As mudanças no rendimento da caderneta de poupança que estão em estudo pelo governo não têm como objetivo proteger o pequeno poupador, ao contrário do que dá a entender o discurso oficial. Pelo contrário, o ganho ficará menor do que é hoje. A razão que leva a equipe econômica a mexer na remuneração das cadernetas é outro: evitar que falte financiamento para pessoas, empresas e para o próprio governo.
A trajetória de queda da taxa de juros básica, a Selic, atualmente em 11,25% ao ano, tem reduzido os ganhos das aplicações em renda fixa. Em contrapartida, as cadernetas estão cada vez mais atraentes. O governo teme uma concentração de investimentos em poupança, pois isso teria como consequência o desequilíbrio entre as operações financiadas por elas e aquelas suportadas pelos fundos de investimento.
Hoje, 65% do dinheiro depositado nas cadernetas é obrigatoriamente emprestado para financiar habitação e saneamento. Já os recursos dos fundos são usados, por exemplo, para financiar a expansão de empresas e para empréstimos pessoais. Os fundos de investimento também são os principais compradores de títulos da dívida pública federal. (Com Agência Estado)