Da redação
Foi há cerca de 15 anos que os brasileiros começaram a chegar no Suriname para trabalhar no garimpo, em busca de uma vida melhor, segundo informações da embaixada brasileira no país. Hoje os dados apontam que entre 15 mil e 18 mil vivem no Suriname, a maioria em situação irregular.
Na véspera de Natal, alguns brasileiros que vivem no país foram brutalmente atacados por surinameses quilombolas, descentes de escravos. Tudo começou após um brasileiro esfaquear e matar um surinamês. Em retaliação, os locais atacaram o bairro onde vivem os estrangeiros - além de brasileiros, há chineses, colombianos, peruanos, entre outros.
Grande parte dos brasileiros que moram no Suriname é oriunda das regiões Norte e Nordeste do Brasil. O Suriname faz fronteira com os estados do Pará e do Amapá e fica entre a Guiana e a Guina Francesa.
Com extensão territorial de 163 mil km² - área semelhante a todo o estado do Acre -, o Suriname tem pouco mais de 500 mil habitantes, população equivalente à capital mato-grossense Cuiabá. A capital é Paramaribo e é considerada patrimônio histórico pela Unesco, pois abriga casarões da época colonial.
A embaixada do Brasil tem conhecimento de que muitas mulheres brasileiras vão para o Suriname trabalhar na prostituição, fascinadas com a riqueza que o garimpo pode proporcionar. O pagamento, em muitos casos, é feito em ouro, diz o embaixador José Luiz Machado e Costa.
A economia surinamesa se baseia na indústria da mineração. Os brasileiros que vivem lá - a maioria sem documentação - trabalham no garimpo, atividade proibida no Suriname. A população brasileira no país é flutuante, diz o embaixador.
"Eles vivem como nômades, moram por pouco tempo e vão embora. Ficam acampados em tendas plásticas enquanto se dedicam ao garimpo", explicou Costa.
Na cidade de Albina, onde a população "marrom", como são conhecidos os surinameses quilombolas, descentes de escravos, atacou brasileiros e pessoas de outras nacionalidades, vivem cerca de 10 mil pessoas. Albina faz fronteira com a Guiana Francesa.
O embaixador José Luiz Machado e Costa afirmou que nunca houve precedente de desentendimento entre locais e brasileiros. "A relação de integração no Suriname é completa e temos total simpatia com eles. Eu acredito que tenha sido mais uma atitude de massa (o conflito em Albina), começa um quebra-quebra e a coisa sai do controle. Não qualificaria como ressentimento."
História
O Suriname foi colonizado pela Holanda no século XVII, quando foi chamado de Guiana Holandesa. Em 1975, a região conseguiu a independência e adotou o nome de Suriname. Um regime militar governou o país nos anos 80 e a democracia foi restabelecida em 1988. (informações do G1)