Da redação
O primeiro treino após a derrota para o Flamengo foi marcado pela obsessão para consertar um dos problemas graves desse Corinthians, que está no limiar entre o céu e inferno: a finalização, o arremate ao gol. Mano Menezes pisou no gramado do Parque São Jorge e começou a dar ordens aos jogadores. Separou reservas de titulares, diminui o tamanho do campo e iniciou um trabalho tático por cerca de 40 minutos. Gritou, gesticulou, parou o trabalho diversas vezes. Ele tentava por um fim a passividade que seu time e que seu principal jogador, Ronaldo, vem enfrentando.
A primeira decisão de Mano Menezes foi barrar o lateral-direito Moacir, autor do pênalti que determinou a vitória no Flamengo no Maracanã que complicou a situação da equipe nas oitavas de final da Libertadores. Alessandro, enfim recuperado de contusão muscular na coxa direita, retorna ao time na quarta-feira. "Ei, Guerreiro, encosta, encosta", gritava o treinador. Guerreiro é como ele e os outros jogadores se referem a Alessandro.
O que Mano Menezes pedia a ele é que trabalhasse jogadas de ataque com Elias e Dentinho, numa triangulação que já deu muito certo no Corinthians. Num determinado momento do treino, Mano Menezes queria Elias saísse na cara do gol, como um elemento surpresa.
Ronaldo é um caso à parte nessa engrenagem do ataque. Nesta sexta, o Fenômeno treinou como uma típico centroavante, enfiado no meio da defesa formada pelos reservas Leandro Castán e Paulo André. Vez ou outra saia da área para trabalhar uma jogada, dar um passe. Ele era um dos únicos jogadores que parecia exausto. Colocava as mãos na cintura e olhava para o alto.
O Fenômeno, segundo a assessoria do clube, chegou mais cedo que todos pela manhã. Fez musculação e depois iniciou trabalho de recuperação com os demais jogadores. À tarde, participou do treino com bola.
Quem vê Ronaldo treinar de perto, sua movimentação e seu desempenho em campo, acharia algo natural se Mano tirasse ele do time. Mas isso é algo Mano não vai fazer. Vai esperar que Ronaldo faça algo de outro mundo e classifique o Corinthians. Mas pelo seu rendimento em jogos e treinos é difícil esperar um Ronaldo muito diferente do jogador das últimas partidas. Suas jogadas no treino desta sexta não deram em nada.
Além de cobrar demais de Dentinho e exigir que Jucilei chutasse mais ao gol, Mano também montou um esquema de marcação sob pressão. Dentinho, Elias, pela direita, e Danilo e Jucilei pela esquerda davam combate quando os reservas tentavam sair com a bola.
Pelo semblante dos jogadores, percebe-se que a pressão por uma vitória tomou conta do grupo. Na frente do treinador, não se via nenhum jogador com sorriso no rosto. Pelo contrário, havia uma demonstração de seriedade. Sem as brincadeiras, sem petelecos de Dentinho ou de Ronaldo. Risos e gracinhas, só quando o treino já tinha terminado, e com Mano já fora de campo. Aí alguns jogadores foram bater pênalti. Poucos sócios assistiram ao treino. Neste sábado será a vez das organizadas, que prometem fazer uma "invasão do bem", para incentivar os atletas. (Do Estadão)