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Em clima eleitoral, Lula manda recado à oposição

Em clima eleitoral, Lula manda recado à oposição

Redação

17/04/2008 - 19h51
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Belo Horizonte

As fortes dores no pescoço não impediram ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizasse as solenidades do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em Belo Horizonte e Ribeirão das Neves, na região metropolitana, para desafiar a oposição. O presidente também fez referência direta às eleições municipais deste ano e disse que a população deve estar atenta com os candidatos que, de última hora, posam de "milagreiros".

Na capital mineira, Lula - que foi obrigado a se ausentar do palanque por cerca de 20 minutos e retornou usando um colar cervical - encerrou seu discurso com um recado para os oposicionistas. "Com muito orgulho, com muito prazer eu vou continuar andando por esse País. A minha oposição não gosta que eu ande. Ela fala que eu estou fazendo campanha. Eu não sou candidato. O que eles querem é que eu fique dentro do meu gabinete, vendo eles fazerem discurso contra mim. Entre ouvir eles falarem de mim e abraçar o povo desse País, eu vou pra a rua", afirmou.

Em Ribeirão das Neves, em clima festivo e em um palanque montado na periferia da cidade, o presidente pediu à platéia que prestasse atenção nos candidatos às eleições municipais. "Vocês precisam acompanhar, porque agora é época de eleição. Agora é que vocês precisam descobrir quem é que esteve e está com vocês há muito tempo ou quem vai aparecer de última hora achando que é um milagreiro. Estou muito à vontade porque não sou candidato a prefeito, mas é nessa época que o pobre tem valor."

Lula visitou pela manhã obras na Vila São José, em Belo Horizonte, e assinou novas ordens de serviço e contrato com o PAC. No início da tarde, na região metropolitana, ele participou de solenidade de autorização para o início de obras de saneamento e urbanização de favelas em oito municípios mineiros. As obras e o contrato somam R$ 1,164 bilhão.

Acompanhado de ministros e prefeitos, além do vice-presidente José Alencar, o presidente disse que o PAC é uma "reparação histórica" com a população mais pobre do País e que essa será a prioridade de seu Governo até o final do mandato. Salientou ainda que "rico não precisa do Governo" e que "pobre custa muito barato".

"Quero dedicar cada minuto, cada hora da minha vida para ver se a gente consegue consertar esse País que durante décadas alguns desmantelaram", disse. "Durante décadas e décadas as pessoas governaram apenas para 1/3 da população. Quem tinha mais, cada vez ficou com mais e quem tinha menos cada vez ficou com menos. Nós queremos equilibrar esse País."

Torcicolo

Sem perder a veemência nos discursos, Lula, porém, demonstrou bastante incômodo com as dores no pescoço, que tiveram início na noite de quarta-feira (16). Ainda na viagem de Brasília para a capital mineira, ele começou a reclamar do incômodo. No meio da solenidade, o presidente se dirigiu para a parte de trás do palanque e voltou com o colar cervical, recomendado pelo médico Cléber Ferreira. Bem-humorado, ele brincou com a situação, citando a primeira-dama Marisa Letícia.

"Está certo que a minha cabeça é um pouco agigantada para o meu pescoço. Hoje (ontem) de manhã, quando eu levantei e falei que estava com dor no pescoço, a Marisa falou assim para mim: como pode alguém que não tem pescoço ter dor no pescoço. Bem, são coisas da natureza."

Já na solenidade em Ribeirão das Neves, se dirigindo ao público, Lula usou o torcicolo para reiterar o desafio às críticas da oposição. "Não se preocupem com o meu pescoço. Quando ele quebrar e eu não conseguir mais segurar a cabeça, eu vou pegar uma parte do pescoço de vocês e vou continuar falando e viajando por esse País."

Aliança

        Durante a passagem pela capital mineira, o presidente evitou a polêmica envolvendo a aliança entre petistas e tucanos para a eleição municipal, articulada pelo prefeito Fernando Pimentel (PT) e pelo governador Aécio Neves (PSDB). Em viagem aos EUA, Aécio não participou das solenidades e foi representado pelo vice Antônio Anastasia e pelo secretário de Governo, Danilo de Castro.

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