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				<title><![CDATA[Pesca de tainha na modalidade arrasto de praia está suspensa]]></title>
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				<description><![CDATA[O Ministério da Pesca e Aquicultura informou que a pesca de tainha (Mugil liza), na modalidade arrasto de praia, deve ser suspensa a partir deste domingo (7).

De acordo com o ministério, a medida é necessária após o país atingir o limite coletivo de 90% da cota autorizada para a temporada de pesca de 2026.

A cota de 8.168 toneladas foi definida em uma portaria conjunta entre os ministérios da Pesca e do Meio Ambiente.

“A medida possui caráter preventivo e tem por objetivo evitar o excedente da cota de captura estabelecida para a modalidade”, informou a pasta.

Conforme as orientações do ministério, os barcos que estão no mar devem realizar o desembarque do pescado no prazo de 24 horas após a captura.

Após o período, os pescadores poderão retomar a pesca das demais espécies.

O procedimento adotado pelo ministério foi consolidado a partir de informações que constam no Painel de Monitoramento da Temporada de Pesca da Tainha.

Por terminação de lei, empresas pesqueiras devem reportar ao governo a quantidade de pescado que foi retirada do mar.

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				<category>Cidades</category>
				<pubDate>Sun, 07 Jun 2026 20:00:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Fim de semana tem de peça teatral a show de k-pop, brechó, literatura e muito mais]]></title>
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				<description><![CDATA[O clássico da dramaturgia brasileira ganha nova leitura neste fim de semana em Campo Grande. Abrindo a agenda cultural, o espetáculo “O Bem-Amado”, do grupo Fulano di Tal, leva ao palco do Teatro Aracy Balabanian uma adaptação irreverente, popular e carregada de sátira política da obra de Dias Gomes.

A montagem mistura humor, carnavalização, exagero cômico e críticas que dialogam diretamente com o cenário político contemporâneo.

Mas a programação cultural da Capital vai muito além do teatro. Entre sexta-feira e domingo, Campo Grande recebe shows de rock e folk intimista, espetáculo inspirado no universo do k-pop, feira gigante de brechós, atrações gratuitas em shoppings, troca de figurinhas, pista de patinação no gelo, adoção de pets e estreias aguardadas no cinema.

TEATRO

Sem patrocínio, editais ou apoio institucional, o grupo Fulano di Tal coloca em circulação uma montagem que aposta diretamente na relação entre artistas e público.

Espetáculo acompanha as tentativas de Odorico Paraguaçu, prefeito da fictícia Sucupira do Sul, de inaugurar um cemitério municipal, sua principal promessa de campanha - Foto: Laryssa Miranda

A sessão única de “O Bem-Amado” acontece no domingo, às 19h, no Teatro Aracy Balabanian.

Livre adaptação da obra de Dias Gomes, o espetáculo acompanha as tentativas de Odorico Paraguaçu, prefeito da fictícia Sucupira do Sul, de cumprir sua principal promessa de campanha: inaugurar um cemitério municipal.

Para isso, ele conta com o apoio das irmãs Cajazeiras – Dorotéa, Dulcinéa e Judicéa –, do secretário Dirceu Borboleta e do fazedor de defuntos Zeca Diabo, enquanto enfrenta a oposição de Neca Pedreira, dono do jornal local.

A proposta do grupo aposta em uma estética popular, marcada pelo deboche, pelo exagero cômico e pela crítica política. Em cena, Douglas Moreira, Edner Gustavo, Luana Vilela e Nicoli Dichoff se dividem entre oito personagens.

A direção e produção são assinadas por Marcelo Leite, com iluminação de Breno Lucas e trilha sonora executada ao vivo pelo multiartista Ewerton Goulart.

Segundo Edner Gustavo, produtor, dramaturgo, diretor e ator do grupo, a montagem também representa uma forma de resistência do teatro independente em Mato Grosso do Sul.

“Estamos apostando na bilheteria como forma de sustentabilidade e valorização do trabalho dos artistas. Sabemos das dificuldades para manter espetáculos em circulação sem apoio ou patrocínio, mas acreditamos que esse movimento também fortalece a formação de público e a relação direta entre teatro e comunidade”, destaca.

Para Marcelo Leite, a atualidade do texto continua sendo um dos grandes motores da obra. “O ‘Bem-Amado’ continua atual justamente por rir de mecanismos de poder que ainda fazem parte da realidade brasileira”, afirma.

Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), com vendas pelo Sympla.

LITERATURA INFANTIL

O empresário e comunicador Clóvis Matto Grosso, sempre teve o hábito de escrever pensamentos e pequenas histórias, mas viu esses escritos se transformarem quando decidiu reuni-los em seu primeiro livro “O Menino do Canto da Parede”, que será lançado neste sábado, na cafeteria Doce Lembrança, a partir das 16h. O evento é aberto ao público e tem entrada gratuita.

A história transporta o leitor para o final dos anos 1970 e início dos anos 1980, em uma época em que emoções eram silenciadas, diferenças humanas eram vistas como defeitos e questões como o TDAH ainda eram desconhecidas pela sociedade.

O personagem principal é Rafael, um menino inquieto, criativo e sensível, que cresce tentando se encaixar em padrões que não compreendiam sua essência.

Ao longo da narrativa, surgem reflexões profundas sobre identidade, relações familiares, dores emocionais, espiritualidade, aceitação e transformação. 

K-POP

Os fãs da cultura pop coreana também terão programação especial neste fim de semana. O espetáculo “As Estrelas Guerreiras do K-Pop – O Show” chega ao Teatro Allan Kardec no domingo, com sessões às 15h e às 17h30min.

Inspirada no universo do filme “Guerreiras do K-Pop”, a produção promete reunir música, dança, figurinos chamativos e coreografias marcantes em uma experiência voltada para fãs do gênero e também para quem gosta de grandes produções visuais.

A proposta é transformar o palco em uma explosão de energia e emoção, trazendo a estética vibrante do pop coreano com a força de três jovens artistas que conduzem o espetáculo.

Com músicas envolventes, apresentações coreografadas e atmosfera colorida, a montagem busca oferecer uma experiência familiar e imersiva para o público sul-mato-grossense.

Os ingressos estão disponíveis pelo Sympla.

FOLK

A cena autoral sul-mato-grossense também marca presença na agenda cultural do fim de semana. Idealizado pelo cantor e compositor Jonavo, o projeto Casa Folk realiza sua segunda edição no sábado, no Estúdio Fábrika.

A proposta do evento é criar encontros intimistas em espaços privados e pouco acessíveis ao público, aproximando música, histórias e experiências em um ambiente acolhedor.

Desta vez, o espaço escolhido foi o Estúdio Fábrika, tradicionalmente dedicado à produção musical e que será transformado em palco para um pocket show de Jonavo. O artista promete reunir canções autorais, histórias de estrada e toda a atmosfera folk que marca sua trajetória.

A experiência inclui ainda recepção com caldos e vinhos para aquecer a noite de temperaturas mais baixas na Capital. O ingresso dá direito ao show e aos caldos servidos no local, enquanto o público pode levar a bebida que desejar consumir.

O evento acontece das 19h às 23h, com ingressos vendidos pelo Sympla.

ROCK

Já para quem prefere guitarras e clássicos do rock, o sábado também reserva programação especial no Road House Old Sheep.

O projeto Road House Sessions recebe, pela primeira vez, a banda Naip no palco do Road House Old Sheep - Foto: Divulgação

A banda Naip estreia na casa durante mais uma edição do projeto Road House Sessions, ao lado da banda Prépotentes e da DJ Nathalia Albuquerque.

Com 27 anos de estrada e mais de 400 apresentações realizadas, a Naip é considerada uma das bandas mais tradicionais do rock sul-mato-grossense. O grupo já dividiu palco com nomes como Jota Quest, Nando Reis, O Rappa e Ira!.

O vocalista Carlão destaca a importância do novo espaço para a cena musical local. “É uma alegria enorme fazer nossa estreia no Road House Old Sheep, um espaço que nasce com uma proposta muito verdadeira, valorizando a música ao vivo e prestigiando o rock de Mato Grosso do Sul”, afirma.

A programação começa às 16h e os ingressos também estão disponíveis pelo Sympla.

BRECHÓ

Neste sábado também acontece a 24ª edição do Desapega CG, no Parque Ayrton Senna.

Considerada uma das maiores feiras de brechós de Campo Grande, o evento reúne mais de 80 expositores e cerca de 30 mil itens disponíveis para venda, entre roupas, calçados, acessórios, brinquedos, itens de decoração, livros, plantas e roupas infantis.

