A Seleção Brasileira ficou mais uma vez sem o tão sonhado Hexa na última Copa do Mundo e agora vive a expectativa do início de um novo ciclo, visando 2030. Mas, ainda falando sobre o último Mundial, um nome muito famoso que esteve ligado ao Brasil, passa por situação delicada e os números provam isso.
A Nike vive um dos momentos mais desafiadores de sua história recente. Ao longo deste ano, as ações da companhia acumulam uma queda de 38%, movimento que pode levar a empresa ao seu pior desempenho anual desde 1993, período marcado também pela primeira aposentadoria de Michael Jordan do basquete profissional.
A marca Jordan, que esteve estampado no 2º uniforme da Seleção durante a Copa, construída a partir da histórica parceria entre a Nike e o ex-jogador, transformou-se em um dos ativos mais importantes da companhia nas últimas décadas.
Atualmente, porém, o desempenho dos produtos ligados ao astro é apontado como um dos fatores que têm pressionado os resultados da gigante esportiva.
A empresa também vem encontrando dificuldades para manter sua competitividade no mercado de calçados e artigos esportivos. O avanço de concorrentes como On e Hoka aumentou a disputa por consumidores e contribuiu para a perda de espaço da Nike em algumas categorias importantes.
Outro duro obstáculo para marca surgiu no continente asiático
Outro desafio está no mercado chinês, considerado estratégico para os negócios da companhia. A Nike busca reorganizar sua operação no país após anos de decisões que não trouxeram os resultados esperados. Entre as medidas adotadas está a redução de milhares de distribuidores online, em uma tentativa de tornar a operação mais controlada e eficiente.
A atual estratégia de recuperação começou no final de 2024, com o lançamento do plano “Win Now”. A iniciativa tem como objetivo interromper a queda nas vendas e recuperar participação no mercado. A execução do projeto está sob o comando de Elliott Hill, executivo com longa trajetória na empresa, que assumiu o cargo de CEO em outubro de 2024.
O retorno de Hill inicialmente gerou otimismo entre investidores, com as ações avançando cerca de 7% após o anúncio de sua chegada. Desde então, no entanto, aproximadamente metade dessa valorização foi perdida.
A desvalorização acumulada já eliminou mais de US$ 60 bilhões do valor de mercado da Nike, levando os papéis para patamares próximos aos registrados em 2014.
Caso a queda se confirme até o encerramento do ano, a Nike poderá registrar o quinto ano consecutivo de desvalorização, uma sequência inédita para a companhia. Analistas avaliam que a recuperação ainda deve levar tempo, já que a reconstrução das relações com varejistas e a reorganização da cadeia de fornecimento não devem gerar resultados imediatos.
O cenário é agravado pelas dificuldades enfrentadas pelo setor de roupas e artigos esportivos na América do Norte, onde o mercado se tornou cada vez mais dependente de promoções e descontos. Empresas como Dick’s Sporting Goods, Foot Locker e Under Armour também relataram desafios em meio ao comportamento mais cauteloso dos consumidores.
A próxima grande oportunidade para a Nike apresentar os resultados de sua nova estratégia será durante o dia do investidor, previsto para novembro. O evento deve ser acompanhado de perto pelo mercado e será um momento importante para que analistas e acionistas avaliem se o plano de recuperação começa, de fato, a produzir os resultados esperados.