Lívia Ferreira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu carta branca para o PT lançar candidato próprio e enfrentar o PMDB na disputa pelo Governo de Mato Grosso do Sul. Embora tenha o PMDB como aliado preferencial e deseje a dobradinha com seu partido para favorecer a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República, Lula está consciente de que, em alguns Estados, a união das duas legendas é inviável. Mato Grosso do Sul é um deles, ao lado de Pernambuco, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Neste feriado, em conversa com o ex-governador José Orcírio dos Santos, com quem passou o carnaval, Lula afirmou que todos os Estados em que não há possibilidade de acordo entre PT e PMDB terão tratamento diferenciado. A sinalização do presidente era o aval de que Orcírio precisava para tentar se viabilizar como candidato à sucessão estadual.
Conforme havia adiantado na última sexta-feira ao Correio do Estado, o governador disse ao presidente que, caso a aliança entre PT e PMDB no Estado fosse indispensável, sairia da disputa eleitoral. Orcírio ratificou a Lula que está fora de cogitação subir no mesmo palanque do governador André Puccinelli (PMDB), que ironiza publicamente o PT, provoca os petistas e "fala mal até do próprio presidente".
"O Lula entendeu [que é difícil a aliança]. Ele disse: ?como é que eu vou impedir a Ideli [senadora petista Ideli Salvatti, pré-candidata a governadora de Santa Catarina] de disputar? Como é eu vou impedir um ex-governador de disputar??", explicou Orcírio sobre os questionamentos do presidente. "O Lula deixou claro que não vai impor alianças e vai respeitar a vontade de o PT ter candidatura própria. Senti que tenho carta branca", completou.