O evento acontece das 8h às 16h, com entrada gratuita.
Idealizado por Val Reis, coordenadora do Coletivo de Brechós, o Desapega CG nasceu já em grande escala e se consolidou como espaço de geração de renda e fortalecimento da moda circular em Campo Grande.

“O Desapega CG já começou grande. Desde o início a gente entendeu que Campo Grande estava pronta para uma feira de brechós em grande escala”, afirma Val.

Além dos preços acessíveis, o público encontra peças de grife, itens vintage e promoções populares, como peças a partir de R$ 2 e araras promocionais.

A organização também percebe crescimento constante do público jovem no evento, impulsionado pelo interesse em moda sustentável e consumo consciente.

PARA TODA A FAMÍLIA

O Shopping Bosque dos Ipês inaugura nesta semana a Arena Bosque dos Ipês, espaço gratuito e interativo com atividades ligadas ao futebol.

O público poderá participar de chute ao gol, pebolim, subsoccer e outras atrações voltadas para toda a família. O local também recebe a Grande Troca de Figurinhas, com mais de mil cromos disponíveis para colecionadores.

Outra novidade é a estreia da Pista de Patinação Iceland, montada na praça central do shopping e disponível até 31 de agosto. A atração conta com carrinhos especiais para crianças de 2 anos a 4 anos e pista liberada para maiores de 5 anos.

No sábado, das 16h às 20h, o shopping também realiza uma ação de adoção de pets em parceria com o Projeto Vida Animais e a Superintendência de Bem-Estar Animal.

Outra opção para o fim de semana está no Shopping Campo Grande, que recebe a exposição “Nossos Gigantes”, realizada em parceria com o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (Icas).

A mostra acontece entre os dias 22 e 26 deste mês e apresenta informações sobre espécies ameaçadas de extinção, como o tatu-canastra e o tamanduá-bandeira, por meio de painéis educativos, experiências interativas e atividades voltadas para crianças e adultos.

O shopping também recebe o Arena Park, espaço com brinquedos infláveis, escaladas, obstáculos, piscinas de bolinhas e atrações para crianças de até 13 anos.

Além disso, o local promove ações de troca de figurinhas da Copa do Mundo.
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				<category>Correio B</category>
				<pubDate>Fri, 22 May 2026 09:00:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[Motorista que teve caminhão com soja furtado deve indenizar empresa em R$ 87 mil]]></title>
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				<description><![CDATA[Um motorista foi condenado a pagar R$ 87,6 mil de indenização por danos materiais após o furto de uma carga de soja que foi deixada sem vigilância em um posto de combustível. A decisão é do juiz Flávio Renato Almeida Reyes, da 2ª Vara Cível de Campo Grande.

Conforme os autos do processo, uma empresa de transporte foi contratada para realizar o transporte de soja em grãos no trecho entre Maracaju (MS) e Paranaguá (PR), em março de 2022. Para a execução do serviço, a transportadora subcontratou o motorista.

Ao chegar ao destino, ao invés de entregar a carga, o motorista deixou o caminhão estacionado em um posto de combustível e viajou para sua cidade de residência, retornando apenas dois dias depois.

Quando voltou, constatou que o veículo e toda a carga haviam sido furtados.

A empresa contratante entrou com ação pedindo o ressarcimento do valor pago sob alegação de que, em razão da perda da soja, teve de arcar com o prejuízo integral da carga, já que a seguradora recusou a cobertura por entender que houve agravamento do risco, diante da conduta do motorista em deixar o veículo carregado sem vigilância.

Sentença

Ao analisar o caso, o juiz destacou que o contrato de transporte impõe ao transportador a responsabilidade objetiva pela integridade da carga, desde o recebimento até a entrega ao destino.

Na sentença, o magistrado ressalta que o motorista agiu com negligência grave ao abandonar o caminhão carregado em local público e sem qualquer tipo de proteção.


“O transportador assumiu a obrigação de resultado, devendo adotar todas as cautelas necessárias para garantir a segurança da carga. No caso, a conduta de deixar o veículo desacompanhado por longo período foi determinante para o furto”, pontuou o juiz.


Ainda conforme a decisão, não houve configuração de caso fortuito ou força maior que pudesse afastar a responsabilidade, uma vez que o furto ocorreu em razão direta da falta de cuidados do motorista.

