Cidades

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Primeiro Minha Casa Minha Vida sai do papel

Primeiro Minha Casa Minha Vida sai do papel

Redação

19/12/2009 - 20h00
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                Da redação

                André Luiz Deonízio, de 29 anos, decidiu adaptar o ditado "quem casa quer casa". Primeiro vai se mudar para a casa nova para depois começar a fazer os planos de casamento com a namorada Isabela, com quem está há três anos e meio. Na tarde de ontem, ele recebeu as chaves de uma das 50 casas do primeiro projeto habitacional do Minha Casa, Minha Vida no Estado de São Paulo, em Jaú (SP).
                Jaú, cidade paulista a 297 quilômetros da Capital, tem segundo a prefeitura um déficit habitacional que afeta a vida de 16 mil famílias, de uma população de 133.469 habitantes, segundo o Censo. São pessoas que têm de dividir a casa com outros familiares, que moram em lugares precários ou gastam mais de 30% da renda com aluguel.
                Deonízio paga R$ 450 por mês entre aluguel e condomínio. Agora vai desembolsar R$ 320 pela prestação da nova casa. Assim que levantar o muro em volta da construção e tiver a instalação dos serviços de água e esgoto pretende marcar o dia da mudança - "quem sabe antes do Ano Novo".
                O técnico em enfermagem, que ganha por mês por volta de R$ 2,3 mil líquido (ele tem dois empregos na área de saúde), optou por um financiamento de 15 anos, mas pretende quitar a dívida antes disso. A casa de 48,20 metros quadrados (dois dormitórios, sala, cozinha, banheiro e quintal já gramado) custou R$ 61,1mil e ele entrou com R$ 15 mil do FGTS.
                Outra nova mutuária é Melina Lesley Aparecido Gomes de Abreu, de 24 anos. Ela se casou com Fábio há dois anos. Primeiro moraram de aluguel. Nos últimos meses estão vivendo na casa da sogra para economizar. Fábio perdeu o emprego de motorista de caminhão há cinco meses e se vira com bicos. O jeito foi cortar o gasto com aluguel, de R$ 300, até a mudança.
                Assistente de coordenação pedagógica, Melina conta que desde que assinou o contrato com a Caixa tem acompanhado o dia a dia do novo endereço. "Tenho ido à obra desde a época em que ainda era só um terreno. Fotografei tudo", diz.
                O salário de Melina é de R$ 2 mil (bruto) e ela reforça o orçamento com bicos, como as pinturas em festas infantis e os artesanatos de biscuit. A previsão é que ela pague por mês uma prestação de cerca de R$ 400: "Não vejo a hora de colocar as minhas coisinhas no lugar."
                O maranhense Alcivone Martins de Sousa, de 24 anos, deixou Imperatriz (MA) há quase dois anos para trabalhar na construção civil. Por mês ele ganha em torno de R$ 800 na função de apontador da obra. Atualmente ele divide o aluguel de uma casa com outros dois colegas com quem trabalha na construtora Maribondo, responsável pelo Residencial Jardim Emília II, onde vão morar Melina e André e outras 48 famílias. Apesar de ter uma casinha na cidade natal, construída com a ajuda do pai, Sousa sonha em ter um imóvel em Jaú.
                "Já fiz a inscrição para o Minha Casa e espero ser selecionado no ano que vem", diz. Com a renda que tem, ele se enquadra nos projetos para quem ganha até três salários mínimos.
                Sousa é dedicado na rotina de receber o material de construção e as notas entregues pelas lojas de material. E pelo que conta gosta muito do trabalho. "Faço o melhor. Capricho em cada etapa. Penso que ali vai morar uma família e que um dia será a minha a ocupar uma daquelas casas", relata.
                Além de Sousa, participaram do projeto de Jaú outros 224 trabalhadores, entre diretos e indiretos, como conta João Ranieri, executivo da construtora Maribondo. A empresa, de São Paulo, tem outros projetos no Minha Casa espalhados pelo interior do Estado. "Hoje o imóvel mais caro custa R$ 67,3 mil", afirma Ranieri.
                No caso do residencial inaugurado ontem em Jaú, foram necessários oito meses da assinatura do contrato à entrega da chave. A construtora já tinha o terreno e começou a preparar o projeto assim que soube dos planos do governo de lançar um programa para atender o segmento de habitação popular. (informações do Estadão)

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