Cidades

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Na Capital, chuva esvazia escolas e afugenta o público

Na Capital, chuva esvazia escolas e afugenta o público

Redação

15/02/2010 - 07h34
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Com uma hora e meia de atraso e pouco mais de 200 pessoas nas arquibancadas da Via Morena, em Campo Grande, as quatro escolas de samba dos grupos de acesso e duas do grupo especial desfilaram sem deixar se abater pela chuva que caiu durante toda a noite de sábado e só deu trégua no início da madrugada de domingo quando a festa já estava terminando. A maior parte do público presente era de famílias que foram prestigiar os carnavalescos. O técnico em alarmes, Anderson Pereira Lima, a esposa Lucilena e os dois filhos do casal chegaram às 20h mesmo debaixo de muita chuva. “Já havíamos nos preparado para vir assistir e as crianças estavam ansiosas para ver as escolas. Com guarda- chuva e um bom agasalho para eles vamos assistir ao desfile com tranquilidade”, disse Anderson. A família permaneceu no local até a 1h de domingo. O público esperado para a primeira noite de desfile era de 10 mil. A organização do evento chegou a cogitar a possibilidade de cancelar o desfile, mas mudou de ideia. “Em respeito a quem veio assistir e aos carnavalescos que chegaram para desfilar, decidimos manter o que estava previsto. Mas, o atraso não tivemos como evitar, porque muitos componentes das escolas tiveram dificuldades para chegar até a Via Morena devido a chuva”, informou o presidente da Liga das Escolas de Samba, Eduardo de Souza Neto. A primeira escola a entrar na passarela do samba da Via Morena, às 21h15min, foi a Herdeiros do Samba, com o enredo “as quatro estações do ano” que pela primeira vez, em três anos, desfilou oficialmente e foi recepcionada pelo prefeito Nelsinho Trad. Com duas alas a menos em virtude da ausência dos componentes por conta da chuva, os foliões não desanimaram. “Mesmo debaixo dessa chuva e desfalcados, foi maravilhoso desfilar pela primeira vez e conseguir mostrar o nosso trabalho”, disse a fundadora da escola, Fátima da Luz. Com o enredo “Respeite a vida no trânsito. Não beba, não corra, não mate e não morra”, a Acadêmicos do Pró-Morar e Pra Sambar chamou a atenção do público ao levar para a avenida um carro alegórico com veículos destruídos após se envolverem em acidentes de trânsito. Das oito alas previstas para desfilar, duas ficaram de fora em consequência da ausência de 100 componentes. “A chuva realmente nos prejudicou bastante. Uma das alas era só com maquiagem de lesões provocadas por acidentes. Quem tentou vir acabou ficando sem a maquiagem no meio do caminho e outros nem quiseram fazer. É uma tristeza viu, mas vale a pena desfilar”, salientou o presidente da escola, Antônio Carlos Gomes. Às 23h15min, a escola de Samba Unidos do Aero Rancho entrou na avenida, com 100 componentes, mas momentos de tensão tomaram conta dos componentes após a barra de direção do carro abrealas quebrar. Integrantes da escola tiveram que empurrar o veículo durante todo o trajeto do desfile. A jovem Silvia Almeida de Araújo, 26 anos, que sofre de distrofia muscular – enfraquecimento dos músculos – e por isso está na cadeira de rodas há seis anos não desanimou com a chuva. “Quando existe um obstáculo, a vida fica mais emocionante. Hoje a chuva é o nosso desafio e competir fica mais prazeroso”, disse Silvia. Já à meia-noite e meia, teve início o desfile das escolas do grupo especial. A primeira foi a agremiação União do Buriti com o enredo “O Pantanal é aqui”. Mas, embora não estivesse chovendo no momento o estrago já havia sido feito. O carro abre-alas não entrou na avenida, porque não pode ser montado por causa da intensa chuva. “Além do carro também deixamos para traz uma ala inteira com 15 pessoas que tinham fantasias cheias de plumas”, lamentou. A última escola a entrar na avenida foi a Unidos do São Francisco com o enredo “São Jorge, meu protetor”. A chuva fez com que dos 150 componentes, apenas 100 fossem para a avenida. Pelo menos 45 policiais militares estavam de prontidão para fazer a segurança das pessoas que estiveram na Via Morena no último sábado.

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