O proprietário do caminhão era uma terceira pessoa e não foi responsabilizado, pois o juiz entendeu que ela não participou do contrato de transporte nem contribuiu para o dano.

Dessa forma, a ação foi julgada parcialmente procedente, com a condenação exclusiva do motorista subcontratado ao pagamento da indenização.

O valor foi fixado em R$ 87.694,00. Sobre o valor incidirão correção monetária e juros, conforme os parâmetros legais, além de custas processuais e honorários advocatícios.

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				<category>Cidades</category>
				<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 14:00:00 -0400</pubDate>
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				<title><![CDATA[História do hip-hop de Mato Grosso do Sul passa pelo arquivo do Correio do Estado]]></title>
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				<description><![CDATA[Organizada, documentada e aberta ao público. A exposição “Digitalizando a História: 40 anos da Cultura Hip-Hop em Campo Grande” transforma quatro décadas de resistência cultural em memória viva, reunindo recortes de jornais (em sua maioria do Correio do Estado), discos, fotografias e objetos que ajudam a contar como um movimento nascido nas ruas conquistou espaço, respeito e políticas públicas ao longo do tempo.

Instalada no Museu da Imagem e do Som (MIS) em Campo Grande, a mostra está aberta no terceiro andar do prédio, com visitação de segunda-feira a sexta-feira, das 7h30min às 17h30min. A entrada é gratuita.

À frente da curadoria está Mano Cley, rapper e um dos pioneiros do hip-hop em Mato Grosso do Sul. Com trajetória iniciada ainda nos anos 1980, ele assumiu a missão de selecionar os momentos mais marcantes dessa história – tarefa que, segundo ele, foi facilitada por ter vivido cada fase do movimento.

“Como sou um dos pioneiros aqui na Capital, ficou mais fácil para mim. Eu mesmo fiz a curadoria, selecionando os eventos mais importantes durante esses 40 anos do hip-hop campo-grandense”, explica.

MEMÓRIA IMPRESSA

Um dos aspectos mais simbólicos da exposição é a origem do acervo: grande parte do material foi construída a partir de reportagens publicadas em jornais locais ao longo das últimas quatro décadas. Entre eles, o destaque absoluto vai para o Correio do Estado, que, segundo Mano Cley, se tornou uma espécie de “bússola histórica” do movimento.

Ao todo, são 49 matérias do jornal presentes na exposição, abordando diferentes dimensões do hip-hop – da música à educação, passando por questões sociais, movimento negro, combate à violência e organização comunitária.

“A construção do acervo foi feita toda através dos jornais. Além de servir como prova da nossa existência, ficou registrado ao longo de 40 anos a nossa história. O Correio do Estado teve um papel fundamental nisso”, destaca o artista.

Outros veículos também contribuíram para a preservação dessa memória, como Diário da Serra, O Estado, Folha do Povo, A Crítica e O Progresso. 

Uma das curiosidades resgatadas pela mostra é o lançamento do disco da Falange da Rima no dia 11 de setembro de 2001 – a mesma data dos atentados às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos. O episódio está registrado nas páginas do jornal, assim como diversos outros momentos emblemáticos.

INÍCIO ÁRDUO

Quatro décadas de jornais impressos sobreviveram ao tempo dentro um baú guardado por Mano Cley - Foto: Mariana Piell

Se hoje o hip-hop ocupa palcos, editais e espaços institucionais, o começo foi marcado por escassez e improviso. Mano Cley relembra que, nos anos 1980, não havia estrutura, equipamentos ou reconhecimento.

“A cultura hip-hop teve início a ferro e fogo. Não tínhamos nada: nem equipamento, nem informação, nem respeito. A única coisa que a gente tinha era a rua”, afirma.

Sem espaços adequados, os primeiros encontros aconteciam onde era possível. Em 1989, a Praça Ary Coelho chegou a ser um ponto de encontro, mas o grupo foi retirado sob a justificativa de que não era um local apropriado para dançar, mesmo durante o dia.

A alternativa foi ocupar outros espaços urbanos – como a Avenida Afonso Pena, em frente ao Obelisco, que se tornou o primeiro grande “point” do hip-hop em Campo Grande.

Ali, grupos como Perfect Break, Street Break e Break Violento se reuniam para dançar, trocar experiências e construir identidade.

