A Williams foi uma das grandes equipes da Fórmula 1 nos anos 90. Tanto é, que três títulos de pilotos foram conquistados pelo time: Nigel Mansell (1992), Damon Hill (1996) e Jacques Villeneuve (1997). Falando sobre esse tema, alguns truques foram descobertos, três décadas depois.
Jacques Villeneuve revelou detalhes curiosos sobre as adaptações feitas pela Williams em seu carro quando chegou à Fórmula 1, após deixar a IndyCar. Segundo o campeão mundial de 1997, algumas das mudanças foram feitas especificamente para atender às suas preferências e incluíam soluções pouco comuns no grid.
Villeneuve chegou à Williams em 1996, logo depois de conquistar o título da IndyCar. Em sua segunda temporada na categoria, o canadense conquistou o Campeonato Mundial de Fórmula 1. Em entrevista ao podcast Beyond the Grid, ele relembrou algumas das particularidades que ajudaram em sua adaptação ao novo ambiente.
Uma delas estava relacionada ao pedal do acelerador. Villeneuve utilizava um curso bastante curto, de aproximadamente 18 a 20 milímetros, dependendo da época do ano. A ideia era ter maior precisão nos movimentos e controlar o carro principalmente por meio da pressão exercida pelo pé, sem precisar movimentar toda a perna.
Outra mudança também foi revelada pelo ex-piloto
Outra mudança incomum envolvia as borboletas de câmbio. Enquanto os demais pilotos utilizavam comandos separados para subir e reduzir as marchas, Villeneuve optou por uma única alavanca.
Ele empurrava o comando para aumentar a marcha e puxava para reduzir. A configuração permitia que mantivesse a mão no volante durante curvas de alta força G e reagisse mais rapidamente em situações de perda de aderência.
O piloto também contou que a Williams implementou outras soluções para melhorar seu conforto e desempenho. Entre elas estavam apoios nos pedais para manter as pernas estáveis, alterações no volante, ajustes na asa dianteira e outras características que Villeneuve havia trazido de sua experiência na IndyCar.
Segundo ele, algumas dessas ideias também tinham o objetivo de reduzir o desgaste físico e aumentar a segurança em caso de acidente.
A influência da IndyCar chegou até mesmo à comunicação durante as corridas. Villeneuve contou que seu engenheiro, Jock Clear, chegou a atuar como uma espécie de observador na primeira curva, acompanhando as imagens de televisão e informando em tempo real sobre o posicionamento dos outros carros e o trânsito na pista.
Para o canadense, essas soluções faziam parte da experiência acumulada nos Estados Unidos e foram incorporadas gradualmente pela Williams.
Villeneuve explicou que nem todas as mudanças foram implementadas imediatamente. A configuração do câmbio de alavanca, por exemplo, foi adotada posteriormente, enquanto outras adaptações foram introduzidas durante o período de preparação para sua estreia.
O piloto destacou a rapidez da Williams em atender às necessidades do novo contratado. Depois de três temporadas na equipe, Villeneuve passou por BAR/Honda, Renault e Sauber/BMW Sauber, encerrando sua carreira na Fórmula 1 no Grande Prêmio da Alemanha de 2006.