Com a presença da esposa, Ji Qingping, e da filha, Yu Hope Hongmeng, o corpo do arquiteto chinês Kongjian Yu, foi liberado à família na tarde da última quarta-feira.
Além da família, os representantes do Consulado da China no Brasil também estiveram presentes no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), em Campo Grande, para retirar a declaração de óbito do arquiteto.
Essa era a última identificação que faltava das 4 vítimas do acidente aéreo da semana passada, em 23 de setembro, no município de Aquidauana. A família de Kongjian veio para assinar os documentos necessários para conclusão dos trâmites legais.
Marcelo Pereira de Barros, o piloto e dono da aeronave, Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz, cineasta que também estava na viagem, e o produtor Rubens Crispim Júnior, já haviam sido identificados 2 dias após o acidente e seus corpos foram liberados aos familiares.
Tradições
Os restos mortais do arquiteto, ainda não haviam sido liberado devido a tradições chinesas. Para sua identificação, foi realizado o exame necropapiloscópico, que consiste em coletar impressões digitais de cadáveres e identificá-los através de banco de dados.
Nesse caso, a vinda da família do criador do conceito de cidades-esponjas, foi para concluir essa identificação, comparando com a impressão digital da filha. Anteriomente já havia a pré-confirmação de que era Kongjian devido a ajuda do banco de dados do Federal Bureau of Investigation (FBI), em que continha a amostra da impressão digital do arquiteto.
Em relação às outras 3 vítimas que também foram carbonizadas, o reconhecimento aconteceu através de exames de DNA.
No último domingo (28), o produtor Rubens Crispim foi cremado, na Zona Leste de São Paulo. O piloto, Marcelo Pereira, foi sepultado em Aquidauana no sábado (27). Já o cineasta, Luiz Fernando teve sua despedida na última terça-feira (30) também em São Paulo.
Em nota, por meio da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), a Polícia Científica de Campo Grande, afirmou sobre a agilidade, precisão técnica e respeito às vítimas. Para atender ao desejo dos familiares, não foi divulgada nenhuma imagem e encerrou os trabalhos periciais relacionados ao acidente aéreo.
Quem era Kongjian Yu
Referenciado pela mídia como grande arquiteto, Kongjian Yu era um paisagista chinês. Pai de Yu Hope Hongmeng e esposo de Ji Qingping, o arquiteto se tornou referência mundial ao transformar áreas degradadas em ambientes resilientes e integrados à natureza.
Fundador também da Turenscape, empresa de design especializada em arquitetura paisagística, planejamento urbano e restauração ecológica. A vinda de Yu ao Brasil era para participar da Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, organizada pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB).
O destino ao Pantanal sul-mato-grossense era para entender como o conceito criado por ele de “cidade esponja”, poderia se aplicar na área.
Além disso, o arquiteto estava gravando um documentário sobre sua proposta e a aplicação dela no Brasil, mais especificamente no Pantanal. Motivo da companhia do cineasta Luiz Ferraz e do produtor Rubens Crispim na viagem, que vieram acompanhar na produção audiovisual, ambos mortos com a queda e explosão da aeronave.
Cidade-Esponja
O conceito é uma estratégia e planejamento urbano que busca adaptar as metrópoles às mudanças climáticas por meio da ampliação de áreas verdes e permeáveis.
Ela utiliza-se de técnicas de engenharia para imitar a capacidade natural de absorção e armazenamento de água da natureza, com o objetivo principal de amenizar inundações e secas, reutilizando a água de chuvas para outros fins.