“Levávamos papelão para dançar no chão, rádio movido a pilha ou bateria de carro. Era tudo muito difícil, mas a gente fazia acontecer”, lembra.

A comunicação também era um desafio: sem celulares ou internet, os encontros eram combinados por meio de telefones públicos, com fichas e horários marcados com precisão.

CONQUISTA DE ESPAÇO

Com o tempo, o movimento se expandiu. Os encontros migraram para o Terminal Bandeirantes, onde novas gerações começaram a surgir e formar grupos. Ainda assim, o reconhecimento institucional demorou a chegar.

Segundo Mano Cley, uma das maiores transformações dos últimos 40 anos está nas políticas públicas voltadas à cultura.

“Hoje temos editais do governo federal, estadual e municipal. Isso ajuda muita gente a mostrar seu trabalho e faz com que a cultura chegue gratuitamente ao público. Esse é um dos grandes legados que conseguimos deixar”, avalia.

Ele ressalta que artistas do movimento participaram ativamente da inclusão do hip-hop em políticas de fomento cultural – algo impensável nas décadas iniciais.

Entre os inúmeros shows realizados ao longo da carreira, Mano Cley destaca um momento específico como divisor de águas: a apresentação no Festival de Inverno de Bonito, em 2023.

“Foi a primeira vez que o rap regional subiu ao palco principal. Fizemos um show com homenagem à música do Mato Grosso do Sul, e o público abraçou a ideia do início ao fim”, conta.

Transmitida ao vivo pela TVE e posteriormente exibida em programas culturais, a apresentação abriu novas portas para o grupo, incluindo premiações e convites para apresentações fora do Estado.

RESPONSABILIDADE SOCIAL

Mais do que música e dança, o hip-hop sempre teve um forte componente social. Mano Cley relembra ações realizadas desde os anos 1990, como palestras em escolas sobre violência e campanhas solidárias.

“A gente sempre fez trabalho social. Quando gravamos um clipe na antiga Cidade de Deus, por exemplo, fizemos arrecadação de alimentos e agasalhos para as famílias. Sempre tivemos esse compromisso”, afirma.

Segundo ele, essas iniciativas ajudaram a fortalecer o papel do hip-hop como ferramenta de transformação social.

PARTICIPAÇÃO FEMININA

A exposição também dá visibilidade à participação feminina no movimento, muitas vezes invisibilizada ao longo dos anos. Apesar de serem minoria, as mulheres sempre estiveram presentes – e respeitadas, segundo Mano Cley.

Entre os destaques estão as b-girls Edivania, Tata, Carolzinha e Agulhinha, além da rapper Nega Bill e do grupo TNT, que posteriormente se tornou “Aliadas Periféricas”.

O grupo feminino ganhou projeção nacional, realizando shows em estados como Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, consolidando seu espaço dentro da cultura hip-hop.

MEMÓRIA VIVA

A mostra também presta homenagem a nomes importantes do movimento que já faleceram, como Osney Damasceno, Marcelinho, MHO, Flynt – parceiro de Mano Cley por mais de 30 anos –, Bolinho e Ratinho.
“São pessoas que fazem muita falta pra gente. Essa homenagem é uma forma de manter viva a memória deles”, afirma.

ACERVO COLABORATIVO

Composto por camisetas, discos, recortes de jornais, equipamentos e outros itens, o acervo impressiona pela quantidade – ainda não totalmente contabilizada.

“Eu acredito que tenha mais de 100 discos, mas ainda não contei tudo. É muita coisa mesmo”, diz o curador.
Entre os objetos, há peças simbólicas, como uma camiseta que pertenceu ao cantor Chorão, utilizada em um show em Mato Grosso do Sul em 2012, pouco antes de sua morte.

Mais do que uma exposição estática, o projeto tem caráter colaborativo. O público é convidado a contribuir com itens que ajudem a contar a história do hip-hop no Estado, ampliando continuamente o acervo.

Após o fim da exposição, todo o material levantado, seja diretamente por Cley ou pela contribuição do público, será catalogado para preservar e manter viva a história do hip-hop em Mato Grosso do Sul.

Assine o Correio do Estado
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				<category>Correio B</category>
				<pubDate>Wed, 01 Apr 2026 10:45:00 -0400</pubDate>
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