Brasil

DESIGUALDADE

Ministério Público tem 82% de procuradores e promotores brancos, diz pesquisa

Entre as cerca de 5 mil mulheres, apenas 81 negras ocupam cargos de promotora ou procuradora nos estados brasileiros

FOLHAPRESS

03/07/2023 - 12h55

Pessoas brancas são a ampla maioria (82%) entre os mais de 13 mil procuradores e promotores que compõem o Ministério Público brasileiro. Já o número de profissionais negros representa apenas 16% do total.

Os dados são de uma pesquisa étnico-racial realizada pelo Conselho Nacional do Ministério Público em parceria com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

A conclusão geral do levantamento é a de que há desigualdades de gênero e raça em todas as posições de trabalho existentes no Ministério Público.

A situação é mais evidente nos cargos mais altos, de promotores e procuradores, e também quando há um cruzamento por gênero.

De acordo com a pesquisa, há apenas 81 mulheres negras que ocupam essas funções entre as cerca de 5.000 procuradoras e promotoras de Justiça que atuam no Ministério Público.

As pessoas brancas são maioria também entre os servidores (65%), contra 30,1% de negros.

A maior presença de negros está no grupo de estagiários: são 32,3%, contra 58,1% de brancos.

Um número ainda assim bem abaixo da população negra no Brasil, que representa 56% do total.

As mulheres são maioria nos dois grupos: elas representam 67% dos estagiários, e 53,1% dos servidores.

O objetivo da pesquisa, segundo o MP, é mapear o perfil dos trabalhadores da instituição e detectar desigualdades para que possam ser desenvolvidas medidas a fim de combatê-las.

"O mapa étnico-racial ora apresentado é uma das mais importantes conquistas do Ministério Público dos últimos 10 anos.

Conseguimos entregar à sociedade um conjunto de dados para que sejam tomadas medidas efetivas de igualdade étnica e racial", afirma Otavio Luiz Rodrigues Jr., do Conselho Nacional do Ministério Público.

 

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