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ARTIGO

Gabriela Gonçalves: "O canabidiol no tratamento da endometriose"

Diretora médica da Ease Labs
31/03/2020 02:00 - Da Redação


O março amarelo é o mês dedicado à conscientização sobre a endometriose. A Endometriose é uma doença ginecológica em que células da camada que reveste o útero, o chamado Endométrio, cresce fora da cavidade uterina, podendo acometer outros orgãos presentes no abdome. Como resultado tem-se uma reação inflamatória crônica que, por sua vez, pode ocasionar cólicas menstruais intensas; dor crônica na região pélvica, na vagina, durante relações sexuais e ao urinar; inchaço; náuseas e vômitos e em casos mais graves até a infertilidade.  

A endometriose é muito comum no Brasil. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 15% das mulheres, ou seja, aproximadamente 7 milhões, sofrem com a doença no país. A causa para o surgimento da doença ainda é objetivo de estudos, cientistas apontam que na verdade pode ser algo multifatorial com associação de fatores genéticos, anormalidades imunológicas e disfunção endometrial.

Estudos científicos realizados nos últimos anos verificaram que pacientes com endometriose apresentavam uma queda nos receptores do sistema endocanabinóide, responsável por equilibrar o organismo para que este realize suas funções corretamente. Este sistema contém neurotransmissores que se ligam a receptores canabinoides produzidos pelo corpo ou adquiridos externamente, como no caso das substâncias da planta Cannabis. A Journal of Molecular Endocrinology, periódico oficial da Sociedade de Endocrinologia Europeia, publicou uma pesquisa de 2013, constatou que o canabidiol (CBD) – canabinoide extraído da Cannabis – desenvolve ações importantes nos órgãos reprodutores femininos. Segundo a publicação, estas substâncias podem regular algumas funções tais como a migração e a proliferação de células do endométrio.

Ainda que sejam necessários mais estudos sobre a relação dos canabinoides com o aparelho reprodutor feminino, sabe-se que o CBD tem propriedade analgésica e anti-inflamatória, e, portanto, poderia ser utilizado para o alívio de alguns dos sintomas para endometriose. O seu uso tem aliviado as dores crônicas da inflamação, os espasmos, as náuseas e vômitos, proporcionando aos pacientes mais qualidade de vida.

Outro ponto importante a favor do uso de CBD para os casos de endometriose, é a sua capacidade de impedir o crescimento e a migração das células que causam a inflamação. O canabidiol bloqueia a ativação do receptor GPR 18 (responsável pelo deslocamento das células danificadas).

As propriedades do CBD têm contribuído para o combate aos sintomas da endometriose, para uma melhora no quadro clínico e na qualidade de vida dos pacientes. Mas vale reforçar que trata-se do uso medicinal da planta e, que, assim como qualquer outro tratamento, o canabidiol deve ser prescrito e acompanhado por médicos.

Felpuda


Nos bastidores, há quem garanta que a única salvação, de quem está com a corda no pescoço, é ele aceitar ser candidato a vice-prefeito em chapa de novato no partido. Vale dizer que isso nunca teria passado por sua cabeça, uma vez que foi eleito com, digamos, “caminhão de votos”. Se aceitar a imposição, pisaria na tábua de salvação; se recusar, poderá perder o mandato. Ah, o poder!