Brasília
Em meio a uma série de suspeitas sobre o patrimônio do segundo vice-presidente e corregedor da Câmara, Edmar Moreira (DEM-MG), eleito na segunda-feira (2), foi dado hoje o primeiro passo para desvincular as duas funções e tirar a corregedoria do deputado mineiro. A ideia é criar um órgão específico, como existem hoje a Procuradoria e a Ouvidoria da Câmara. Cabe ao corregedor analisar denúncias contra deputados e encaminhar à Mesa Diretora, que pode ou não mandar o caso ao Conselho de Ética.
A articulação para tirar Moreira da corregedoria começou no dia seguinte da eleição da Mesa, quando Edmar Moreira defendeu o fim dos julgamentos na Câmara dos pedidos de cassação de mandato por falta de decoro parlamentar. O corregedor considera que os processos contra parlamentares devem ir ao Judiciário. No Parlamento, afirmou, os colegas têm "o vício da amizade".
A formalização da mudança no regimento interno para desvincular a corregedoria da segunda vice-presidência foi feita por meio de um projeto de resolução apresentado ontem pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE). Há tendência entre os integrantes da Mesa e os líderes partidários de levar adiante a ideia e submeter o projeto ao plenário, em regime de urgência, na próxima terça-feira (10). "A Casa não dispõe de corregedoria e de uma estrutura para tratar de questões disciplinares. Existe o corregedor, mas não existe a corregedoria", afirmou Jungmann. O deputado conversou com Edmar Moreira sobre o projeto e disse que a iniciativa é para corrigir uma "falha do regimento".
Além da manobra para tirar seu poder de corregedor, Edmar Moreira ainda enfrentará a Executiva do DEM, que não aceita o fato de o deputado ter sido candidato à segunda vice-presidência à revelia do partido. Edmar Moreira venceu o concorrente oficial, Vic Pires Franco (PA).