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DE OLHO

MPMG analisará decisão que absolveu homem de 35 anos por estupro de menina de 12 anos

O órgão mineiro reforçou que a legislação entende qualquer relação sexual com menores de 14 anos como estupro de vulnerável

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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) analisará a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que absolveu um homem de 35 anos por estupro contra uma menina de 12 anos por entender que havia "vínculo consensual".

Em nota enviada ao Estadão, o MP afirma que identificou aspectos jurídicos passíveis de impugnação e adotará medidas processuais cabíveis para garantir a aplicação de jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.

O MP reforçou que a legislação entende qualquer relação sexual com menores de 14 anos como estupro de vulnerável.

"Tal diretriz normativa visa resguardar o desenvolvimento saudável e a dignidade sexual dessa população, tratando-os como bens jurídicos indisponíveis, que se sobrepõem a qualquer interpretação fundada em suposto consentimento da vítima ou anuência familiar", completa.

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais acompanha a situação. Em resposta ao Estadão, a Pasta garante que está em diálogo com o Ministério Público de Minas Gerais sobre os desdobramentos relacionados ao caso e analisará eventuais medidas.

A decisão foi proferida pela 9ª Câmara Criminal do TJMG. O órgão afirmou que o processo tramita em segredo de justiça e não se manifestará a respeito.

De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), mais de 34 mil crianças de 10 a 14 anos - majoritariamente meninas, pretas ou partas, de regiões vulneráveis - viviam em uniões conjugais no Brasil em 2022.

O Brasil se comprometeu internacionalmente a eliminar a prática, incluindo recomendações recentes do Comitê da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres para fixar a idade mínima para matrimônio em 18 anos.

Em nota, o MDHC ressalta que "quando a família não assegura essa proteção - especialmente em casos de violência sexual -, cabe ao Estado e à sociedade, incluindo os três Poderes, zelar pelos direitos da criança, não sendo admissível que a anuência familiar ou a autodeclaração de vínculo conjugal sejam usadas para relativizar violações".

O Estadão aguarda manifestação do Conselho Nacional de Justiça e do Superior Tribunal de Justiça.

Caso gerou repercussão entre autoridades e políticos.

A deputada Erika Hilton (Psol-SP) anunciou, nas redes sociais, que apresentou denúncia ao Conselho Nacional de Justiça contra a decisão. Para a parlamentar, o TJMG "liberou a pedofilia".

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou um vídeo criticando a decisão: "Não importa se consentiu, não importa se já teve outros relacionamentos, não importa se ela disse que gosta dele. A lei é objetiva, mas o tribunal resolveu inventar uma exceção".

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) afirmou que a decisão terá impactos na sociedade. "Em um país em que a violência sexual já é uma realidade persistente, decisões assim podem gerar um efeito pedagógico negativo, porque confundem o limite do que é inaceitável e enfraquecem a confiança na proteção institucional", escreveu no X.

sigilo

Filho de Fux é o 3º parente de ministro do STF com dados fiscais violados

Quatro servidores da Receita foram alvos de investigação da PF e suspeita é de que os dados de cerca de 100 pessoas tenham sido violados

20/02/2026 07h29

Suspeitas de que dados fiscais do advogado Rodrigo Fux foram violados surgiu durane investigações do caso Master

Suspeitas de que dados fiscais do advogado Rodrigo Fux foram violados surgiu durane investigações do caso Master

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O advogado Rodrigo Fux, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, teve informações fiscais sigilosas acessadas de forma ilegal pela Receita Federal. Além dele, até agora a mulher do ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, e uma ex-enteada do decano Gilmar Mendes também tiveram dados consultados irregularmente. Um dos servidores investigados no caso, Ricardo Mansano de Moraes foi demitido nesta quinta-feira, 19.

A nova descoberta foi feita a partir da ordem de Moraes para a Receita rastrear seus sistemas e descobrir a origem de eventuais vazamentos de dados sigilosos de ministros do Supremo e parentes deles. A apuração está sob sigilo e foi inserida no inquérito das fake news, aberto em 2019 para investigar ataques a integrantes do tribunal.

