O que não falta no futebol brasileiro são rivalidades entre grandes clubes. Mas, existem momentos que isso é deixado de lado, com as equipes tendo o mesmo entendimento sobre um determinado assunto. Prova disso, foram novas regras aprovadas por todos os times das Séries A e B, até mesmo rivais como por exemplo Corinthians, São Paulo e Palmeiras.
Clubes das duas principais divisões do nosso futebol aprovaram, em reunião realizada na última segunda-feira (10), em um hotel no Rio de Janeiro, um conjunto de novas regras para combater a chamada “cera” no futebol brasileiro.
As mudanças entrarão em vigor a partir da 23ª rodada dos dois campeonatos e têm como principal objetivo aumentar o tempo de bola em jogo e reduzir as paralisações durante as partidas.
A maior parte das medidas já foi testada na última Copa do Mundo e busca diminuir práticas consideradas antijogo. Entre as novidades está a chamada “Lei Vini Jr.”, que prevê cartão vermelho para jogadores que cobrirem a boca ao se comunicarem com adversários de maneira provocativa, depreciativa ou inflamatória.
Outra mudança determina que, quando um goleiro precisar receber atendimento médico, um jogador de linha da mesma equipe deverá deixar o campo por um minuto.
A regra relacionada aos goleiros foi criada para evitar que atendimentos médicos sejam utilizados como estratégia para interromper a partida e permitir que treinadores passem instruções aos jogadores.
Nesses casos, o técnico terá 10 segundos para indicar qual atleta deixará o gramado. Se não fizer a indicação, o capitão deverá sair assim que a equipe médica entrar em campo. Caso o goleiro seja o capitão, um jogador de linha será previamente sorteado para cumprir a punição.
🚨 AGORA! CBF anuncia novas regras para o futebol brasileiro:
— Planeta do Futebol 🌎 (@futebol_info) August 10, 2026
1. 8 SEGUNDOS COM A BOLA NAS MÃOS
Goleiro que exceder o limite entrega escanteio ao adversário;
2. 5 SEGUNDOS PARA ARREMESSO LATERAL
Contagem começa assim que o jogador tiver a bola em mãos;
3. 5 SEGUNDOS PARA… pic.twitter.com/gvtJuS08w8
CBF também fez importante levantamento sobre bola rolando
A CBF também apresentou um levantamento sobre o tempo de bola rolando nas principais ligas do mundo. O Brasileirão da Série A registra média de 52min54s, ficando à frente apenas do Campeonato Argentino, enquanto a Série B tem média de 51min09s.
A MLS lidera o levantamento, com 57min12s, seguida pela Bundesliga, com 56min18s, e pela Ligue 1, com 56min17s. A entidade estabeleceu como meta inicial alcançar 57 minutos de bola rolando no futebol brasileiro.
Para atingir esse objetivo, a CBF estima que seja possível recuperar 6min22s atualmente perdidos durante as partidas. Desse total, 203 segundos são relacionados às faltas, 113 segundos ao tempo gasto nas reposições de bola, 50 segundos aos atendimentos médicos e 16 segundos ao uso do VAR.
Além das novas regras, a entidade considera fundamental uma mudança de comportamento por parte de árbitros e jogadores.
Confira as principais mudanças
Cinco segundos para cobrar lateral
Quando o árbitro identificar que uma cobrança de lateral está sendo atrasada de maneira deliberada, ele poderá iniciar uma contagem regressiva visual de cinco segundos, utilizando os dedos da mão.
Se o jogador não realizar a cobrança dentro do período determinado, a posse será revertida para o adversário, que terá direito ao lateral.
Cinco segundos para cobrar tiro de meta
A mesma dinâmica será aplicada aos tiros de meta. Caso o árbitro entenda que a cobrança está sendo propositalmente retardada, iniciará uma contagem visual de cinco segundos. Se o goleiro ou outro jogador não fizer a cobrança dentro do prazo, a equipe adversária ganhará um escanteio.
Dez segundos para sair em uma substituição
O jogador substituído terá 10 segundos para deixar o campo depois que o quarto árbitro levantar a placa indicando a alteração. Nos cinco segundos finais, o árbitro fará a contagem visual com a mão.
A regra não será aplicada quando o jogador estiver lesionado e claramente impossibilitado de deixar o gramado normalmente. Em caso de atraso proposital, o substituto terá que esperar um minuto para entrar, deixando a equipe com um jogador a menos durante esse período.
Um minuto fora após atendimento médico
Jogadores que deixarem o campo para receber atendimento médico precisarão aguardar pelo menos 60 segundos antes de retornar à partida. A medida busca evitar que lesões sejam utilizadas para interromper o jogo de forma estratégica.
Quando o atendimento for destinado ao goleiro, um jogador de linha da mesma equipe deverá permanecer fora durante um minuto.
Lei Vini Jr.
A nova regra prevê cartão vermelho para qualquer jogador, suplente ou atleta substituído que cubra a boca ao se comunicar com um adversário de maneira provocativa, depreciativa ou inflamatória.
VAR poderá corrigir erro envolvendo segundo cartão amarelo
O protocolo do VAR também será ampliado. Além das situações já previstas — gols, pênaltis, cartões vermelhos diretos e erros de identificação —, o árbitro de vídeo poderá intervir quando houver um erro na aplicação de um segundo cartão amarelo que resulte na expulsão de um jogador.
A partir de 2027, a revisão também poderá ser utilizada quando um escanteio marcado de maneira equivocada resultar diretamente em gol ou pênalti.
Como se tratam de situações objetivas, o VAR poderá comunicar o erro diretamente ao árbitro, sem a necessidade de o juiz se dirigir ao monitor à beira do campo para fazer uma nova interpretação do lance.