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TEST DRIVE

Toyota Corolla Altis Hybrid é raridade nas ruas, mas é o carro desejado pelo consumidor do modelo

É o primeiro veículo híbrido com propulsor bicombustível produzido comercialmente no mundo
05/01/2021 15:32 - Luiz Humberto Monteiro Pereira/AutoMotrix


Desde 2015, o Toyota Corolla lidera no segmento de sedãs médios no Brasil. De janeiro a novembro de 2020, emplacou 36.036 unidades, o que supera a soma das vendas dos seis principais concorrentes – Honda Civic, Chevrolet Cruze, Volkswagen Jetta, Audi A3, Kia Cerato e Caoa Chery Arrizo 6. 

No lançamento da décima segunda geração do sedã no mercado brasileiro, em setembro de 2019, a marca japonesa apresentou uma motorização híbrida, disponível apenas na versão topo de linha Altis, que combina dois motores elétricos e um 1.8 flex – é o primeiro veículo híbrido com propulsor bicombustível produzido comercialmente no mundo. 

Não é a configuração do Corolla que mais vende – posto ocupado pela intermediária XEi, com motor 2.0L Dynamic Force Dual VVT-iE 16V DOHC Flex. 

Mas a versão Altis Hybrid cumpre a função chamada pelos departamentos de marketing de “aspiracional” – é o carro desejado pelo consumidor do Corolla, mesmo que, na maioria das vezes, leve para casa as opções mais baratas e com motorização convencional. 

O motor bicombustível do Corolla Altis Hybrid é um 1,8 litro VVT-i 16V de ciclo Atkinson, derivado do propulsor a gasolina do Prius. 

Gera 101 cavalos de potência com etanol e 98 cavalos com gasolina, sempre em 5.200 rpm, e 14,5 kgfm de torque a 3.600 rpm, com etanol ou gasolina. Funciona em conjunto com dois motores elétricos que produzem 72 cavalos e 16,6 kgfm de torque. A potência combinada é de 123 cavalos. 

A recarga da bateria é feita pelos motores elétricos, que funcionam como freios regenerativos. 

Quando abastecido com o combustível vegetal, o Corolla Altis Hybrid é o automóvel híbrido menos poluente do planeta. A transmissão é uma CVT Hybrid Transaxle, também “emprestada” do Prius. O tanque de combustível comporta 43 litros na versão – 7 litros a menos que o da versão a combustão. 

O Corolla é produzido sobre a plataforma modular TNGA e tem 4,63 metros de comprimento, 1,78 metro de largura e 1,45 metro de altura, enquanto a distância de entre-eixos é de 2,70 metros. Embora longe de radicalismos estilísticos que desagradam os típicos consumidores do Corolla, as mudanças no visual modernizaram o aspecto da atual geração. 

Os conjuntos ópticos de aspecto tridimensional incorporam luzes de rodagem diurna e faróis de neblina em leds. 

Os retrovisores são na cor do carro e vêm com pisca integrado e as rodas de liga leve são de 17 polegadas. 

Na versão Altis Hybrid, emblemas cromados “Hybrid” aparecem nos para-lamas dianteiros e na tampa do porta-malas. E o logo frontal da Toyota tem um fundo azul, como é característica dos modelos “ecológicos” da marca japonesa.

Toda a linha Corolla traz de série airbags frontais, laterais, de cortina e de joelho para o motorista, câmera de ré com linhas de distância com projeção na central multimídia, faróis com acendimento automático e ajuste de altura, controle eletrônico de estabilidade, controle eletrônico de tração e sistema de assistência ao arranque em subida. 

O pacote Toyota Safety Sense (TSS), opcional na versão Altis Hybrid, agrega um radar de ondas milimétricas combinado com uma câmera monocular que permitem detectar perigos e alertar o motorista – ou até parar o veículo sozinho, se for necessário. 

O TSS inclui Sistema de Pré-Colisão Frontal (PCS), sistema de alerta de mudança de faixa com condução assistida, faróis altos automáticos e Controle de Cruzeiro Adaptativo (ACC). 

Também inédito no Corolla nacional é o teto solar, opcional no pacote Premium para a versão híbrida.

O preço elevado – parte de R$ 146.390 – certamente é o fator que impede a versão Altis Hybrid de ser a “best seller” dentro da linha Corolla. Custa R$ 32 mil a mais que a configuração mais básica do sedã, a GLi com motor 2.0 flex. 

E o Corolla Altis Hybrid ainda pode ficar R$ 8 mil mais caro e atingir os R$ 154.390 se incorporar o pacote Premium, presente no modelo avaliado e que agrega o Toyota Safety Sense, o teto solar elétrico e as rodas diamantadas com acabamento preto brilhante. Contudo, o preço inicial vale apenas para a cor sólida Branco Polar. 

