São Paulo
Entidades da sociedade civil organizada demonstraram indignação com a chamada farra das passagens aéreas na Câmara dos Deputados e no Senado. O presidente da comissão de direito político e eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), Sílvio Salata, disse que o uso indevido das passagens que deveriam permitir ao parlamentar somente viajar para seu Estado afronta os princípios da boa administração pública.
"Somente o próprio parlamentar deveria ter direito (às passagens) e, mesmo assim, de forma restrita. Do jeito que está, fere a moralidade e a legalidade. No caso do deputado Fábio Faria (PMN-RN), pode se constituir em falta de decoro parlamentar. É preciso um controle muito rigoroso sobre este benefício."
Faria cedeu bilhetes para a ex-namorada, a apresentadora Adriane Galisteu, e para artistas viajarem a sua terra, em um carnaval fora de época que promove. Na quinta-feira, pressionado pela repercussão das irregularidades, o Congresso baixou normas que, na prática, oficializam o uso de passagens da instituição por pessoas indicadas pelos parlamentares. Embora mostradas como moralizadoras, as medidas favorecem a continuidade das viagens a passeio.