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Eleição tem Obama, BinLanden e Maradona na disputa

Eleição tem Obama, BinLanden e Maradona na disputa

Redação

29/07/2010 - 00h30
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Os candidatos de nomes bizarros marcarão presença, mais uma vez, nessas eleições. No cardápio do maior colégio eleitoral do País - São Paulo - o que não falta é variedade. Há nomes de frutas, peixes, carnes, presidente e terrorista. Obama Brasil (PTB), BinLaden (PTN) e Maradona do Brasil (PTB) são alguns dos concorrentes. A maioria vale-se de apelidos para tentar fazer valer a estratégia testada com sucesso no mercado publicitário, a marca que gruda na cabeça do consumidor, com o objetivo de obter dividendos nas urnas.

Contudo, o balanço de pleitos passados comprova que não basta apenas uma alcunha inusitada e uma performance extravagante para convencer o eleitorado, pois a maioria desses aspirantes jamais se elegeu. O cientista político Humberto Dantas, da Universidade de São Paulo (USP), conselheiro do Movimento Voto Consciente, diz que o universo de concorrentes exóticos não é exclusividade apenas nas eleições do Brasil. "Isso existe em todo lugar, mesmo nos países que adotam a lista fechada, portanto, a reforma política não vai resolver essa questão", afirma, ressaltando que a responsabilidade em não eleger esse tipo de pretendente é sempre do eleitor.

Candidata pela primeira vez, Suellem Aline Silva foi uma das que adotaram o apelido nas urnas. Conhecida no universo das celebridades pelos atributos físicos, Aline integra o chamado grupo das "mulheres-frutas" e, na esperança de obter uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PTN, decidiu usar a designação de "Mulher Pera". "É Pera porque tenho cintura fina e quadril largo. Eu tenho muitos fãs que votarão em mim. Vou dar a cara à tapa e ver o que acontece", diz a estreante.

Na categoria alimentos, há ainda outros nomes pitorescos, como Lambari (PRP), Berinjela (PSDC) e Frangão (PMN). Nesse rol, o candidato Agenor Bisteca (PSDC), cujo nome oficial é Agenor Hermógenes Júlio, acredita que o apelido pode ajudá-lo a levantar a candidatura ao Congresso. "O nome Agenor é normal, mas Bisteca é marcante."

 

Psiu

 

Na tentativa de chamar a atenção dos eleitores, vale até mesmo apelar para o prosaico "Psiu", como fez Manoel Hanario. O candidato do PMN, que pleiteia uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), registrou-se na Justiça Eleitoral como: "Psiu Sou Hanario".

 

Outro concorrente a uma vaga na Alesp, Ailton Alves da Silva (PTN) partiu para o escatológico. Adotou o registro de "Ailton Meleca". "É um nome raro e vai trazer muitos votos", avalia, anunciando a plataforma: "Vamos tirar as melecas das ruas." Entre os candidatos com apelidos exóticos, há também Maluco Beleza (PHS), Tetraneto do Zumbi dos Palmares (PTN) e Josué Topa Tudo (PDT).

 

Cover do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, Ananias Rodrigues da Silva (PTB), o "Obama Brasil", afirma que a semelhança com o democrata pode atrair votos e que os projetos são parecidos. Perguntado, não soube esmiuçá-los. "A nossa biografia é idêntica. Somos advogados, religiosos, temos duas filhas e temos a mesma altura", lista. "Temos um contato espiritual."

 

Fracasso nas urnas

 

Humberto Dantas endossa a tese de que a porcentagem de votos recebida por conta do nome incomum é bastante pequena. "Rende votos numa faixa do eleitorado que tem como intuito levar a eleição na brincadeira, na galhofa, ou aqueles que votam por protesto, que não são muitos." Para o cientista político, esses candidatos são usados como uma espécie escada para elevar os líderes, sobretudo nos pequenos partidos.

 

O resultado das eleições para a Alesp e Câmara dos Deputados de 2006, em São Paulo, prova que o desempenho desses candidatos nas urnas costuma ser fadado ao fracasso. Dos 94 deputados estaduais eleitos, nenhum adotou apelido esquisito. O mesmo resultado foi observado entre os deputados federais eleitos pelo Estado: - naquele pleito, os candidatos de nomes pitorescos que tiveram melhor performance foram Chinelo (PSB), com 21.917 votos, Laranja (PPS), com 4.451, e Mestre Xaman (PTB), com 3.519.

 

A cientista política Maria do Socorro Braga, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), ressalta que a estratégia de escalar anônimos é mais comum em legendas nanicas, que não dispõem de muito tempo em palanque eletrônico e enfrentam dificuldades em angariar nomes para o pleito. Assim como Dantas, Maria do Socorro avalia que o interesse desses partidos em recrutar tais personagens está no potencial de votos que eles podem angariar para formar o coeficiente eleitoral mínimo exigido para a diplomação de um parlamentar.

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