Ao contrário do que ocorreu nas eleições municipais passadas, quando temas como ética, probidade administrativa e gestão pública dominaram o cenário eleitoral e transformaram-se no divisor de águas dos embates colocados para o eleitor, a disputa de outubro deste ano tende a ficar distante das discussões ideológicas e programáticas e centrar-se nos personagens políticos.
"Esta será uma eleição de nomes, em que as articulações não passam por projetos partidários ou ideológicos, mas sim por projetos políticos de poder", destaca Marco Antonio Carvalho Teixeira, cientista político e pesquisador da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo.
O pesquisador diz que um dos principais reflexos do foco nos projetos de poder é a fragmentação que vem ocorrendo nas articulações políticas, sobretudo nas grandes cidades. "Não é apenas a esquerda que está saindo fragmentada nessas eleições, a oposição também está rachada", destaca Teixeira, exemplificando com o fato de tradicionais aliados em São Paulo, o DEM e o PSDB, saírem com candidaturas próprias, brigando pela mesma fatia do eleitorado. "Podemos dizer que 2010 está começando para valer nessas eleições."