Lívia Ferreira, com informações da Agência Estado
Desta vez, a oposição foi direto ao ponto. Irritada com a manobra da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que adiou seu comparecimento ao Senado, a oposição aproveitou novo cochilo da base aliada e a convocou para depor na Comissão de Infra-estrutura sobre o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A convocação de hoje foi o primeiro capítulo de uma blitz desencadeada pela oposição. Há dois novos requerimentos de convocação no arsenal de tucanos e senadores do DEM, uma para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e na Comissão de Meio Ambiente (CMA).
Há menos de duas semanas, a comissão convocou Dilma com outro objetivo oficial: o de ouvi-la sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sobretudo sobre uma de suas obras, a usina de Belo Monte, no Pará. Na ocasião, a oposição avisou que interrogaria também sobre o dossiê. O depoimento para falar do PAC deveria ocorrer hoje.
De iniciativa dos senadores tucanos, Flexa Ribeiro e Mário Couto, ambos do Pará, a aprovação dos requerimentos em votação simbólica só foi possível porque nenhum dos chamados aliados fiéis do Governo acompanhava os trabalhos da comissão.
A líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), acusou os colegas de promoverem "golpes" para atrair a ministra Dilma ao Senado. "Nesta comissão temos de acompanhar qual é o próximo golpe da oposição", atacou. Ironizando o cochilo dos governistas, Mário Couto os comparou a camarões "que dormem fora de hora e são levados pela maré". A matéria completa está na edição de amanhã do jornal Correio do Estado.