Da redação
A Time recomenda: durante a Olimpíada, prestem atenção em Marta. Vai valer a pena. De acordo com a publicação, a craque da seleção brasileira faz parte de um seleto grupo de cem atletas que merecem ser vistos durante os Jogos de Pequim. Nenhum outro sul-americano aparece na relação. Nada de Ronaldinho Gaúcho ou Messi, só para ficarmos no futebol.
Para a revista, estrela brasileira mesmo é a baixinha que atende pelo nome de Marta. Ela agradece, mas prefere não se deixar levar pela badalação. "A visibilidade é interessante, pois todo atleta quer crescer cada vez mais", disse Marta. "Mas não tem essa de estrela. A seleção brasileira é composta por 18 jogadoras, tem o pessoal da comissão técnica. Todos me ajudam, portanto essa homenagem é para todos da seleção feminina".
O fato de atribuir importância igual a cada um integrante do grupo brasileiro que está em Pequim não significa que Marta não saiba o que representa. Afinal, não é qualquer atleta de futebol, seja ele homem ou mulher, que ganha por duas vezes o título de melhor do ano da Fifa. A alagoana de Dois Riachos ganhou.
Infelizmente, não é qualquer jogadora de futebol brasileira que tem uma carreira sólida e estável. Marta tem. Recebe bom salário no bem estruturado Umea, da Suécia. Ela apenas entende ser importante, nesse momento em que o Brasil vai brigar pelo ouro que escapou em 2004, deixar qualquer tipo de vaidade de lado. "Não me vejo como estrela. Gostaria que não falassem só da Marta, mas de toda a seleção".
A jogadora demonstra impressionante confiança nas chances de a equipe brasileira ser bem-sucedida nos Jogos. E não pretende deixar que detalhe algum, por menor que seja, atrapalhe. Exemplo disso é a expectativa moderada que demonstra com o encontro com Ronaldinho Gaúcho, o craque da seleção masculina.
As duas seleções estão no mesmo hotel, transformado em uma mini Vila Olímpica, específica para o futebol em Shenyang, e os dois fatalmente irão conversar. "Isso vai acabar acontecendo, mas não podemos perder o foco".
Marta ainda não se conforma com a perda do título mundial no ano passado, quando o Brasil foi derrotado pela Alemanha por 2 a 0, na final da Copa disputada também na China. Por isso, espera com grande expectativa a estréia brasileira na Olimpíada, nesta quarta-feira, justamente contra as alemãs. "Naquela final, fiquei com raiva. Dominamos o jogo, mas não soubemos aproveitar isso e acabamos perdendo".
A melhor jogadora do mundo ainda não viu o teipe daquela partida, mas fará isso nos próximos dias. "Por alguém tempo, não queria assistir. Mas agora prefiro assistir. Ver no que erramos é importante para acertamos todos os detalhes. Vamos vencê-las dessa vez", garantiu.
Ou seja: quem seguir o conselho da 'Time' e prestar atenção em Marta, pode ser brindado com um futebol de primeira. Motivação, pelo menos, não falta. (informações do Estadão)