As metálicas Cinza Celestial (a do veículo testado), Prata Supernova, Vermelho Granada e Preto Eclipse somam R$ 1.950 à conta e a perolizada Branco Pérola acrescenta R$ 2.250 à fatura.

 
 

Experiência a bordo

Razão ou emoção

Com a nova geração, o interior do Corolla evoluiu expressivamente. 

A versão Altis híbrida com pacote Premium avaliada conta com partes revestidas em tecido que simulam couro. 

O volante de três raios com controles de áudio e computador de bordo tem acabamento em couro – a versão híbrida não conta com os “paddles shifts” no volante. 

O Altis híbrido tem uma tela TFT de 7 polegadas digital e colorida, no centro do painel, que mostra o velocímetro e informações do computador de bordo. 

O semicírculo da esquerda reúne indicadores do sistema híbrido e o do lado direito mostra informações de combustível e temperatura do motor.

Mas nem tudo esbanja tecnologia a bordo. Por questões de redução de custos, a Toyota fez algumas escolhas questionáveis para o Corolla “made in Brazil”. 

Na Europa, o sedã traz o freio de estacionamento eletrônico (por botão) e central multimídia é do tipo flutuante. Por aqui, o freio de mão é tradicional, por alavanca, e o multimídia Toyota Play, com tela de 8 polegadas, recebeu uma carenagem de plástico que compromete a leveza do conjunto. Mas o sistema oferece a interface para Android Auto e Apple CarPlay e é de fácil utilização.

Impressões ao dirigir

Uma nave suave

Apesar de ser bem menos potente que a versão equipada com motor flex 2,0 litros Dynamic Force (177 cavalos), a motorização híbrida do Corolla, com potência combinada de 123 cavalos, não faz feio. 

A versão Altis Hybrid arranca em modo elétrico e pode percorrer mais de dois quilômetros sem acionar o motor flex, desde que a bateria tenha carga suficiente e o motorista não pise demais no acelerador. Quando pisa, o motor a combustão responde sem vacilações. 

O botão EV possibilita rodar exclusivamente com os motores elétricos, porém, apenas em baixas velocidades. 

A transmissão Hybrid Transaxle entrega uma aceleração linear, para não desperdiçar energia. 

A alavanca do câmbio tem as posições “P”, “R”, “N”, “D” e “B”, sendo a última de regeneração máxima, para carregar mais a bateria nas desacelerações e frenagens.

À frente do câmbio está o seletor de modo de condução (“Eco”, “Normal” e “Sport”). Em um carro com o Toyota Corolla Altis Hybrid, a “performance ecológica” é bem mais importante que a performance dinâmica. Tudo sugere que a posição “Eco” é a mais adequada, tanto que os equipamentos de bordo valorizam visualmente a economia de combustível. 

Quando o carro é desligado, um relatório detalhado aparece no painel e mostra se o motorista está conduzindo de forma econômica. 

No início do teste, com o tanque cheio e utilização predominantemente urbana, a autonomia apontada pelo painel chegou a ultrapassar os mil quilômetros – o sistema de freios regenerativos, que acumula a energia cinética gerada pelas frenagens e a transforma em energia elétrica, amplia a autonomia. 

Com o uso rodoviário, o consumo se aproxima dos carros convencionais, o que faz que o consumo seja maior na estrada do que na cidade. Segundo o Inmetro, o Toyota Corolla Altis Hybrid é capaz de rodar 16,3 km/l na cidade e 14,5 km/l na estrada quando abastecido com gasolina. Com etanol, atinge 10,9 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada. 

Classificação “A” na categoria e na comparação absoluta.

Quando o motorista adota o modo “Sport”, o sedã mostra uma performance mais ágil, mas sem arroubos de esportividade. 

Entretanto, não deixa de ser contraditório buscar uma dinâmica “Sport” em um carro racional como o Corolla Altis Hybrid. No modo “Eco”, apesar do estilo mais comedido, o motor híbrido dá conta de mover com destreza o veículo – e ainda recompensa com visitas mais espaçadas aos postos de combustível. 

Todavia, quando o motorista quer acelerar de verdade, a suspensão traseira – com duplo braço triangular independente, molas helicoidais, amortecedores inclinados e barra estabilizadora – proporciona equilíbrio nas curvas rápidas, sem comprometer o conforto. 

Nessas horas, o Toyota Safety Sense – um pacote de assistências com piloto automático adaptativo que controla a distância para o carro da frente, alerta de saída de faixa (emite sinais visuais e sonoros), farol alto automático e frenagem automática de emergência – é parceiro e ajuda a evitar acidentes.