Silvia Tada e Edivaldo Bitencourt
Alberto Aparecido Roberto Nogueira, o Betão, 47 anos, que está preso no Presídio Federal de Campo Grande, foi ouvido no inquérito policial da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (Deco) que apura a morte de Edgar Pereira, sócio do semanário "Boca do Povo". Ele também acabou sendo interrogado sobre outros crimes de grande repercussão ocorridos na Capital e, inclusive, sobre a acusação de ser pistoleiro do narcotraficante Fernandinho Beira-Mar.
De acordo com o titular da Deco, delegado Paulo Braus, Betão foi ouvido há cerca de 15 dias. Edgar Pereira foi assassinado com 12 tiros no dia 9 de junho de 2003. O caso está em sigilo e o delegado apenas disse que "várias pessoas" estão sendo ouvidas sobre o assassinato.
De acordo com o advogado de defesa, José Roberto Rodrigues da Rosa, o funcionário público negou qualquer participação no assassinato do sócio do "Boca do Povo". Ele também negou participação em outros homicídios de grande repercussão investigados pela Deco. Betão prestou depoimentos sobre crimes envolvendo a máfia dos caça-níqueis. "Ele negou ter conhecimento", destacou.
Sobre o narcotraficante preso no presídio federal, Betão também negou qualquer ligação. Ele foi acusado pela Polícia Federal, na época da prisão no Paraguai, de ser pistoleiro de Fernandinho Beira-Mar e de ser o responsável pela execução de mais de 30 pessoas na fronteira. Segundo o advogado José Roberto Rodrigues da Rosa, seu cliente estava escondido havia três anos em Pedro Juan Caballero, não tem ligação com o narcotraficante nem participou de nenhuma execução na fronteira.