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PIB

PIB cresce menos e acende alerta: o que vem agora?

Principal responsável pelo crescimento da Economia é o agronegócio, que apresentou alta da ordem de 11%

Agência Brasil

03/03/2026 - 08h26

A economia brasileira cresceu 0,1% no quatro trimestre de 2025 na comparação com o terceiro trimestre. Com esse desempenho, o ano de 2025 fechou com expansão de 2,3%. O resultado representa o quinto ano seguido de crescimento. Em 2024 o PIB havia crescido 3,4%.

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) foi divulgado na manhã desta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O PIB é o conjunto de todos os bens e serviços produzidos em uma localidade em determinado período. Com o dado, é possível traçar o comportamento da economia do país, estado ou cidade, assim como fazer comparações internacionais. 

O PIB é calculado com o auxílio de diversas pesquisas setoriais, como comércio, serviços e indústria. 

Os bens e serviços finais que compõem o PIB são medidos no preço em que chegam ao consumidor. Dessa forma, levam em consideração também os impostos cobrados.

O PIB ajuda a compreender a realidade de um país, mas não expressa fatores como distribuição de renda e condição de vida.

É possível, por exemplo, um país ter PIB alto e padrão de vida relativamente baixo, assim como pode haver nação com PIB baixo e altíssima qualidade de vida.

ANÁLISE

No ano passado, o crescimento econômico do Brasil foi o mais baixo desde 2020, quando a economia brasileira recuou 3,3% por causa dos impactos provocados pela pandemia de covid-19. Em 2024, o PIB cresceu 3,4%.

“O desempenho de 2025 foi como se esperava desde o início do ano, com um PIB um pouco mais fraco, depois de uma sequência de vários anos com um PIB crescendo em torno de 3%”, diz Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados.

“Em 2025, começamos a fazer o ajuste da taxa de juros para conter a inflação, e a economia passou a desacelerar. Apesar de tudo, o País conseguiu um crescimento até razoável”, afirma Vale.

No ano passado, na análise pelo lado da oferta, a agropecuária avançou 11,7%, a indústria cresceu 1,4% e o setor de serviços subiu 1,8%.

O bom resultado da agropecuária é explicado pela safra recorde de grãos que o Brasil colheu; o setor de serviços se beneficiou de um mercado de trabalho bastante aquecido no País, enquanto o resultado da indústria foi mais respaldado pelo setor extrativista - a parte de transformação sofreu com os juros elevados.

“Pelo lado da oferta, o agro é o grande destaque”, afirma Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia e análise setorial da Tendências Consultoria. “E, na indústria, o que ajudou foi a parte extrativa, que veio melhor.”

Do lado da demanda, houve crescimento no consumo das famílias (1,3%), na formação bruta de capital fixo - os investimentos - (2,9%) e no consumo do governo (2,1%).

“Há uma contribuição relevante da importação de plataformas em investimentos. E tem toda uma parte de infraestrutura também”, afirma Silvia.

Ainda pelo lado da demanda, mesmo com o tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no comércio global, as exportações cresceram 6,2% e as importações subiram 4,5%.

“Em 2025, o desempenho do agro foi extraordinário, e o impacto do tarifaço foi mais moderado, porque, para alguns mercados, conseguimos redirecionar os produtos”, afirma Alessandra.

No ano passado, a taxa de investimento foi de 16,8% do PIB, um pouco abaixo do apurado em 2024, quando marcou 16,9%. A taxa de poupança alcançou 14,4% do PIB - pouco acima dos 14,1% de2024.

O que esperar de 2026

Em 2026, os economistas esperam um resultado mais moderado para o PIB. No relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, os analistas consultados esperam alta de 1,82%.

A avaliação é de que a atividade econômica deve acelerar neste primeiro semestre, por causa dos efeitos da agropecuária, mas perder força na parte final do ano.

“Temos uma média de crescimento no primeiro e no segundo trimestres de 0,5%”, diz Alessandra. “E, no segundo semestre, essa média de crescimento é de 0,2%. Começa o ano mais forte e, depois esfria.”

Em ano de eleição presidencial, o desempenho econômico seria ainda mais fraco se o governo federal não tivesse lançado mão de várias medidas que devem ajudar a estimular a economia, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a ampliação do Minha Casa Minha Vida, entre outras.

Na conta da consultoria Tendências, todas essas medidas devem garantir um aumento do crescimento do PIB deste ano entre 0,3 pontos porcentual e 0,4 ponto porcentual.

Nos últimos dias, o cenário econômico fico mais incerto por causa do conflito no Irã e os possíveis impactos para o crescimento, inflação e taxa de juros.

Por ora, os economistas esperam algum alívio na condução da política monetária pelo Banco Central. A expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) comece a reduzir a Selic na reunião de março. Ao final do ano, os analistas esperam que a Selic esteja em 12%, de acordo com o relatório Focus.

“A gente continua com juros reais elevados. É uma economia que tende a desacelerar e crescer menos neste ano do que no ano passado. E por que não desacelera tanto? Não desacelera mais porque o governo tem feito um conjunto enorme de esforços para tentar manter o crescimento ainda forte em 2026”, afirma Vale.

“A gente continua com juros reais elevados. É uma economia que tende a desacelerar e crescer menos neste ano do que no ano passado. E por que não desacelera tanto? Não desacelera mais porque o governo tem feito um conjunto enorme de esforços para tentar manter o crescimento ainda forte em 2026”, afirma Vale.

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