Brasil

REPERCUSSÃO

Artistas e ativistas lamentam morte de artista circense venezuelana

Crime chocou o País após corpo de Julieta Hernández ser encontrado em cidade do Amazonas

Agência Brasil

07/01/2024 - 12h01

Diversas entidades artísticas e movimentos sociais manifestaram pesar pela morte da artista venezuelana Julieta Hernández Martínez, de 37 anos. No Brasil desde 2015, ela se apresentava como palhaça Jujuba em diversas partes do país e integrava o grupo de mulheres que viajam de bicicleta Pé Vermei.

O corpo da artista foi encontrado nesse sábado (6) no município de Presidente Figueiredo, no Amazonas. Julieta viajava em direção à Venezuela para encontrar a família. Ela estava desaparecida desde 23 de dezembro. Amigos e ativistas fizeram uma campanha para tentar localizar a artista.

Pelas redes sociais, foi informado que o valor arrecadado será, agora, usado para cobrir os custos do translado do corpo ao país de origem. A Fundação Nacional de Artes (Funarte) divulgou uma nota em que lamenta a morte da artista.

“É com tristeza e indignação que recebemos a notícia da morte da bonequeira, palhaça, artista e cicloviajante, Julieta Hernandez. Com toda alegria e irreverência, Julieta viajava com sua arte conduzindo crianças e adultos ao mundo circense e por isso, sempre será lembrada. Inquieta em relação à desigualdade de gênero, sua busca por equidade é uma inspiração para todas nós”, declara a presidenta da Fundação, Maria Marighella, no comunicado.

A Funarte informa ainda que, junto com o governo do Amazonas, está acompanhando os desdobramentos da investigação e presta apoio à família.

Nas redes sociais, o coletivo Pé Vermei divulgou nota: “Queria poder dizer que Ju se encantou nas estradas de uma forma bem poética, bem Julieta. Mas a verdade é que nossa amiga foi mais uma vítima de feminicídio. Quero agradecer a essa rede todinha que está se mobilizando, foi graças a todo esse movimento coletivo que ela foi encontrada”.

O grupo de palhaçaria feminista Circo di SóLadies também expressou pesar pela perda da artista.

“Jujuba, infelizmente não encontramos você a tempo. Tudo isso nos mostra o quanto somos pequenos diante de tamanha brutalidade. Mas você, com sua gigante grandeza contida em seu nariz, nos ensinou que é preciso ter a coragem para seguir pedalando. Nos resta a memória do seu sorriso e sua vontade de viver”, diz a nota publicada na rede Instagram.

O Movimento de Pequenos Agricultores (MPA) relembrou encontro com Julieta há um ano e resgatou memórias envolvendo a artista.

“Era uma sexta-feira, dia 21 de janeiro de 2022 a noite quando encontramos na rodoviária de Picos - Piauí uma mulher chamada Alegria, Riso, Solidariedade e Liberdade, seu nome Julieta Hernandez que com a magia popular da palhaçaria se transformava na Mis Jujuba palhaça, cicloativista e bonequeira”.

O MPA destaca ainda que os indícios apontam para que a artista foi vítima de feminicídio. “Que nossa Floresta Amazônica possa ecoar o riso, a alegria e a liberdade de toda mulher que se sonha livre. Por nossas mortas nenhum minuto de silêncio, mas toda uma vida de lutas”, acrescenta.

 

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