Da redação
O frentista Reginaldo Souza Figueiredo, de 27 anos, é reconhecido até hoje como "o herói da enchente" pelos motoristas e ocupantes de carros que param para abastecer no Auto Posto Guarujá, em São José do Rio Preto, a 440 quilômetros de São Paulo.
No dia 7 de outubro, ele estava no trabalho, quando a tempestade pegou de surpresa motoristas que tentavam atravessar a Avenida Alberto Andaló, a principal da cidade, onde está localizado o posto. Entre os motoristas estava Gisele Cristina Nunes, de 29 anos, que chegou a ser arrastada pela água antes de ser resgatada.
"Não pensei duas vezes e fui ajudar. Quando me vi já estava lá, dentro d?água, levando a corda e retirando a moça", diz Reginaldo. "Só depois, na TV, vi que a coisa tinha sido grande." Mas o que fez mesmo o frentista entrar na água foi se colocar no lugar de Gisele. "A única coisa que imaginei foi que poderia ser minha mulher naquela moto, ou mesmo eu", lembra o frentista que, assim como Gisele, usa uma moto para se locomover pela cidade.
A mulher de Reginaldo, Josiane, estava grávida. O filho, Matheus, fez um mês de vida na quinta-feira.
Pelo ato, Reginaldo recebeu medalhas e diplomas do Corpo de Bombeiros, viajou para São Paulo e para o Rio a fim de dar entrevistas para programas de TV e ainda recebeu recompensa de R$ 500 de uma rede de farmácias da cidade, que o premiou pelo feito.
Mas a maior recompensa está dentro dele. "Essa satisfação de ter ajudado alguém e ser reconhecido por isso não tem preço, não há nada que pague", afirma.
Reginaldo continua trabalhando como frentista, como faz há três anos, e seu salário fica entre R$ 800 e R$ 900. Ele mora numa casa simples, da família, no Jardim Laranjeiras.
"Por fora, tudo continua igual, mas sei que, por dentro, ficou a lição de que devemos valorizar a vida, mas entender, sobretudo, que pensar no próximo, nas outras pessoas e poder ajudá-las não é uma coisa tão rara como se imagina hoje em dia."
"Hoje, as pessoas chegam aqui no posto, me reconhecem e depois dizem: ?Você não é o moço que apareceu na TV salvando a mulher da inundação??", afirma. "Respondo que sim e isso me dá certa satisfação, mas ela não é completa se eu não disser que aquilo só foi possível porque ainda existem pessoas que pensam nas outras", completa. (informações do Estadão)