Da redação
Um ex-bispo apoiado simultaneamente pela extrema esquerda e pela direita; uma mulher que representa um partido machista que está há 61 anos no poder; um ex-general que após duas tentativas de golpes de Estado decidiu conquistar o poder pela via democrática. Esse é o insólito leque de candidatos presidenciais que disputam amanhã os votos de 2,8 milhões eleitores do Paraguai. As últimas pesquisas, da consultoria Ati Snead, mostram Lugo com 38,6% das intenções de votos; Oviedo tinha 23,5%. Blanca teria 20%.
A eleição de domingo, em turno único, também pode representar o fim das mais de seis décadas de hegemonia do Partido Colorado. Pela primeira vez, segundo os analistas, a oposição tem chance real - e elevada - de vitória.
As eleições também interessam ao Brasil. A exigência da revisão do Tratado de Itaipu foi um tema constante na campanha. Além disso, o Paraguai desperta interesse por causa da comunidade de brasiguaios, os brasileiros que imigraram para o país desde os anos 60.
O nervosismo tomava conta neste fim de semana tanto do palácio presidencial quanto do quartel-general do ex-bispo Fernando Lugo, da Aliança Patriótica para a Mudança, nos subúrbios de Assunção.
O presidente Nicanor Duarte, um colorado, alertou ao longo da semana para a possibilidade de distúrbios por parte da oposição, em caso de derrota de Lugo e da vitória de sua candidata, Blanca Ovelar, ex-ministra da Educação. O ex-bispo, por seu lado, suspeita que o governo esteja preparando fraudes para manter-se no poder.
Para complicar, o ex-general golpista Lino Oviedo, candidato da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), nos últimos dias avançou nas pesquisas, disputando o segundo lugar com Blanca. (com informações do Estadão)