Brasil

DEMARCAÇÕES

Câmara aprova urgência para marco temporal de terras indígenas e governo libera base

Com isso, os 300 deputados da bancaca ruralista querem se antecipar ao julgamento do STF que poderia ser favorável aos interesses indígenas

Estadão Conteúdo

25/05/2023 - 08h15

A Câmara aprovou na noite desta quarta-feira, 24, com amplo apoio, um requerimento para urgência na tramitação do projeto de lei que define um marco temporal para a demarcação de terras indígenas no País. Foram 324 votos favoráveis, 131 contrários e uma abstenção.

O PT orientou sua bancada a votar contra dar celeridade ao texto, mas a liderança do governo liberou a base aliada para se posicionar como quisesse. De acordo com o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), o mérito da matéria deve ser votado na semana que vem.

A sessão no plenário da Câmara foi encerrada às pressas após a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) protestar contra o marco temporal. "Vocês são assassinos do nosso povo indígena", declarou a parlamentar, que teve o microfone cortado. O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), por sua vez, levantou cartazes no plenário com as frases "Lei ordinária não altera a Constituição" e "Demarcação é direito! PL 490 não!".

A intenção da Câmara ao dar celeridade ao projeto é se antecipar ao julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o assunto, marcado para o dia 7 de junho. A tendência é a Corte derrubar a tese, que define a data da promulgação da Constituição como marco temporal para a definição da ocupação de terras por indígenas.

Ou seja, pelo marco temporal, uma terra indígena só poderia ser demarcada se fosse comprovado que os índios estavam no local na data da promulgação da Constituição - no dia 5 de outubro de 1988. Quem estivesse fora do local nesta data ou depois dela, não poderia pedir a demarcação.

O projeto conta com o apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), composta por 300 deputados, que pressionava Lira a pautar o tema. Deputados da bancada ruralista ouvidos pela reportagem consideram um "absurdo" o STF "legislar" sobre a demarcação das terras indígenas.

O requerimento de urgência foi apresentado pelo deputado Zé Trovão (PL-SC). Já a autoria do projeto é do deputado Arthur Maia (União Brasil-BA).

"Estamos falando de áreas urbanas, de municípios que deixariam de existir, caso não haja um marco temporal para se tornar pertencente à terra. É um risco para a soberania do país e temos ponderado isso, inclusive com os ministros do Supremo Tribunal Federal", afirmou o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR), em nota divulgada pela bancada ruralista após a aprovação da urgência.

O marco temporal vai na contramão da bandeira do Palácio do Planalto e de indígenas, que fazem parte da base de apoio do Executivo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a criar o Ministério dos Povos Originários, comandado por Sônia Guajajara (PSOL). Mesmo assim, a liderança do governo na Câmara liberou os deputados para votarem como quisessem.

A federação PT-PCdoB-PV, por sua vez, orientou os deputados a votarem contra a urgência do projeto. Já o bloco liderado pelo PP e pelo União Brasil liberou os parlamentares a votarem como quisessem, já que PSB e PDT eram contrários à urgência, enquanto outros partidos da aliança eram favoráveis.

Na segunda-feira, 22, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), defendeu o marco temporal. Segundo ele, a medida traz "segurança jurídica ao campo". "Mas sou favorável também a que nós possamos minimizar os impactos e arrumar um ‘pedaço de chão maior’ àqueles povos indígenas que estão espremidos e sem a menor condição de bem-estar", avaliou Fávaro, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.
 

ASSINE O CORREIO DO ESTADO

 

Prisão Domiciliar

Pai de Vorcaro pede prisão domiciliar com laudo que aponta risco de complicação intestinal

Defesa apresenta novo relatório médico ao STF, alerta para risco de perfuração intestinal e alega falta de condições adequadas para tratamento no presídio.

02/11/2026 18h00

Fachada da sede da Polícia Federal, órgão responsável por investigações de crimes federais no Brasil.

Fachada da sede da Polícia Federal, órgão responsável por investigações de crimes federais no Brasil. Foto: Agência Brasil.

Continue Lendo...

justiça

PF cumpre no Rio novos mandados da Operação Unha e Carne

Operação apura lavagem de dinheiro por meio de imóveis de alto padrão, veículos de luxo e aeronaves executivas registradas em nome de "laranjas"

29/10/2026 07h19

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).