O Brasil voltou a ter um piloto titular no grid da Fórmula 1 em 2025, após sete anos de espera. A chegada de Gabriel Bortoleto à Sauber, equipe que posteriormente passou a representar oficialmente a Audi, recolocou a bandeira brasileira na principal categoria do automobilismo mundial.
Por trás dessa trajetória, porém, existe uma história pouco conhecida que passa por Tilburg, uma pequena cidade localizada no interior da Holanda. É justamente no local, a cerca de 100 quilômetros de Amsterdã, que funciona o Verstappen.com Racing Pro Simulation, um dos mais avançados centros de simulação para carros de fórmula.
O projeto tem ligação direta com Max Verstappen e nasceu a partir do Team Redline, equipe especializada em competições virtuais. Depois de conquistar espaço no automobilismo virtual, o grupo passou a desenvolver uma estrutura de alto nível e acabou sendo incorporado à marca do tetracampeão mundial.
O próprio Verstappen utilizou intensamente os simuladores durante sua formação. O holandês deixou o kart e avançou rapidamente para categorias superiores, chegando à Fórmula 1 aos 16 anos.
Durante esse processo, as corridas virtuais se tornaram uma ferramenta importante para manter seu nível de preparação. A parceria com Atze Kerkhof, especialista em simuladores e integrante do projeto, ajudou a transformar a tecnologia em uma plataforma voltada também ao desenvolvimento de novos talentos.
Em 2026, Verstappen explicou a importância desse trabalho e destacou que o ambiente virtual ajudou a mantê-lo preparado mesmo longe das pistas. Segundo o piloto, a simulação permite antecipar situações que serão encontradas no automobilismo real e facilita a adaptação quando um competidor entra pela primeira vez em um carro de competição.
Tecnologia aproxima jovens pilotos da Fórmula 1
A experiência acumulada por Kerkhof permitiu a criação de um simulador com elevado nível de precisão. O local passou a receber pilotos de diferentes partes do mundo, especialmente jovens que competem nas categorias de formação da Fórmula 1.
O brasileiro Roberto Streit, ex-piloto e atualmente coach de talentos como Gabriel Bortoleto e Rafael Câmara, destaca a capacidade do equipamento de reproduzir o comportamento de carros de F4, Fórmula Regional, F3 e F2.
No simulador, os pilotos podem experimentar diferentes condições em uma única sessão, incluindo alterações no nível de aderência, direção do vento, comportamento dos pneus e situações de corrida. Segundo Streit, reproduzir todas essas condições no mundo real exigiria um investimento muito maior de tempo e dinheiro.
Importância na carreira de Gabriel Bortoleto
Foi nesse ambiente que Bortoleto realizou diversas sessões durante sua formação. O trabalho contribuiu para sua rápida adaptação aos carros de F3 e F2, categorias nas quais o brasileiro conquistou os títulos em seu primeiro ano.
Com isso, passou a integrar um grupo seleto de pilotos que foram campeões das duas categorias, ao lado de nomes como Charles Leclerc, Oscar Piastri e George Russell.
Simulador tem tecnologia próxima da realidade
A estrutura instalada em Tilburg impressiona pelo nível de imersão. O equipamento oferece um campo de visão de aproximadamente 180 graus, permitindo ao piloto enxergar o circuito de maneira semelhante ao que encontraria em um carro real.
Os modelos físicos utilizados na simulação são desenvolvidos com base em dados de fábrica e em mais de uma década de experiência acumulada no desenvolvimento de sistemas virtuais. Depois de cada sessão, os pilotos também têm acesso à telemetria completa, assim como ocorre em um treinamento convencional de automobilismo.
Engenheiros acompanham os dados e podem fornecer orientações e correções praticamente em tempo real. Além de trabalhar a pilotagem, o sistema também permite desenvolver a comunicação entre piloto e engenheiro, uma relação fundamental para o desempenho em uma categoria como a Fórmula 1.
A tecnologia também é utilizada para preparar pilotos diante de circuitos novos. Durante a preparação para a chegada da Fórmula 3 a Madri, por exemplo, competidores puderam conhecer virtualmente o traçado antes mesmo de terem contato com a pista real.
Bortoleto encara Verstappen nas corridas virtuais
A relação entre Gabriel Bortoleto e Max Verstappen vai além dos treinamentos. Os dois também costumam disputar corridas no simulador e levam a competição bastante a sério.
Bortoleto já contou que enfrentar os melhores pilotos virtuais é uma maneira de elevar seu próprio nível. Segundo o brasileiro, competir contra integrantes do Team Redline o obriga a buscar novas técnicas e encontrar maneiras de diminuir a diferença de tempo para os adversários.
A rivalidade também existe quando os dois pilotos estão juntos no simulador. Bortoleto revelou que, em algumas ocasiões, começa sendo mais rápido, mas Verstappen altera o acerto do carro para tornar a disputa mais difícil. O brasileiro então precisa passar horas tentando recuperar a vantagem.
Verstappen confirma que encara essas disputas como uma forma divertida de competição e preparação. Para o holandês, as batalhas virtuais permitem que os dois pilotos façam voltas rápidas simultaneamente e tentem superar um ao outro em um ambiente controlado.