Da redação
Em meio a um tiroteio de opiniões sobre o impacto do etanol nos preços dos alimentos, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, saiu hoje em defesa dos biocombustíveis e disse apoiar sua expansão. Ele afirmou que seria "injusto" culpar o etanol pelas altas dos preços das commodities. "A todos os que criticam o etanol, sempre cito o exemplo de sucesso do Brasil", disse o secretário, em seu primeiro dia de turnê pela África.
Críticos do etanol alegam que a expansão do combustível está produzindo uma disputa por terras e elevando os preços dos alimentos. O último a acusar os biocombustíveis foi o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn.
Ban Ki-Moon discorda. "O etanol é uma energia limpa", disse. Ele reconhece que o relator da ONU para Direito à Alimentação, Jean Ziegler, condena a expansão do etanol. Mas observa que a visão não é unânime dentro da entidade. "O Brasil tem etanol há 30 anos e hoje 80% dos carros têm motores que aceitam o combustível. Esse é o exemplo."
Para Ban Ki-Moon, há outros fatores que afetam as cotações das commodities. Um deles é o preço do petróleo, que estaria elevando o custo dos fertilizantes. Outro problema seria a margem cada vez maior de lucro dos intermediários.
Embora defenda o etanol, Ban Ki-Moon alertou para a crise dos preços dos alimentos e disse que o tema é prioritário em sua agenda. "Corremos o sério risco de ver perdidos os últimos sete anos de desenvolvimento e de redução da pobreza no mundo. Além disso, tudo indica que as tensões políticas podem ser perigosas." (com informações do Estadão)