O resultado parcial do rastreamento foi confirmado pelo Estadão com fontes que tiveram acesso à investigação. O caso do filho de Fux foi divulgado inicialmente pelo Metrópoles. Ainda segundo essas fontes, foram acessados de forma ilegal dados de cerca de cem pessoas. Procurado, o STF não se manifestou sobre as novas revelações do caso.

De acordo com o Supremo, quatro servidores foram alvo de busca e apreensão durante a operação da Polícia Federal aberta na terça-feira, 17. Além de Ricardo Mansano, são investigados Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento e Ruth Machado dos Santos.

Restrições

Todos eles foram proibidos de exercer função pública e de ingressar nas dependências do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e da Receita. Também estão impedidos de acessar as bases de dados dos dois órgãos. Os suspeitos tiveram ainda os passaportes retidos.

Parte do STF está incomodada com a ordem de rastreamento nos sistemas da Receita. Segundo ministros aliados a Edson Fachin, presidente da Corte, essa determinação deveria ter partido do comando do tribunal, e não de Moraes.

Demitido pela Receita, o auditor fiscal Ricardo Mansano é suspeito de ter acessado indevidamente os dados fiscais de uma ex-enteada de Gilmar Mendes. A exoneração foi publicada no Diário Oficial de ontem. Ele exercia a função de substituto eventual do chefe da equipe de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório da Delegacia da Receita em Presidente Prudente (SP).

Como mostrou o Estadão, ele admitiu aos investigadores que acessou os dados por "acidente", ao acreditar se tratar de outra pessoa. Ele foi submetido ao uso de tornozeleira eletrônica. Em janeiro, provocada por Moraes, a Corregedoria da Receita pediu esclarecimentos a Mansano sobre a tentativa de acesso a dados confidenciais. Ele apresentou sua versão. "Fiz burrada", afirmou.

Em nota, a defesa de Mansano negou o envolvimento do servidor em irregularidades. "A defesa reafirma a idoneidade do servidor, profissional de reputação ilibada, que, ao longo de anos de atuação junto à Receita Federal, jamais respondeu a qualquer falta funcional", afirmaram as advogadas Marianna Chiabrando e Camilla Chiabrando.

Em outro desdobramento do novo inquérito no Supremo, a PF intimou o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kléber Cabral, para prestar esclarecimentos. Em declarações à imprensa, Cabral afirmou que o STF usa a Receita para tirar o foco da crise do Banco Master e do banqueiro Daniel Vorcaro (mais informações nesta página).

As suspeitas de que dados sigilosos de ministros e seus familiares foram vazados surgiu após a Operação Compliance Zero, que investiga o Master. Em dezembro, foi revelado um contrato firmado pela mulher de Moraes para atuar na defesa dos interesses do Master e de Vorcaro no Banco Central, na Receita e no Congresso.

Guarujá

Também investigada no inquérito que apura os vazamentos de dados de ministros do STF e de parentes dos magistrados, a agente administrativa da Receita Ruth Machado dos Santos teria acessado os dados fiscais da mulher de Moraes em 21 de agosto de 2025, nas dependências da unidade do Fisco no Guarujá, no litoral paulista.

A servidora nega. Em nota, a defesa afirmou que ela "não possui qualquer vínculo político-partidário" e "não concorreu para infração penal".

Segundo investigadores da PF a par do depoimento de Ruth, ela afirmou que o suposto acesso aos dados de Viviane teria ocorrido enquanto ela realizava um atendimento na Receita no Guarujá. Aos investigadores, Ruth, que havia retornado de férias em 5 de agosto, duas semanas antes da data do registro do acesso, disse não saber se suas credenciais funcionais podem ter sido utilizadas por outro servidor. Ela afirmou que nunca compartilhou senhas ou tokens institucionais com terceiros.

Celulares

Em 40 minutos de depoimento, a servidora, que está de tornozeleira eletrônica, afirmou que poderá provar que estava em atendimento no momento do acesso assim que tiver seu celular entregue pelos investigadores após a perícia. Na casa de Ruth foram apreendidos dois celulares que estão com a PF.

