Da redação
Os governos das sete maiores economias desenvolvidas prometeram usar dinheiro público, se necessário, para recapitalizar bancos e outras instituições financeiras enfraquecidas pela crise. O anúncio foi feito ontem, depois de uma reunião de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do Grupo dos 7 (G-7), no Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
Os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido já haviam anunciado a disposição de comprar ações de bancos privados para ajudar sua recuperação. A recapitalização dos bancos é essencial para a restauração da confiança nos mercados, havia dito, no dia anterior, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn.
Os ministros do G-7 resumiram seus novos compromissos num comunicado com cinco itens: 1) usar todos os meios disponíveis para apoiar sistemicamente as instituições financeiras importantes e impedir sua falência; 2) fazer o necessário para descongelar os mercados monetários e de crédito e garantir amplo acesso dos bancos e outras instituições aos fundos necessários; 3) garantir que os bancos e outros intermediários importantes, na medida do possível, possam levantar capital de fontes públicas e privadas, em volume suficiente para restabelecer a confiança e para continuar emprestando a empresas e famílias; 4) oferecer garantias aos depositantes; 5) agir para restabelecer o mercado secundário de hipotecas e outros ativos securitizados.
Os ministros comprometeram-se a tomar os cuidados necessários para proteger os contribuintes e evitar danos a outros países. Anunciaram, também, a disposição de usar os instrumentos macroeconômicos adequados, de apoiar o socorro do FMI aos países abalados pela crise e de trabalhar pela reforma do sistema financeiro.
As decisões dos ministros coincidem com as principais sugestões apresentadas nesta semana por Strauss-Kahn e outros altos funcionários do FMI. Até ontem, a maioria dos governos da União Européia rejeitava intervenções mais amplas que aquelas empreendidas pelos bancos centrais.
"A turbulência é um evento global", disse Henry Paulson, depois da reunião, ao justificar as decisões. A situação, segundo ele, impõe medidas cooperativas a autoridades financeiras e monetárias de todo o mundo.
O secretário também disse esperar que os ministros do G-20 endossem as decisões dos sete ministros das maiores economias capitalistas. O G-20 inclui os membros do G-7 e um grupo de grandes economias emergentes. Seu atual presidente, o ministro Guido Mantega, convocou para hoje à tarde uma reunião do grupo na sede do FMI, por sugestão de Paulson.
Segundo o secretário americano, as compras de ações de entidades financeiras pelo governo dos Estados Unidos não deverão dar direito a voto. Na reunião do G-7, segundo explicou, não houve menção e nenhuma empresa em particular.
No momento, disse Paulson, o foco principal das ações deve ser o fornecimento de liquidez aos mercados. Segundo ele, as medidas anunciadas pelos ministros não produzirão efeito imediato e ainda haverá instabilidade por algum tempo. (informações do Estadão)