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ARTIGO

Mateus Boldrine Abrita: "Desafio constante para eficiência na gestão pública"

Professor efetivo na Uems
27/01/2020 02:00 -


A palavra economia tem sua origem no grego oikonomia, formado pela palavra oikos, que remete ao lar, e nomein, que dá uma noção de administrar, em uma explicação simplificada, a palavra economia vem da administração do lar. Assim, desde os tempos antigos a importância da gestão está presente. Nesse sentido, como está a eficiência na gestão pública em Mato Grosso do Sul?

Primeiramente, é fundamental pontuar que é complexo mensurar a eficiência na gestão pública. Então, os resultados de análises devem servir de referência para a evolução das práticas de gestão e não devem ser tomados como uma verdade absoluta, pois estes instrumentos possuem suas limitações. Apesar de existirem outros indicadores e organizações, dois importantes institutos emergem como referência no quesito de eficiência na gestão pública. O ranking de eficiência dos estados e municípios da Folha e o ranking de competitividade dos estados do Centro de Liderança Pública (CLP), que em 2019 lançou uma edição em parceria com a Tendências Consultoria Integrada e Economist Intelligence Unit.

O ranking da Folha observa quais estados e municípios entregam mais saúde, educação, segurança, infraestrutura, saneamento, etc., com menos recursos. Nesse ranking, MS está em uma posição mediana e é importante avançar, apesar de estar à frente de MT, por exemplo. No que se refere aos municípios, apesar de termos algumas ilhas de eficiência, é muito importante que ocorra uma evolução nessa busca de uma gestão mais eficiente, pois vários se encaixam na faixa de baixa eficiência.

Já o ranking do CLP perpassa por dez importantes pilares para construção do indicador. São eles: segurança pública, sustentabilidade social, infraestrutura, educação, solidez fiscal, eficiência da máquina pública, capital humano, inovação, potencial de mercado e sustentabilidade ambiental. Nesse indicador, MS vem evoluindo substancialmente e está entre os cinco melhores do País.

Nesse contexto, a complexidade dos desafios inerentes à gestão cresce continuamente, ao mesmo tempo em que o contribuinte necessita e cobra resultados eficientes, sobretudo considerando a revolução da indústria 4.0 e da era digital. Por isso, é importante um contínuo cuidado e empenho com a eficiência na gestão pública. Instruções normativas do Ministério da Economia, de órgãos estaduais e municipais já indicam modelos de eficiência na gestão que devem ser adotados e implementados. Essas são medidas importantes e devem ser fomentadas pelos governantes.

No Brasil temos uma percepção de uma polarização estúpida. De um lado, uns querem destruir o papel do Estado, de outro, uns demonizam a importância do mercado. Humildemente penso que os dois têm papel relevante em uma democracia moderna, desde que os dois busquem as boas práticas e a eficiência na gestão.