A defesa da servidora, conduzida pelo advogado Diego Soares de Oliveira Scarpa, afirmou que Ruth "jamais respondeu a qualquer procedimento disciplinar, sindicância ou investigação, mantendo reputação ilibada e reconhecida" pelos colegas. Ela é técnica do Seguro Social desde 1994.

Em nota, a Receita reconheceu que dados foram acessados indevidamente e disse que as investigações estão sendo aprofundadas. "Os sistemas da Receita são totalmente rastreáveis, de modo que qualquer desvio é detectável, auditável e punível, inclusive na esfera criminal."

copa do brasil

Goleiro Bruno defende dois pênaltis, mas time do Acre é eliminado

Condenado a 22 anos pelo assassinato de Eliza Samúdio, o goleiro está em regime semi-aberto desde 2019

20/02/2026 07h15

Sem ter treinado nos dias anteriores, Bruno chegou a passar mal durante o jogo válido pela Copa do Brasil, nesta quinta-feira

Sem ter treinado nos dias anteriores, Bruno chegou a passar mal durante o jogo válido pela Copa do Brasil, nesta quinta-feira

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Estigmatizado por ter sido condenado pela morte de Eliza Samudio, sua ex-namorada, o goleiro Bruno se transformou em atração no jogo entre Vasco-AC e Velo Clube-SP, nesta quinta-feira, no encerramento da primeira fase da Copa do Brasil.

O jogo terminou empatado por 1 a 1, com o goleiro tendo falhado no gol, mas ele se redimiu na disputa de pênaltis, quando defendeu duas cobranças e ainda converteu a quinta penalidade para os vascaínos. Mesmo assim, o time acreano perdeu a disputa por 3 a 2, sendo eliminado da competição.

Durante o jogo, Bruno despertou a atenção aos 21 minutos, não por fazer alguma defesa, mas por sentir-se mal. Uma queda de pressão deixou o goleiro no chão, acolhido por uma médica e abanado por companheiros.

No primeiro tempo ele só fez uma defesa, aos 36 minutos, num chute cruzado de Rodrigues Alves. No lance seguinte, o Vasco abriu o placar com Jean. O Velo Clube voltou melhor no segundo tempo e empatou com Ruan, aos 17 minutos.

O jogador paulista recebeu a bola sozinho e arriscou de fora da área, acertando o canto esquerdo do goleiro. Ele saltou tarde e não alcançou a bola. Certamente impediria o gol nos seus ‘melhores dias’ de Flamengo.

No intervalo do jogo, Bruno foi entrevistado pela TV da Federação do Acre, que transmitiu a partida e com alta audiência, com pico de 38 mil visitantes online. "Primeiramente, agradeço a Deus por estar aqui. Segundo, é bom estar num lar e ser acolhido desde 2020. A diferença é que, em 2020, estávamos na pandemia e hoje temos essa torcida que está incentivando a nossa equipe. A gente joga contra uma grande equipe. Optamos por uma formação mais fechada, explorando os contra-ataques, e fico feliz por nosso time ter feito o gol, isso aumenta nossa responsabilidade. Temos uma equipe muito traiçoeira do outro lado. Agora é aumentar o nível de concentração, fazer o segundo gol e buscar nossa sonhada classificação.".

Esta é a segunda passagem de Bruno pelo Acre. Em 2020, ele defendeu o Rio Branco-AC no Campeonato Acreano e na Série D do Brasileiro, disputando 18 jogos e marcando um gol, no empate por 1 a 1 com o Bragantino-PA, na Arena Acreana. O atual salário dele seria de R$ 15 mil.

Bruno chegou ao Acre no domingo e se apresentou no dia seguinte no Campo da Fazendinha, sendo regularizado no BID da CBF na quarta-feira. Antes disso, o atleta esteve no Rio de Janeiro para cumprir exigências do livramento condicional e compareceu à Justiça no dia 11 de fevereiro.

O ex-goleiro do Flamengo, Bruno foi condenado a 22 anos pelo homicídio triplamente qualificado da modelo Eliza Samudio, mãe de seu filho, ocorrido em 2010. Ele foi condenado em 2013, ficou preso até 2019, quando passou a gozar do regime semiaberto, cumprindo o resto da pena em liberdade condicional.
 

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