Sílvio Andrade, de Corumbá
"O Exército na fronteira tem papel de polícia". Assim definiu o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ao anunciar ontem, após reunião diplomática dos governos brasileiro e boliviano, em Ladário, que o acordo de combate ao narcotráfico com a Bolívia e o Paraguai poderá envolver as Forças Armadas.
O Exército, segundo ele, faria uma ação coordenada por terra com a Polícia Federal por toda a fronteira de entrada de cocaína e maconha, cuja extensão é de 600 km em linha seca. Jobim disse que o assunto ainda será discutido com o ministro da Justiça, Tarso Genro, que também acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à fronteira.
A presença das Forças Armadas no combate ao crime organizado na região tem sido amplamente debatido, com setores militares reagindo contra. Mas a estratégia que o Brasil está definindo com o Paraguai e a Bolívia deverá envolver principalmente o Exército, que tem presença marcante nos limites fronteiriços.
Até o período do regime militar, as Forças Armadas mantinham forte aparato nas fronteiras com a Bolívia e o Paraguai, fiscalizando não apenas o acesso de pessoas, de veículos, comércio e também o tráfico de drogas, que não era tão intenso a época. Agora, o setor alega que não tem poder de polícia para manter suas barreiras.