuke Makino.
O Fuji Speedway possui grande importância na história do automobilismo japonês e também da Fórmula 1. O circuito recebeu o Grande Prêmio do Japão em diversas oportunidades, sendo as mais recentes nas temporadas de 2007 e 2008.
Na ocasião, Lewis Hamilton venceu a prova de 2007 com a McLaren, enquanto Fernando Alonso triunfou em 2008 pela Renault. Desde então, a etapa japonesa da Fórmula 1 voltou a ser disputada em Suzuka.