Da redação
Envolvido em crises sucessivas nos últimos anos, o empresário Eugênio Staub, fundador da Gradiente, já caiu e levantou algumas vezes. Agora, em meio ao pior momento de sua história, Staub costura uma operação de salvamento com forte participação estatal. O plano é criar uma nova empresa, livre de dívidas, que teria os seguintes sócios: uma multinacional americana da área eletrônica chamada Jabil, a agência de fomento do governo do Amazonas, os fundos de pensão dos funcionários da Petrobrás (Petros)e da Caixa Econômica Federal (Funcef), além da própria família Staub.
Haveria ainda a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, mas não como acionista da nova empresa. O BNDES emprestaria os recursos que a Gradiente precisa para acertar suas dívidas, de cerca de R$ 300 milhões, com bancos e fornecedores. A negociação é liderada por Staub e pelo Bradesco, um dos principais credores da empresa.
Símbolo da indústria eletrônica no passado, a Gradiente começou a perder o rumo nos anos 90, quando o País abriu suas fronteiras aos produtos importados. Como outras empresas nacionais, a Gradiente não resistiu à agressividade de novas marcas estrangeiras. Chegou a faturar mais de R$ 1 bilhão por ano. Hoje, duas de suas fábricas na Zona Franca de Manaus (AM) estão paradas e a terceira foi alugada à montadora de motocicletas Honda.
A operação de resgate já estaria quase toda combinada, mas sua concretização ainda depende de alguns acertos. O mais decisivo envolve os principais credores da Gradiente, que precisam aceitar um desconto significativo nas dívidas que têm a receber. Há cerca de um mês, Staub tinha conseguido 80% de adesão. De lá para cá, o processo não progrediu.
O empresário precisa da aceitação total dos credores para conseguir o financiamento do BNDES - e assim liquidar suas dívidas. Esse acerto, por sua vez, é condição essencial para a criação da nova empresa. Segundo o plano de negócios apresentado por Staub a parceiros, a nova empresa nasceria com um capital de R$ 150 milhões. Metade disso seria aportada pelos Staub, que entrariam com fábricas e equipamentos. A Jabil entraria com R$ 25 milhões, os fundos de pensão com R$ 17 milhões cada e a agência de fomento do Amazonas com o resto. (informações da Agência Estado)