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ESPECIAL: Emprego piora nos EUA, o que isso indica para o futuro?

ESPECIAL: Emprego piora nos EUA, o que isso indica para o futuro?

Redação

04/07/2010 - 19h30
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Os resultados do Relatório de Emprego dos Estados Unidos mudaram os rumos deste pregão, adicionando volatilidade aos mercados acionários e um leve viés negativo. Decepcionando os analistas, o documento mostrou corte de 125 mil vagas de trabalho no país em junho, enquanto a expectativa era de queda de 100 mil.

Os dados unem-se a indicadores econômicos decepcionantes divulgados em junho. Enquanto o mercado ainda não decide se os números mais fracos se devem a uma queda na confiança devido às turbulências recentes, especialmente na Europa, uma coisa é certa: as perspectivas para este segundo semestre devem ser afetadas.

"Com obstáculos vindo das condições financeiras mais apertadas, dos cortes fiscais e de um recuo da indústria, o risco de uma desaceleração mais profunda no segundo semestre aumentou ? particularmente se transparecer que o mercado de trabalho não retornou com força de recuperação total", observam os analistas do Danske Bank, ressaltando que ainda é preciso mais alguns meses de dados econômicos para uma previsão melhor.

Da mesma forma, a equipe da LCA Consultores acredita que os últimos números do mercado de trabalho não eliminam as incertezas sobre o processo de recuperação do segmento nos Estados Unidos.

"Assim, de maneira geral, o relatório de junho do emprego norte-americano é consistente com nossas expectativas de moderada desaceleração da economia dos EUA neste segundo semestre de 2010 e de que o Federal Reserve só deverá iniciar um ciclo de elevação de juros em 2011", projeta a consultoria.

Emprego público

"Os dados altamente voláteis nos últimos meses se devem à implementação do censo de 10 anos", explica o analista Jean-Marc Lucas, do BNP Paribas. Em junho, o declínio nas vagas de trabalho no censo do governo atingiu 225 mil. Excluindo esse impacto, houve um aumento de 100 mil empregos nos Estados Unidos.

"As contratações para o censo foram uma contribuição importante, mas temporária, para o crescimento total do emprego nos últimos meses. No final de junho havia 339 mil trabalhadores temporários empregados no censo de 10 anos. Até o final deste ano, esse número irá retornar a praticamente zero, o que significa que nos próximos meses, 339 mil empregos serão cortados", indica o economista sênior do TD Bank, James Marple.

No total, o setor público federal norte-americano teve 198 mil vagas cortadas em junho, após marcar alta de 418 mil postos de trabalho em maio.

Setor privado

Enquanto o governo teve demissões líquidas, o setor privado mostrou uma criação de 83 mil vagas de trabalho em junho. Apesar do resultado positivo, os dados não empolgaram. "Colocando na balança, os detalhes do relatório foram um pouco decepcionantes, com diversos sinais de que o ritmo de contratação no setor privado está diminuindo", explicam os analistas Peter Possing Andersen e Signe Roed-Frederiksen, do Danske Bank.

A expectativa geral era de criação de 100 mil postos de trabalho no setor privado norte-americano, depois da criação de 31 mil vagas em maio (número revisado dos 41 mil mostrados anteriormente). Ambos os resultados mostram uma piora expressiva frente a março, quando foram adicionados 200 mil empregos no setor privado.

Desde o começo do ano, já foram criadas 593 mil vagas de trabalho no setor privado, segundo Marple. "Entretanto, esse ganho deve ser comparado com as perdas durante a recessão. Os postos de trabalho da indústria privada caíram em quase 8,5 milhões entre dezembro de 2007 e dezembro de 2009, então há ainda um longo caminho para reparar o dano causado pela Grande Recessão", alerta o economista do TD Bank.

Desemprego menor

Apesar da decepção com a criação de vagas de trabalho, a taxa de desemprego surpreendeu para o lado positivo. A proporção de pessoas desocupadas na economia norte-americana passou de 9,7% para 9,5% em junho, enquanto o mercado esperava um aumento para 9,8%.

Mas até mesmo essa queda é vista com desconfiança. "Isso não deve ser visto como um fato positivo, considerando que não foi devido à criação de emprego e sim ao declínio no desemprego atribuído ao êxodo da força de trabalho", frisa Marple, apontando que a taxa de emprego (total de empregados sobre a população economicamente ativa) caiu para 58,5%, o nível mais baixo desde fevereiro.

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